Desemprego: o segundo e maior inimigo

Updated: Aug 17



A taxa de desemprego do trimestre encerrado em fevereiro divulgada pelo IBGE ainda não demonstra o impacto do novo coronavírus. Ainda é uma visão da economia pelo retrovisor, pois o efeito do coronavírus sobre o desemprego vai começar a ser captado de forma mais clara a partir de março.

Infelizmente a crise do novo coronavírus já pegou o Brasil em uma situação crítica no mercado de trabalho. Após dois trimestres de queda, a taxa de desemprego subiu para 11,6%. O indicador ainda é menor do que o observado no mesmo período de 2019, de 12,4%.

O problema não se restringe apenas ao desemprego, mas à subutilização que inclui não só os desempregados, como desalentados e subocupados. A taxa de subutilização ficou em 23,5%.

No início do ano, há um aumento na taxa de desemprego, com o fim dos empregos temporários para as festas de final de ano. Mas ao observar a comparação com o mesmo período do ano passado, é inegável que o emprego no Brasil estava se recuperando, ainda que lentamente. Pelo menos até o novo coronavírus chegar.

A informalidade constitui fragilidade adicional da economia brasileira. Há 38 milhões de trabalhadores informais e uma taxa de informalidade é superior a 40%. Este contingente será de forma brutal, pela crise. Daí a importância do “coronavoucher”, embora trate-se de medida temporária e paliativa.

A crise do novo coronavírus começará a ser captada pelas estatísticas a partir de março. O impacto na taxa de desemprego dependerá da duração da crise e das ações governamentais para combatê-la, bem como do comportamento da economia mundial que tem efeito sobre a brasileira.

Em um cenário mais pessimista, a taxa de desemprego pode chegar a 15,5%, o que superaria em quase 2p.p o recorde anterior de 13,7%, ocorrido em março de 2017.


Neste sentido, novos dados da China representam uma esperança em meio a tantos indicadores negativos para a economia mundial. O Índice dos Gerentes de Compra (PMI) daquele país subiu para 52 pontos em março, depois de um resultado muito ruim em fevereiro (37,5). Como o indicador se situou acima dos 50 pontos, isso pode indicar o início de uma retomada na produção chinesa.

Mas ainda é muito pouco. O Brasil precisa estar preparado para uma batalha dificílima contra o pico da pandemia que deve atingir o país nas próximas semanas, ainda que de forma diferenciada de acordo com as diferentes regiões.

Vencida esta batalha – podemos e vamos vencê-la – será necessário um verdadeiro Plano Marshall, como ocorreu após a II Guerra na Europa, para atacar o drama do desemprego.

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