Taxa de desemprego subestima a situação do mercado de trabalho

Updated: Aug 19





O drama do desemprego que já vinha sendo sentido por todos pode agora ser traduzido em números: segundo o IBGE divulgou hoje, a taxa de desemprego saltou de 12,2% para 12,6% entre março e abril. O número de desempregados chegou a 12,8 milhões de pessoas.

A taxa de desocupação no mesmo trimestre ainda é menor do que a maior da série, quando chegou a 13,7% que ocorreu em março de 2017.

O dado de desemprego esconde os sérios problemas no mercado de trabalho. A taxa composta de subutilização, a porcentagem que enfrenta problemas no mercado de trabalho, bateu o recorde da série em 25,6% somando um total de 28,7 milhões de pessoas.


A subutilização compreende o desemprego, a subocupação e o desalento, a situação na qual o indivíduo desiste de procurar trabalho e é considerado tecnicamente fora da força de trabalho.


O desalento também bateu o recorde da série ao somar 5 milhões de pessoas ou 4,7%.


Se comparado aos dados de desemprego de outros países, como nos EUA, onde o número de pedidos de seguro desemprego semanal ainda está acima dos 2 milhões, os números do desemprego no Brasil parecem menores.


Mas a comparação tem que levar em conta o subemprego, captado em parte pela taxa recorde de subutilização de 25,6%. Cerca de metade da força de trabalho se encontra no mercado informal. Para estes trabalhadores, a ocupação desapareceu da noite para o dia.


É o menor nível de ocupação da série histórica, com 51,6% das pessoas em algum tipo de ocupação. Queda de 5,2% em comparação com o trimestre anterior. Isso representa uma queda de 4,9 milhões de pessoas na população ocupada.


O número de pessoas desocupadas não explodiu apenas porque houve crescimento da População Fora da Força de Trabalho em 5,2 milhões. Lembre-se, para contar como desempregado a pessoa tem que estar procurando emprego. Com uma pandemia em que a principal recomendação é ficar em casa, muitas pessoas optam por não procurar emprego imediatamente.


Apenas a administração pública registrou aumento, o que pode ser explicado pela demanda por profissionais da área da saúde para o combate ao coronavírus. Todos os outros segmentos apresentaram queda. Construção, serviços e alojamento e serviços domésticos foram os mais afetados.


Variação do trimestre fev/mar/abr 2019 de pessoas ocupadas por grupamento de atividade



As medidas de preservação do emprego, principalmente as que dependem do mercado de crédito ainda não emplacaram, porém, a reforma trabalhista, além da flexibilização da jornada de trabalho e dos salários, prevista nas MP 927 e 936 também ajudaram a atenuar, pelo menos em parte, o desemprego.


Agora que algumas cidades e estados se preparam para reabrir, é preciso acompanhar a recuperação do mercado de trabalho. Depois da recessão de 2015/16, a recuperação do emprego foi muito lenta. Nesta recessão, muito pior do que a pior das recessões até então, deve deixar sequelas ainda maiores.


Isso mostra a necessidade de um plano massivo de emprego e retreinamento e recolocação, formação de frentes de trabalho, simplificação ainda maior da legislação trabalhista e desoneração da folha de salários.

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