Cinco mitos econômicos da crise do coronavírus

Updated: Aug 17





1. A crise não existe; é criação da mídia convencional

Falso!


As administrações Trump e Bolsonaro foram por aí e quebraram a cara. Na medida em que os casos crescem em progressão geométrica surgem e a população percebe que há um problema real, cai a confiança no discurso oficial o que é péssimo para enfrentar a crise.


2. As quedas nas bolsas e oscilações são fruto da ação de especuladores.

Falso.


Bem-vindos sejam os especuladores! Eles ajudam a estabilizar o mercado! O problema reside na reação da maioria dos investidores diante do desconhecido. A tendência é a de uma súbita elevação da aversão ao risco que provoca desova de ativos mais arriscados em direção a ativos percebidos como de baixo risco.


É curioso que o papel dos especuladores, como já ensinou Friedman há várias décadas, é no sentido de atenuar estas oscilações: compram quando está todo mundo vendendo e vendem quando a torcida do Flamengo está comprando.


3. A desvalorização do Real frente ao dólar vai acabar com a economia, elevando custos e gerando inflação.

Falso!


O Real desvalorizado pode dar fôlego à indústria e às exportações brasileiras ao tornar nossos produtos mais baratos e consequentemente mais competitivos. Como a inflação está baixa e a economia desaquecida o efeito sobre a inflação não é tão forte.


Intervenções pontuais do Banco Central podem e devem ocorrer, mas o dólar em um patamar elevado também tem seu lado positivo e não deve ser visto como um problema.


4. É preciso que o governo elimine o teto de gasto e gaste mais para reaquecer a economia.

Falso!


Proposta de abandonar o teto de gastos é equivocada. Não há o mesmo remédio para todas as economias nacionais. Quem tem contas equilibradas, como alguns países maduros, pode, e deve, estimular a economia. Quem está quebrado, como é o caso do Estado brasileiro precisa continuar a acertar as contas sob pena de elevar o risco país e afugentar investidores.


Em um momento de fuga para ativos de qualidade e horror ao risco no mundo inteiro é preciso garantir que o Brasil seja cada vez menos arriscado e não o contrário.


Para tanto é necessário prosseguir com o ajuste fiscal e não voltar à gastança a pretexto do novo coronavírus.


5. Diante da crise do novo coronavírus, basta acelerar as reformas; é fazer mais do mesmo, com mais determinação

Falso!


Infelizmente equilíbrio fiscal é necessário, mas não suficiente. Situações excepcionais precisam ser tratadas com medidas excepcionais.


Neste momento, é preciso mais do que nunca encontrar mecanismos adequados para estimular o investimento.


A redução do risco regulatório e o permanente estímulo às parcerias público-privadas são fundamentais para aumentar o investimento privado, especialmente nos segmentos de infraestrutura.


A aprovação da PEC Emergencial e várias outras medidas para conter gastos correntes do Estado são essenciais para dar flexibilidade ao orçamento e liberar algum recurso para recuperar o investimento público sem comprometer o equilíbrio fiscal.


Algumas medidas emergenciais também são necessárias para auxiliar as empresas que serão prejudicadas diretamente caso o Brasil entre em “quarentena”. Como é o caso de pequenas e médias empresas de comércio e serviços.

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