Acordo EUA-China é pouco mais do que uma trégua...


A tão esperada assinatura da primeira fase do acordo comercial EUA-China não comoveu o mercado por três razões. Primeiro, “o mercado sobre no boato e desce no fato”. O evento já estava antecipado.


Segundo, trata-se apenas de um começo de acordo comercial que terá de contemplar questões muito mais complexas para de fato estabilizar o relacionamento comercial entre as duas potências.


Terceiro, como qualquer acordo bilateral, há dois efeitos: criação de comércio e desvio de comércio. O segundo efeito em determinados casos pode dominar o primeiro.


Assim, a imposição de compra de produtos dos EUA pela China pode simplesmente desviar comércio; inclusive do Brasil que concorre com os EUA no fornecimento de soja para a China.


O acordo tem três destaques: i) a China se comprometeu a aumentar as importações de bens e serviços americanos em US$200 bi nos próximos dois anos; ii) EUA reduzirá pela metade a alíquota de 15% existente em cerca de US$ 120 bilhões em mercadorias chinesas que foram impostas em 1º de setembro; iii) tanto EUA quanto China se comprometeram a suspender tarifas que seria impostas nos próximos meses.


No entanto, o documento não anula a maior parte das taxas punitivas impostas pelos EUA. Assim, as tarifas de 25% sobre US$250 bi de bens chineses permanecerão inalteradas. As próximas fases devem ocorrer somente após a eleição presidencial americana.


O acordo assinado hoje é um pouco mais do que uma trégua. Essencial nos dias que correm, mas ainda longe de constituir uma base sólida de uma nova ordem comercial.

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