My Items

I'm a title. ​Click here to edit me.

Participação do setor privado é primordial para o salto de investimento no saneamento...

O Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), aprovado em 2013, previa metas de investimento em saneamento básico para os estados. Porém, o estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados apurou, que as metas de investimento entre 2014 e 2018 não foram cumpridas. O novo marco legal do saneamento estipulou metas de acesso a água (99%) e esgoto (90%) até 2033. Os valores de investimentos necessários à universalização pelo PLANSAB não foram atingidos em nenhum ano desde sua edição. Em 2014, ano com maior investimento total em água e esgoto, foram investidos (em valores atualizados) R$ 14,2 bilhões, ou seja, 57% do necessário. Conforme Quadro, apenas Paraná, São Paulo e o Distrito Federal (em verde) investem de acordo com as metas. Na outra ponta, indicado em vermelho, o Amapá precisa aumentar em 18,43 vezes o investimento atual para atingir a meta; o Piauí, 16,36 vezes. Apesar dos indicadores e da evidente falta de recursos estatais, apenas oito estados possuem um plano de PPP ou outras modelagens para buscar investimentos e parcerias privadas: i. Alagoas (Casal), leilão já realizado, CAPEX R$2,6 bilhões; ii. Acre (Depasa); iii. Amapá (Caesa); iv. Rio de Janeiro (Cedae); v. Piauí (apenas Teresina); vi. Ceará – apenas esgoto (Cagece); vii. Mato Grosso do Sul – apenas esgoto (Sanesul), leilão já realizado, CAPEX R$1 bilhão; viii. Espírito Santo – apenas esgoto (Cesan), leilão já realizado, CAPEX R$1,3 bilhão. A delicada situação fiscal da maior parte dos estados e municípios indica que não haverá um aumento no nível de investimentos se depender apenas dos governos subnacionais. Em contrapartida, os leilões ocorridos até agora demonstraram que o setor privado tem apetite para investir no saneamento. Como lembra a frase de autor desconhecido e atribuída a Einstein, “não adianta fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente”. Os estados e os municípios devem aproveitar o incentivo que o novo marco legal dá às parcerias, para alcançar as metas sem depender prioritariamente do orçamento público. Em 2018, último ano para o qual os dados estão disponíveis, foram investidos R$ 13,1 bilhões. A média anual de investimentos dos últimos 5 anos foi de R$ 13,0 bilhões, 53% da meta do PLANSAB, de R$ 24,9 bilhões anuais. Segundo estudo da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), considerando os investimentos entre 2014 e 2018, para chegar aos indicadores previstos no novo marco legal, o Brasil precisaria quase triplicar as inversões entre 2019 e 2033, um valor médio de R$ 34 bilhões/ano.

Como as eleições municipais podem afetar os investimentos em parcerias e concessões...

O segundo turno das eleições municipais do dia 29 de novembro merece atenção em algumas capitais. Projetos de PPP e concessões podem ser postergados ou acelerados a depender do candidato eleito. O quadro 1 indica os projetos de PPP e concessão e em vermelho os candidatos que já se posicionaram contra as PPPs e concessões e em verde aqueles que sinalizaram implementar ou continuar as concessões. Das três capitais que têm visões antagônicas sobre o tema, merece atenção a cidade de Belém, que ainda não teve pesquisa de segundo turno, mas o candidato contrário às concessões foi o único das três capitais a ser primeiro colocado no primeiro turno. Fonte: São Paulo: pesquisa Datafolha; Porto Alegre: Paraná Pesquisa; Belém: TSE (resultado do primeiro turno). Sites de unidades de parcerias das prefeituras analisadas. O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... i. A divulgação de dados do emprego formal para o mês de outubro na quinta e da taxa de desemprego para o 3º trimestre na sexta devem ser os principais assuntos da próxima semana. A tendência de aumento no desemprego deve continuar dado que a taxa de desemprego oficial subestima o número real, de 23,1% segundo cálculos da GO Associados; ii. A Black Friday, uma das datas mais importantes para o comércio no ano ocorre na próxima semana, no dia 27. Apesar do contexto de pandemia, a Confederação Nacional do Comércio espera crescimento real de 1,8% nas vendas, movimentando um total de R$3,74 bilhões. O E-commerce deve crescer 61,4% na comparação com 2019. iii. Na Câmara dos Deputados, havia previsão de votação da BR do Mar. Porém, os parlamentares foram dispensados para se dedicarem ao segundo turno das eleições municipais. O projeto que estabelece novas regras para a cabotagem tem enfrentado resistência de parlamentares da Região Norte e de caminhoneiros. iv. A demora na formação da Comissão Mista Orçamentária (CMO) alimenta o temor de paralisação da máquina pública no início de 2021. Em anos normais a LDO seria aprovada até o recesso de meio de ano e no 2º semestre seria discutida a LOA (Lei Orçamentária Anual). Caso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não seja aprovada até o fim do ano, não há a liberação nem de 1/12 do orçamento total por mês, como prevê a Constituição. v. Na terça será divulgado o IPCA-15. A projeção da GO Associados é de 0,65%. O resultado não deve alterar a perspectiva de política monetária dado que as projeções se encontram próximas da meta para 2021. · No contexto internacional: vi. As boas notícias em relação a vacina e as más notícias em relação a 2ª onda da Covid-19 devem continuar a causar volatilidade no mercado. Há o temor de que o feriado de Ação de Graças nos EUA na quinta possa acelerar ainda mais a contaminação pelo novo coronavírus. vii. Os efeitos da 2ª onda sobre a atividade devem ser observados na segunda-feira com a divulgação das prévias dos Índices de Compras dos Gerentes (PMIs) para o mês de novembro para a Europa e EUA. Espera-se uma desaceleração na retomada nestas economias, mas com um efeito menor comparativa à 1ª onda.

Terminou o período de inflação muito abaixo da meta, reduzindo o espaço da política de taxa de juros

Dança dos índices estreita ainda mais a margem de manobra para a administração do orçamento de 2021. · Uma soma de fatores está contribuindo para acelerar a alta dos preços, e devem continuar até meados de 2021: o o Estoques baixos o Demanda externa elevada o Retomada da demanda interna o Real desvalorizado o Condições climáticas adversas (La Ninã) o Delicada situação fiscal · A GO Associados projeta o IPCA para 2021 ligeiramente acima da meta, mas ainda dentro do intervalo estabelecido: 3,75% (meta) < 3,8% (projeção) < 5,25% (teto da meta) · Os dois principais índices de inflação, o IPCA e o IGP-M, estão acelerando na segunda metade de 2020. · No IGP-M os preços aos produtores têm maior peso (60%). Neste caso, o preço das matérias-primas cotadas em dólar e o aumento de algumas matérias-primas com a retomada chinesa fizeram o índice disparar. · O IGP-M deve fechar 2020 acima dos 22%. Entre janeiro e outubro o indicador está em 18,1%. · No médio prazo, o câmbio desvalorizado, a forte demanda chinesa e fatores climáticos (“La Nina”) devem continuar pressionando os preços. · O IPCA tem refletido o grau de aquecimento da economia desacelerou, chegando a ficar negativo entre abril e maior retomando a partir de maio com a retomada da atividade econômica. Fonte: IGBE e Ibre - FGV. Elaboração GO Associados · O grupo alimentação acumula alta de 9,37% até outubro, já superando a marca de 6,37% obtida em todo 2019. · Uma inflação concentrada em alimentos afeta as famílias mais pobres que gastam mais em alimentação. · Além disso, há um efeito fiscal. A discrepância de comportamento entre o IPCA e o INPC fará com que o teto de gasto seja corrigido por um índice que cresce menos (IPCA) e itens relevantes de despesas por um índice que cresce mais rapidamente (INPC). · O salário-mínimo, além de outros gastos fiscais, é corrigido pelo INPC, índice que usa uma cesta de produtos representativa para famílias com renda entre 1 a 5 salários-mínimos e não pelo IPCA, que aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários-mínimos. · Enquanto o INPC acumula alta de 2,95%, o IPCA registra expansão de 2,22%. Na proposta de orçamento para 2021 enviada ao Congresso o teto de gastos foi corrigido por uma inflação de 2,13%, contra uma expectativa de um INPC de 2,09%. · No entanto, se o INPC ficar em 3% neste ano (0,91 ponto percentual acima do que foi previsto), as despesas obrigatórias aumentarão R$ 6,99 bilhões em relação ao projetado na proposta enviada em agosto ao Congresso Nacional. · Assim, as despesas discricionárias terão de ser reduzidas para cerca de R$ 80 bi, patamar considerado por muitos insuficiente, o que geraria um “shutdown” na administração federal. · Na última ata do Copom, o Banco Central estimou que os preços administrados devem se recuperar em 2021 e subir 5,1%. Considerando a meta de 3,75%, o espaço para os preços livres é limitado, de 3,3%.

Choque dos alimentos continua acelerando a inflação, mas ainda não ameaça tx de juros de 2% em 2020

O IPCA de outubro registrou alta de 0,86%, 0,24 p.p. mais alto que setembro. O valor foi o maior para o mês de outubro desde 2002. A projeção da GO Associados era de uma alta de 0,89% e a do mercado era 0,83%. O item alimentação e bebidas subiu 1,93%, uma variação menor do que a observada em setembro (2,28%). O arroz e o óleo de soja, que foram manchete pela sua subida nos preços nos meses de agosto e setembro. A elevação foi menor neste mês (13,36% e 17,44%, respectivamente). Em setembro, o óleo de soja havia aumentado 27,54%. O IPCA acumula alta de 3,92% nos últimos 12 meses e 2,22% em 2020. Alguns itens que compõem o IPCA ainda estão sofrendo os efeitos da pandemia, como é o caso da educação. A paralisação das aulas presenciais, as escolas e universidades optaram por conceder descontos em vez de abrir mão dos alunos. A alta dos preços identificada nos principais indicadores de inflação tem relação com um choque em alguns itens da cesta básica e da retomada da atividade. A expectativa da GO Associados é de que o IPCA feche 2020 em 3,2%. O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... i. O principal assunto da próxima semana deve continuar sendo eleição dos EUA. A provável eleição de Biden sem a ocorrência de uma “onda azul” fez com que os mercados iniciassem uma forte subida. Resta saber a duração desta reação e o efeito das acusações de Trump de fraude nas eleições; ii. A segunda onda do novo coronavírus continua a trazer incerteza. Itália e Reino Unido anunciaram novos lockdowns. A situação dos EUA também começa a chamar atenção com o número de novos casos batendo recordes em um patamar superior ao de 100 mil novos casos diários. iii. Para a economia brasileira os destaques da próxima semana são os indicadores de atividade de setembro. Na quarta será o varejo, na quinta o setor de serviços e na sexta a “prévia do PIB” publicada pelo Banco Central. Após essa bateria de resultados será possível ter uma noção do PIB do 3º trimestre. A projeção da GO Associados é de crescimento de 6,6% em relação ao 2º tri.. Atualizaremos ao longo da semana o Mapa de Calor da economia brasileira da GO Associados., mostrando como se encontra a recuperação no país. iv. No Legislativo, não haverá sessões no Congresso pela proximidade das eleições municipais. As sessões devem voltar apenas na terça pós-eleições, dia 17.

A segunda onda da pandemia pode mudar (mais uma vez) as perspectivas econômicas...

As medidas para evitar a propagação do novo coronavírus refletiram na economia. Somente a China deverá crescer em 2020 e bem abaixo de seu padrão chinês. Fonte: Outlook do FMI. Para a economia, o isolamento social menos rígido no Brasil é um dos motivos das projeções de queda no PIB em 2020 serem revisadas positivamente. A projeção de queda do PIB no boletim Focus chegou a 6,54% no dia 29 de julho (o recorde diário de novos casos de Covid 19). Agora, o mercado projeta uma queda de 4,84% em 2020. Apesar da atual retomada da economia brasileira, a preocupação de uma segunda onda na Europa que leve a novos fechamentos começa a afetar o mercado internacional e impactar o Brasil também. Ontem o Dax fechou em queda de 3,71% e as outras bolsas do continente também caíram de forma semelhante. Os casos de coronavírus na Europa estão em forte aceleração até mesmo em relação aos Estados Unidos. Felizmente a taxa de letalidade caiu, mas o setor de serviços começa a sentir os efeitos de nova desaceleração da atividade. Fonte: WorldoMeters A crise do novo coronavírus era impossível de se prever no início de 2020 e uma segunda onda pode mostrar que a retomada será mais demorada do que o esperado. Observando a distribuição de erros de previsões do PIB do Brasil, um erro de previsão maior ou igual à magnitude do ocorrido no 2º trimestre de 2020 possuía apenas 0,01% de chance de ocorrer. Este erro foi o maior da história. Para a economia mundial a única certeza que é que o grau de incerteza sobre a dimensão do impacto da Covid 19 ainda é grande.

Pesquisa Focus: inflação a 3% não deve mudar perspectiva da política monetária...

A Pesquisa Focus divulgada hoje pelo Banco Central mostra que a projeção para a inflação continua sendo revisada para cima. Enquanto para o IPCA a expectativa passou de 2,65% para 2,99%, na 11ª revisão consecutiva, no IGP-M a mudança foi de 17,15% para 19,72%, a 15ª revisão seguida. Apesar das revisões para os índices de preço, não há perspectivas de mudança para a política monetária. O Copom deve manter a taxa de juros a 2% até o fim do ano. A projeção de inflação continua abaixo da meta de 4% para 2020. Nas projeções de 2021 tanto o IPCA (de 3,02% para 3,1%) quanto o IGP-M (de 4,3% para 4,32%) foram revisados para cima. Entretanto, esse movimento não altera a expectativa de que o centro da meta só volte a ser alcançado em 2022. Chama a atenção a nova projeção de crescimento em 2020: passou de -5% para -4,81%. Para 2021 o consenso do mercado passou de 3,47% para 3,42%.

Resultado da eleição dos EUA: possível impasse jurídico é o principal ponto de atenção...

As eleições dos EUA seguem para a reta final com aparente vantagem para o candidato democrata Joe Biden. Entretanto, a disputa nos “swing states” continua acirrada, recomendando cautela nas projeções. O maior receio do mercado é na verdade um possível impasse judicial na disputa em caso de vitória apertada. Este temor ocorre porque Donald Trump tem levantado suspeita sobre fraude no sistema de voto pelos correios. Até ontem, 41 milhões de votos já haviam sido antecipados. Nessa mesma época em 2016, o número dos que já haviam votado era de 5,9 milhões de eleitores. (no total 57,2 milhões votaram antes do dia das eleições). A maior mudança na macroeconomia dos EUA ocorrerá caso Joe Biden vença e os democratas assumam o controle das duas casas legislativas. Isso pode significar maior facilidade para a aprovação de pacotes de recuperação da economia dos EUA. Mas pode alterar a expectativa de baixa taxa de inflação e juros no país. Joe Biden também já sinalizou que caso vença irá alterar a política de redução de impostos das empresas e dos mais ricos, o que deve ter impacto negativo no mercado de ações. Do ponto de vista econômico, é provável que não existam tantas alterações nas relações Brasil e EUA, mesmo com uma vitória Democrata. O maior ponto de atenção deve ser a questão ambiental. No último debate entre os candidatos, o Democrata citou os problemas de desmatamento no Brasil para criticar a política ambiental do governo Trump. É possível que em caso de vitória do Biden, os EUA mudem o discurso em direção a medidas de proteção à floresta amazônica. Isso poderia distanciar o relacionamento entre os presidentes dos dois países a exemplo do que ocorreu no governo de Dilma Rousseff em virtude do episódio de suposto grampeamento de autoridades brasileiras por agência dos EUA. O candidato do partido Democrata propõe um investimento de US$ 2 trilhões e energia verde, bem como quer fazer os EUA voltarem ao acordo de Paris, comprometendo-se a alcançar 100% de energia limpa até 2050. No programa de governo de Joe Biden, a China continuará sendo o principal alvo da política externa dos EUA.

Resultado do leilão para a PPP de saneamento em Cariacica/ES confirma grande apetite de investimento

O resultado do leilão, com sete consórcios participantes e um deságio da proposta vencedora de 38% confirmou grande interesse no saneamento, especialmente depois da aprovação no do novo marco do setor pela Lei 14.026/20 aprovada em julho e cujos vetos presidenciais ainda serão apreciados pelo Congresso. Em 30 de setembro ocorreu o leilão do saneamento de Maceió/AL, com seis consórcios participantes; a oferta vencedora foi de R$2 bilhões e um ágio de 13.182%. Hoje foi o leilão da Parceria Público-Privada (PPP) para o serviço de esgotamento no município de Cariacica/ES. O prazo da PPP será de 30 anos e o critério de seleção no leilão foi menor valor, em R$/m³, do esgoto tratado. O Consórcio vencedor foi da AEGEA, com oferta de R$0,99 - deságio de -38,12%. Participaram sete consórcios: O regime prevê o estabelecimento de Parceria Público-Privada (PPP) para universalização do esgotamento sanitário do Município de Cariacica, e parte do Município de Viana, atendendo mais de 420 mil pessoas. As metas propostas no projeto preveem um aumento na cobertura de coleta de esgoto de 35,5% para 95% e de tratamento de esgoto de 84,3% para 100% do esgoto coletado. Tais índices de cobertura devem ser atingidos até o décimo ano do contrato, com investimento da ordem de R$ 1,3 bilhão. Na próxima sexta-feira, 23/10, acontece o leilão dos serviços de esgotamento sanitário da Sanesul, que prevê a universalização dos sistemas de esgotamento sanitário dos 68 municípios atendidos pela companhia em 10 anos. A licitação será pelo menor preço unitário de esgoto e os investimentos previstos são de R$ 1 bilhão.

O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana...

• i. O principal assunto da próxima semana será a divulgação do PIB chinês referente ao 3º tri. no domingo. A expectativa do mercado é que a China apresente crescimento de 3,2% em relação ao 2º tri. e de 5,2% em relação ao 3º tri. de 2019. • ii. Após ter o segundo debate cancelado, o último debate entre os candidatos a presidente dos EUA deve ocorrer na quinta, 22, em Nashville. É esperado que Trump continue sua postura agressiva buscando recuperação nas pesquisas. As eleições nos EUA ocorrem dia 3 de novembro. O mercado continua atento à ocorrência ou não de um contencioso jurídico sobre o resultado das eleições. • iii. Na sexta as prévias dos Índices de Compras dos Gerentes (PMI) para os Estados Unidos e países da Europa devem dar uma noção do desempenho da economia mundial. Os indicadores da Europa devem mostrar queda da atividade econômica causada pela segunda onda de Covid-19. • iv. No Brasil a aceleração dos preços deverá chamar a atenção novamente, com o IPCA-15, divulgado na sexta, 23. A projeção da GO Associados é de 0,78%. • v. Outro evento que deve chamar atenção é a sabatina do primeiro indicado de Bolsonaro ao STF, Kassio Marques, no Senado na quarta-feira. Será importante observar a opinião sobre temas econômicos do provável novo membro do STF.

Setor de serviços continua se recuperando em U em virtude do medo do vírus

A recuperação dos serviços continua a mais lenta dentre os setores da economia. A pesquisa Mensal dos Serviços de agosto registrou alta 2,9% acima do esperado pelo mercado (2,3%) e da projeção da GO Associados, 2,5%. Na comparação com agosto de 2019, o setor de serviços caiu 10%. A recuperação no setor de serviços é importante para o mercado de trabalho, pois o setor representa 47,4% do trabalho formal segundo dados do Caged. Apesar de não estar mais no pico de casos e mortes por Covid 19 não é possível afirmar que o Brasil controlou a pandemia mesmo com a flexibilização do isolamento. Serviços prestados às famílias, principalmente os de alojamento e alimentação, são os que mais sofrem por este medo do vírus. Apesar de ter subido 33,3% em agosto, ainda está 43,8% abaixo do registrado no ano anterior. No índice acumulado do ano, a queda é de 9% e de 5,3% nos últimos 12 meses. Comparado ao mês anterior, quatro dos cinco setores de serviços cresceram; apenas serviços de comunicação caíram (-1,4%). O Índice de Atividade de Turismo mostra também o quanto falta para a recuperação: o índice registrou uma queda acumulada de 68% em março e abril. Mesmo com crescimento de 63,4% entre maio e agosto o setor ainda está 47,7% abaixo do nível de fevereiro. O receio de sair para jantar fora ou ir a um evento ainda faz com que muitas pessoas prefiram ficar em casa e consumir produtos em vez de serviços.

Resultado d hoje do IPCA indica q inflação acelera 0,64% em setembro, mas não afeta a pol. monetária

A alta dos preços deve ser temporária e não muda a expectativa de manutenção da taxa básica de juros no atual patamar de 2%. O IPCA de setembro registrou alta de 0,64% em agosto, 0,40 p.p. mais alto que agosto. O valor foi o maior para o mês de setembro desde 2003. A projeção da GO Associados era de uma alta de 0,60% e a do mercado era 0,54%. O item alimentação e bebidas subiu 2,28% em agosto. O arroz, que foi manchete pela sua subida nos preços registrou aumento de 17,98%. Outro grande vilão foi o óleo de soja que aumento 27,54%. As maiores contribuições da alta no índice foram alimentação, seguida por artigos de residência. Em 2020 o IPCA acumula alta de 1,34% e 3,14% nos últimos 12 meses. A alta no preço dos alimentos observada agora é consequência de um conjunto de fatores: como a alta do dólar, o aumento das exportações e problemas de oferta. Por outro lado, alguns itens que compõem o IPCA ainda estão sofrendo os efeitos da pandemia, como é o caso da educação. A paralisação das aulas presenciais, as escolas e universidades optaram por conceder descontos em vez de mão dos alunos. Outro indicador de preços divulgado hoje também acelerou, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), teve a maior alta desde julho de 2013 e ficou em 1,44% em setembro. A alta dos preços identificada nos principais indicadores de inflação tem uma relação com a volta da atividade econômica. A Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem, indica que as vendas no varejo superaram o patamar pré-crise e alguns segmentos do comércio tiveram um volume de vendas maior do que no mesmo período de 2019 como a venda de materiais de construção. O aquecimento da economia estimula a alta dos preços que deve ser pontual. Além disso, enquanto o comércio mostra recuperação, o setor de serviços ainda sofre para retomar as atividades, indicando uma possível alteração do padrão de consumo, podendo encarecer alguns segmentos, mas baratear outros.

Orçamento de guerra foi medida importante, mas não pode transformar a Covid na Guerra dos cem anos..

A pandemia e seus efeitos econômicos devem chegar a 2021, mas o governo não pode usar isto como escudo para evitar de se fazer o necessário: avançar nas reformas e aprovar medidas de cortes de gastos como a PEC Emergencial e a reforma administrativa. O governo planeja incluir uma emenda na PEC do Orçamento de Guerra para postergar até 2021 a suspensão. A medida suspenderia a necessidade de cumprir uma meta fiscal por mais um ano. Em 2020 a projeção é que o governo tenha um déficit fiscal de R$ 866,4 bilhões, a meta para 2020 que foi suspensa era de R$124 bilhões. Não retomar a meta fiscal e continuar o Orçamento de Guerra em 2021 pode custar uma elevação da taxa de juros e o aumento da desconfiança do mercado quanto condução da política econômica. Uma das maiores missões do governo em 2020 era o de evitar que o aumento pontual de gastos tivesse como consequência uma elevação permanente de despesas.

Receba nossos conteúdos!
  • Twitter - Black Circle
  • Spotify - Black Circle
  • YouTube - Black Circle
  • LinkedIn - Black Circle
  • Facebook - Black Circle