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Prisão de deputado bolsonarista não deve afetar o mercado...

Outro fator que pode afetar as expectativas é a polêmica em torno do deputado Daniel Silveira (PSL/RJ), um deputado bastante alinhado com o governo Bolsonaro, porém sem grande influência no Congresso. Apesar do episódio dominar o debate político, os desdobramentos até agora indicam que não é motivo para preocupação do mercado. Após ameaçar e ofender os ministros do Supremo Tribunal Federal, o deputado foi preso por ordem do Ministro Alexandre de Moraes. O debate sobre os trâmites legais para a prisão de um deputado pode ser considerada o primeiro grande teste da gestão Arthur Lira na Câmara dos Deputados. Até agora, os líderes dos três poderes adotaram uma postura serena, evitando uma crise institucional.

Alta no preço das commodities leva segunda prévia do IGP-M próxima de 30% em 12 meses...

Apesar da projeção do Boletim Focus ser de 6,97% para o IGP-M em 2021 a GO Associados acredita que novamente o índice deve superar os dois dígitos. A segunda prévia do IGP-M de fevereiro, 2,29%, indica que os preços no principal índice de reajuste do aluguel vão permanecer em um patamar elevado. No acumulado de 12 meses o índice passou de 25,46% para 28,64%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) representa 60% do IGP-M e variou 2,98% em fevereiro. A alta no preço das commodities são os principais responsáveis pela alta, com destaque para o minério de ferro (4,41%) e a soja (5,89%). O câmbio também exerce influência sobre o indicador, pois o real desvalorizado deixa as commodities cotadas em dólar mais caras.

Concessões rodoviárias são fundamentais para a economia em 2021 e sempre...

Avançar na concessão de rodovias é fundamental para ajudar a resolver os problemas da malha viária brasileira. Melhores estradas reduzem os custos de manutenção dos caminhões e dos fretes, além de reduzir o número de acidentes. Em 2019, 5.332 pessoas morreram em acidentes em rodovias federais. O transporte rodoviário é responsável por 60% do transporte de cargas no Brasil. Segundo a Confederação Nacional dos Transportes, apenas 12,1% das rodovias são pavimentadas e 59% das rodovias pavimentadas apresentam algum problema, como curvas perigosas, ausência de faixa adicional ou acostamento, entre outros. O investimento do governo federal em rodovias previsto para 2019 foi de R$6,2 bilhões, um valor quase três vezes menor do que o montante que a CNT considera necessário, de 15,8 bilhões. A falta de recursos e a qualidade das estradas administradas pelo estado contrasta com a melhor gestão e qualidade das estradas sob concessão. Segundo a CNT, as dez melhores rodovias estão sob gestão privada; 74,4% das rodovias sob gestão privada foram consideradas boas ou ótimas, contra 29,6% daquelas sob gestão pública. Em 2019, nenhuma das 10 piores rodovias era operada por um consórcio ou empresa privada. · O contrato de concessão de uma das rodovias mais importantes do Brasil, a Via Dutra, vence em fevereiro. A expectativa é de um novo leilão ainda no primeiro semestre de 2021. Os critérios do leilão serão: o Concessão comum, com critério de julgamento de maior valor de outorga (permite que players com maior capacidade econômica apresentem propostas melhores); Investimentos (CAPEX) previsto em R$15 bi e Custos operacionais (OPEX) em R$ 25 bi; Dentro do contrato está previsto o acordo Tripartite - ou seja, o financiador passa a ter uma participação maior sobre a gestão do projeto - dando maior segurança ao cumprimento das metas estabelecidas pelo edital; e reduzindo o custo do financiamento. A proposta enviada ao TCU prevê concessão de 625,8 quilômetros. Dentre as principais intervenções do projeto está a implantação da nova subida para Serra das Araras, na BR-116/RJ. A nova concessão será de 30 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 30. Dentre os projetos qualificados pelo PPI, a soma dos investimentos previstos dos projetos mais prováveis é de R$ 32,2 bilhões, conforme quadro.

DESAFIOS CONCORRENCIAIS NO MERCADO DE APLICATIVOS PARA PEDISOS DE COMIDA ON LINE...

A economia do século XXI depende dos rumos dos mercados digitais – podem continuar sendo disruptivos e inovadores, ou terminarem dominados por poucas empresas, cujas práticas anticompetitivas sufocam frequentemente o mesmo espírito inovador que estava na origem de sua criação. A literatura sugere que as plataformas digitais começam com elevado grau de concorrência, mas tendem à concentração em virtude de elevadas economias de escala, escopo, externalidades de rede, entre outros fatores. Tais mercados são chamados de tipping markets, e descreve estruturas cujas características são de alta concorrência em um momento inicial, seguidos de uma monopolização em razão dos ganhos em escala e efeitos de rede. Isso requer particular atenção das autoridades de defesa da concorrência, estimulando a rivalidade entre diferentes plataformas e o acesso a entrantes. Na mesma direção, é preciso evitar mecanismos artificiais de elevação de barreiras à entrada como contratos de exclusividade generalizados pela empresa dominante. No mercado relevante de pedidos de comida online no Brasil tais características têm sido encontradas. Isso ocorre em uma conjuntura macroeconômica particularmente desfavorável para o setor de bares e restaurantes em virtude da crise sanitária. Este foi um dos segmentos mais afetados pelas medidas de isolamento social e tem registrado elevada taxa de falência. A exemplo daquilo que ocorre em jurisdições mais maduras, as autoridades de concorrência deveriam atentar para a urgência de medidas que coíbam abusos de poder de mercado de empresas dominantes em mercados digitais.

Banco Central muda projeção para 2020 de -5% para -4,4%, projeção para 2021 é de 3,8%...

O relatório trimestral de inflação do Banco Central revisou a projeção do PIB para 2020, de -5,0% para -4,4%. A projeção para 2021 caiu 0,1 p.p. para 3,8%. Na comparação com as projeções do Ministério da Economia (queda 4,5% em 20 e alta de 3,2% em 21) o Banco Central está mais otimista tanto para 2020, quanto para 2021. A revisão da projeção é justificada pela retomada da atividade econômica, que ocorre de forma diferenciada nos vários setores. Em alguns casos, vem surpreendendo positivamente, como no setor de comércio, por exemplo. Apesar da incerteza e de uma segunda onda de casos de Covid 19, o Relatório destaca que a possibilidade de iniciar a vacinação já no começo de 2021 como um ponto de otimismo para a economia no próximo ano. Apesar da recuperação acima do esperado nos meses iniciais da pandemia, os setores não estão retomando as atividades de maneira homogênea. O gráfico 1 do Relatório ilustra como os serviços prestados as famílias tiveram uma queda muito maior no faturamento e uma recuperação mais lenta, se comparado aos outros setores. Fonte: Relatório trimestral de inflação do Banco Central. Enquanto mercados e farmácias permaneceram abertos, os bares, restaurantes, teatros e cinemas tiveram de fechar nos primeiros meses da pandemia e ainda não puderam retomar as atividades operando com toda a capacidade. Tal retomada só irá ocorrer quando a pandemia estiver controlada, com a imunização da população.

Varejo surpreende positivamente. Crescimento de 0,9%, acima da expectativa do mercado (-0,2%)...

O volume de vendas do varejo cresceu 0,9% em outubro comparado a setembro. Em relação a outubro do ano passado, a expansão foi de 8,3%. Em agosto o comércio havia superado seu patamar histórico. O resultado indica uma forte recuperação do comércio como mostra o Mapa de Calor da economia brasileira da GO Associados, em 2020 o volume de vendas acumulado é de 0,9%. O comércio varejista ampliado, que inclui a venda de materiais de construção e de carros, motos e peças, sofreu mais com a pandemia, com a venda de carros acumulando queda de cerca de 30% em março/abril. Este ramo ainda acumula perdas de 2,6% entre janeiro e outubro. O ritmo acelerado de recuperação do comércio não é uniforme. Alguns setores como “materiais de construção” e “móveis e eletrodomésticos” acumulam altas no ano, puxando a recuperação. Pequenas reformas nos domicílios e a necessidade de adequação ao home office ajudaram a impulsionar estes setores. Enquanto isso alguns setores como “tecidos, vestuário e calçados” se recuperam de forma mais lenta. Este setor acumula perdas de 27,6% no ano.

Participação do setor privado é primordial para o salto de investimento no saneamento...

O Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), aprovado em 2013, previa metas de investimento em saneamento básico para os estados. Porém, o estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados apurou, que as metas de investimento entre 2014 e 2018 não foram cumpridas. O novo marco legal do saneamento estipulou metas de acesso a água (99%) e esgoto (90%) até 2033. Os valores de investimentos necessários à universalização pelo PLANSAB não foram atingidos em nenhum ano desde sua edição. Em 2014, ano com maior investimento total em água e esgoto, foram investidos (em valores atualizados) R$ 14,2 bilhões, ou seja, 57% do necessário. Conforme Quadro, apenas Paraná, São Paulo e o Distrito Federal (em verde) investem de acordo com as metas. Na outra ponta, indicado em vermelho, o Amapá precisa aumentar em 18,43 vezes o investimento atual para atingir a meta; o Piauí, 16,36 vezes. Apesar dos indicadores e da evidente falta de recursos estatais, apenas oito estados possuem um plano de PPP ou outras modelagens para buscar investimentos e parcerias privadas: i. Alagoas (Casal), leilão já realizado, CAPEX R$2,6 bilhões; ii. Acre (Depasa); iii. Amapá (Caesa); iv. Rio de Janeiro (Cedae); v. Piauí (apenas Teresina); vi. Ceará – apenas esgoto (Cagece); vii. Mato Grosso do Sul – apenas esgoto (Sanesul), leilão já realizado, CAPEX R$1 bilhão; viii. Espírito Santo – apenas esgoto (Cesan), leilão já realizado, CAPEX R$1,3 bilhão. A delicada situação fiscal da maior parte dos estados e municípios indica que não haverá um aumento no nível de investimentos se depender apenas dos governos subnacionais. Em contrapartida, os leilões ocorridos até agora demonstraram que o setor privado tem apetite para investir no saneamento. Como lembra a frase de autor desconhecido e atribuída a Einstein, “não adianta fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente”. Os estados e os municípios devem aproveitar o incentivo que o novo marco legal dá às parcerias, para alcançar as metas sem depender prioritariamente do orçamento público. Em 2018, último ano para o qual os dados estão disponíveis, foram investidos R$ 13,1 bilhões. A média anual de investimentos dos últimos 5 anos foi de R$ 13,0 bilhões, 53% da meta do PLANSAB, de R$ 24,9 bilhões anuais. Segundo estudo da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), considerando os investimentos entre 2014 e 2018, para chegar aos indicadores previstos no novo marco legal, o Brasil precisaria quase triplicar as inversões entre 2019 e 2033, um valor médio de R$ 34 bilhões/ano.

Como as eleições municipais podem afetar os investimentos em parcerias e concessões...

O segundo turno das eleições municipais do dia 29 de novembro merece atenção em algumas capitais. Projetos de PPP e concessões podem ser postergados ou acelerados a depender do candidato eleito. O quadro 1 indica os projetos de PPP e concessão e em vermelho os candidatos que já se posicionaram contra as PPPs e concessões e em verde aqueles que sinalizaram implementar ou continuar as concessões. Das três capitais que têm visões antagônicas sobre o tema, merece atenção a cidade de Belém, que ainda não teve pesquisa de segundo turno, mas o candidato contrário às concessões foi o único das três capitais a ser primeiro colocado no primeiro turno. Fonte: São Paulo: pesquisa Datafolha; Porto Alegre: Paraná Pesquisa; Belém: TSE (resultado do primeiro turno). Sites de unidades de parcerias das prefeituras analisadas. O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... i. A divulgação de dados do emprego formal para o mês de outubro na quinta e da taxa de desemprego para o 3º trimestre na sexta devem ser os principais assuntos da próxima semana. A tendência de aumento no desemprego deve continuar dado que a taxa de desemprego oficial subestima o número real, de 23,1% segundo cálculos da GO Associados; ii. A Black Friday, uma das datas mais importantes para o comércio no ano ocorre na próxima semana, no dia 27. Apesar do contexto de pandemia, a Confederação Nacional do Comércio espera crescimento real de 1,8% nas vendas, movimentando um total de R$3,74 bilhões. O E-commerce deve crescer 61,4% na comparação com 2019. iii. Na Câmara dos Deputados, havia previsão de votação da BR do Mar. Porém, os parlamentares foram dispensados para se dedicarem ao segundo turno das eleições municipais. O projeto que estabelece novas regras para a cabotagem tem enfrentado resistência de parlamentares da Região Norte e de caminhoneiros. iv. A demora na formação da Comissão Mista Orçamentária (CMO) alimenta o temor de paralisação da máquina pública no início de 2021. Em anos normais a LDO seria aprovada até o recesso de meio de ano e no 2º semestre seria discutida a LOA (Lei Orçamentária Anual). Caso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não seja aprovada até o fim do ano, não há a liberação nem de 1/12 do orçamento total por mês, como prevê a Constituição. v. Na terça será divulgado o IPCA-15. A projeção da GO Associados é de 0,65%. O resultado não deve alterar a perspectiva de política monetária dado que as projeções se encontram próximas da meta para 2021. · No contexto internacional: vi. As boas notícias em relação a vacina e as más notícias em relação a 2ª onda da Covid-19 devem continuar a causar volatilidade no mercado. Há o temor de que o feriado de Ação de Graças nos EUA na quinta possa acelerar ainda mais a contaminação pelo novo coronavírus. vii. Os efeitos da 2ª onda sobre a atividade devem ser observados na segunda-feira com a divulgação das prévias dos Índices de Compras dos Gerentes (PMIs) para o mês de novembro para a Europa e EUA. Espera-se uma desaceleração na retomada nestas economias, mas com um efeito menor comparativa à 1ª onda.

Terminou o período de inflação muito abaixo da meta, reduzindo o espaço da política de taxa de juros

Dança dos índices estreita ainda mais a margem de manobra para a administração do orçamento de 2021. · Uma soma de fatores está contribuindo para acelerar a alta dos preços, e devem continuar até meados de 2021: o o Estoques baixos o Demanda externa elevada o Retomada da demanda interna o Real desvalorizado o Condições climáticas adversas (La Ninã) o Delicada situação fiscal · A GO Associados projeta o IPCA para 2021 ligeiramente acima da meta, mas ainda dentro do intervalo estabelecido: 3,75% (meta) < 3,8% (projeção) < 5,25% (teto da meta) · Os dois principais índices de inflação, o IPCA e o IGP-M, estão acelerando na segunda metade de 2020. · No IGP-M os preços aos produtores têm maior peso (60%). Neste caso, o preço das matérias-primas cotadas em dólar e o aumento de algumas matérias-primas com a retomada chinesa fizeram o índice disparar. · O IGP-M deve fechar 2020 acima dos 22%. Entre janeiro e outubro o indicador está em 18,1%. · No médio prazo, o câmbio desvalorizado, a forte demanda chinesa e fatores climáticos (“La Nina”) devem continuar pressionando os preços. · O IPCA tem refletido o grau de aquecimento da economia desacelerou, chegando a ficar negativo entre abril e maior retomando a partir de maio com a retomada da atividade econômica. Fonte: IGBE e Ibre - FGV. Elaboração GO Associados · O grupo alimentação acumula alta de 9,37% até outubro, já superando a marca de 6,37% obtida em todo 2019. · Uma inflação concentrada em alimentos afeta as famílias mais pobres que gastam mais em alimentação. · Além disso, há um efeito fiscal. A discrepância de comportamento entre o IPCA e o INPC fará com que o teto de gasto seja corrigido por um índice que cresce menos (IPCA) e itens relevantes de despesas por um índice que cresce mais rapidamente (INPC). · O salário-mínimo, além de outros gastos fiscais, é corrigido pelo INPC, índice que usa uma cesta de produtos representativa para famílias com renda entre 1 a 5 salários-mínimos e não pelo IPCA, que aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários-mínimos. · Enquanto o INPC acumula alta de 2,95%, o IPCA registra expansão de 2,22%. Na proposta de orçamento para 2021 enviada ao Congresso o teto de gastos foi corrigido por uma inflação de 2,13%, contra uma expectativa de um INPC de 2,09%. · No entanto, se o INPC ficar em 3% neste ano (0,91 ponto percentual acima do que foi previsto), as despesas obrigatórias aumentarão R$ 6,99 bilhões em relação ao projetado na proposta enviada em agosto ao Congresso Nacional. · Assim, as despesas discricionárias terão de ser reduzidas para cerca de R$ 80 bi, patamar considerado por muitos insuficiente, o que geraria um “shutdown” na administração federal. · Na última ata do Copom, o Banco Central estimou que os preços administrados devem se recuperar em 2021 e subir 5,1%. Considerando a meta de 3,75%, o espaço para os preços livres é limitado, de 3,3%.

Choque dos alimentos continua acelerando a inflação, mas ainda não ameaça tx de juros de 2% em 2020

O IPCA de outubro registrou alta de 0,86%, 0,24 p.p. mais alto que setembro. O valor foi o maior para o mês de outubro desde 2002. A projeção da GO Associados era de uma alta de 0,89% e a do mercado era 0,83%. O item alimentação e bebidas subiu 1,93%, uma variação menor do que a observada em setembro (2,28%). O arroz e o óleo de soja, que foram manchete pela sua subida nos preços nos meses de agosto e setembro. A elevação foi menor neste mês (13,36% e 17,44%, respectivamente). Em setembro, o óleo de soja havia aumentado 27,54%. O IPCA acumula alta de 3,92% nos últimos 12 meses e 2,22% em 2020. Alguns itens que compõem o IPCA ainda estão sofrendo os efeitos da pandemia, como é o caso da educação. A paralisação das aulas presenciais, as escolas e universidades optaram por conceder descontos em vez de abrir mão dos alunos. A alta dos preços identificada nos principais indicadores de inflação tem relação com um choque em alguns itens da cesta básica e da retomada da atividade. A expectativa da GO Associados é de que o IPCA feche 2020 em 3,2%. O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... i. O principal assunto da próxima semana deve continuar sendo eleição dos EUA. A provável eleição de Biden sem a ocorrência de uma “onda azul” fez com que os mercados iniciassem uma forte subida. Resta saber a duração desta reação e o efeito das acusações de Trump de fraude nas eleições; ii. A segunda onda do novo coronavírus continua a trazer incerteza. Itália e Reino Unido anunciaram novos lockdowns. A situação dos EUA também começa a chamar atenção com o número de novos casos batendo recordes em um patamar superior ao de 100 mil novos casos diários. iii. Para a economia brasileira os destaques da próxima semana são os indicadores de atividade de setembro. Na quarta será o varejo, na quinta o setor de serviços e na sexta a “prévia do PIB” publicada pelo Banco Central. Após essa bateria de resultados será possível ter uma noção do PIB do 3º trimestre. A projeção da GO Associados é de crescimento de 6,6% em relação ao 2º tri.. Atualizaremos ao longo da semana o Mapa de Calor da economia brasileira da GO Associados., mostrando como se encontra a recuperação no país. iv. No Legislativo, não haverá sessões no Congresso pela proximidade das eleições municipais. As sessões devem voltar apenas na terça pós-eleições, dia 17.

A segunda onda da pandemia pode mudar (mais uma vez) as perspectivas econômicas...

As medidas para evitar a propagação do novo coronavírus refletiram na economia. Somente a China deverá crescer em 2020 e bem abaixo de seu padrão chinês. Fonte: Outlook do FMI. Para a economia, o isolamento social menos rígido no Brasil é um dos motivos das projeções de queda no PIB em 2020 serem revisadas positivamente. A projeção de queda do PIB no boletim Focus chegou a 6,54% no dia 29 de julho (o recorde diário de novos casos de Covid 19). Agora, o mercado projeta uma queda de 4,84% em 2020. Apesar da atual retomada da economia brasileira, a preocupação de uma segunda onda na Europa que leve a novos fechamentos começa a afetar o mercado internacional e impactar o Brasil também. Ontem o Dax fechou em queda de 3,71% e as outras bolsas do continente também caíram de forma semelhante. Os casos de coronavírus na Europa estão em forte aceleração até mesmo em relação aos Estados Unidos. Felizmente a taxa de letalidade caiu, mas o setor de serviços começa a sentir os efeitos de nova desaceleração da atividade. Fonte: WorldoMeters A crise do novo coronavírus era impossível de se prever no início de 2020 e uma segunda onda pode mostrar que a retomada será mais demorada do que o esperado. Observando a distribuição de erros de previsões do PIB do Brasil, um erro de previsão maior ou igual à magnitude do ocorrido no 2º trimestre de 2020 possuía apenas 0,01% de chance de ocorrer. Este erro foi o maior da história. Para a economia mundial a única certeza que é que o grau de incerteza sobre a dimensão do impacto da Covid 19 ainda é grande.

Pesquisa Focus: inflação a 3% não deve mudar perspectiva da política monetária...

A Pesquisa Focus divulgada hoje pelo Banco Central mostra que a projeção para a inflação continua sendo revisada para cima. Enquanto para o IPCA a expectativa passou de 2,65% para 2,99%, na 11ª revisão consecutiva, no IGP-M a mudança foi de 17,15% para 19,72%, a 15ª revisão seguida. Apesar das revisões para os índices de preço, não há perspectivas de mudança para a política monetária. O Copom deve manter a taxa de juros a 2% até o fim do ano. A projeção de inflação continua abaixo da meta de 4% para 2020. Nas projeções de 2021 tanto o IPCA (de 3,02% para 3,1%) quanto o IGP-M (de 4,3% para 4,32%) foram revisados para cima. Entretanto, esse movimento não altera a expectativa de que o centro da meta só volte a ser alcançado em 2022. Chama a atenção a nova projeção de crescimento em 2020: passou de -5% para -4,81%. Para 2021 o consenso do mercado passou de 3,47% para 3,42%.

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