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Alta no preço das commodities leva segunda prévia do IGP-M próxima de 30% em 12 meses...

Alta no preço das commodities leva segunda prévia do IGP-M próxima de 30% em 12 meses...

Apesar da projeção do Boletim Focus ser de 6,97% para o IGP-M em 2021 a GO Associados acredita que novamente o índice deve superar os dois dígitos. A segunda prévia do IGP-M de fevereiro, 2,29%, indica que os preços no principal índice de reajuste do aluguel vão permanecer em um patamar elevado. No acumulado de 12 meses o índice passou de 25,46% para 28,64%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) representa 60% do IGP-M e variou 2,98% em fevereiro. A alta no preço das commodities são os principais responsáveis pela alta, com destaque para o minério de ferro (4,41%) e a soja (5,89%). O câmbio também exerce influência sobre o indicador, pois o real desvalorizado deixa as commodities cotadas em dólar mais caras.

Concessões rodoviárias são fundamentais para a economia em 2021 e sempre...

Concessões rodoviárias são fundamentais para a economia em 2021 e sempre...

Avançar na concessão de rodovias é fundamental para ajudar a resolver os problemas da malha viária brasileira. Melhores estradas reduzem os custos de manutenção dos caminhões e dos fretes, além de reduzir o número de acidentes. Em 2019, 5.332 pessoas morreram em acidentes em rodovias federais. O transporte rodoviário é responsável por 60% do transporte de cargas no Brasil. Segundo a Confederação Nacional dos Transportes, apenas 12,1% das rodovias são pavimentadas e 59% das rodovias pavimentadas apresentam algum problema, como curvas perigosas, ausência de faixa adicional ou acostamento, entre outros. O investimento do governo federal em rodovias previsto para 2019 foi de R$6,2 bilhões, um valor quase três vezes menor do que o montante que a CNT considera necessário, de 15,8 bilhões. A falta de recursos e a qualidade das estradas administradas pelo estado contrasta com a melhor gestão e qualidade das estradas sob concessão. Segundo a CNT, as dez melhores rodovias estão sob gestão privada; 74,4% das rodovias sob gestão privada foram consideradas boas ou ótimas, contra 29,6% daquelas sob gestão pública. Em 2019, nenhuma das 10 piores rodovias era operada por um consórcio ou empresa privada. · O contrato de concessão de uma das rodovias mais importantes do Brasil, a Via Dutra, vence em fevereiro. A expectativa é de um novo leilão ainda no primeiro semestre de 2021. Os critérios do leilão serão: o Concessão comum, com critério de julgamento de maior valor de outorga (permite que players com maior capacidade econômica apresentem propostas melhores); Investimentos (CAPEX) previsto em R$15 bi e Custos operacionais (OPEX) em R$ 25 bi; Dentro do contrato está previsto o acordo Tripartite - ou seja, o financiador passa a ter uma participação maior sobre a gestão do projeto - dando maior segurança ao cumprimento das metas estabelecidas pelo edital; e reduzindo o custo do financiamento. A proposta enviada ao TCU prevê concessão de 625,8 quilômetros. Dentre as principais intervenções do projeto está a implantação da nova subida para Serra das Araras, na BR-116/RJ. A nova concessão será de 30 anos, com possibilidade de prorrogação por mais 30. Dentre os projetos qualificados pelo PPI, a soma dos investimentos previstos dos projetos mais prováveis é de R$ 32,2 bilhões, conforme quadro.

DESAFIOS CONCORRENCIAIS NO MERCADO DE APLICATIVOS PARA PEDISOS DE COMIDA ON LINE...

DESAFIOS CONCORRENCIAIS NO MERCADO DE APLICATIVOS PARA PEDISOS DE COMIDA ON LINE...

A economia do século XXI depende dos rumos dos mercados digitais – podem continuar sendo disruptivos e inovadores, ou terminarem dominados por poucas empresas, cujas práticas anticompetitivas sufocam frequentemente o mesmo espírito inovador que estava na origem de sua criação. A literatura sugere que as plataformas digitais começam com elevado grau de concorrência, mas tendem à concentração em virtude de elevadas economias de escala, escopo, externalidades de rede, entre outros fatores. Tais mercados são chamados de tipping markets , e descreve estruturas cujas características são de alta concorrência em um momento inicial, seguidos de uma monopolização em razão dos ganhos em escala e efeitos de rede. Isso requer particular atenção das autoridades de defesa da concorrência, estimulando a rivalidade entre diferentes plataformas e o acesso a entrantes. Na mesma direção, é preciso evitar mecanismos artificiais de elevação de barreiras à entrada como contratos de exclusividade generalizados pela empresa dominante. No mercado relevante de pedidos de comida online no Brasil tais características têm sido encontradas. Isso ocorre em uma conjuntura macroeconômica particularmente desfavorável para o setor de bares e restaurantes em virtude da crise sanitária. Este foi um dos segmentos mais afetados pelas medidas de isolamento social e tem registrado elevada taxa de falência. A exemplo daquilo que ocorre em jurisdições mais maduras, as autoridades de concorrência deveriam atentar para a urgência de medidas que coíbam abusos de poder de mercado de empresas dominantes em mercados digitais.

Banco Central muda projeção para 2020 de -5% para -4,4%, projeção para 2021 é de 3,8%...

Banco Central muda projeção para 2020 de -5% para -4,4%, projeção para 2021 é de 3,8%...

O relatório trimestral de inflação do Banco Central revisou a projeção do PIB para 2020, de -5,0% para -4,4%. A projeção para 2021 caiu 0,1 p.p. para 3,8%. Na comparação com as projeções do Ministério da Economia (queda 4,5% em 20 e alta de 3,2% em 21) o Banco Central está mais otimista tanto para 2020, quanto para 2021. A revisão da projeção é justificada pela retomada da atividade econômica, que ocorre de forma diferenciada nos vários setores. Em alguns casos, vem surpreendendo positivamente, como no setor de comércio, por exemplo. Apesar da incerteza e de uma segunda onda de casos de Covid 19, o Relatório destaca que a possibilidade de iniciar a vacinação já no começo de 2021 como um ponto de otimismo para a economia no próximo ano. Apesar da recuperação acima do esperado nos meses iniciais da pandemia, os setores não estão retomando as atividades de maneira homogênea. O gráfico 1 do Relatório ilustra como os serviços prestados as famílias tiveram uma queda muito maior no faturamento e uma recuperação mais lenta, se comparado aos outros setores. Fonte: Relatório trimestral de inflação do Banco Central. Enquanto mercados e farmácias permaneceram abertos, os bares, restaurantes, teatros e cinemas tiveram de fechar nos primeiros meses da pandemia e ainda não puderam retomar as atividades operando com toda a capacidade. Tal retomada só irá ocorrer quando a pandemia estiver controlada, com a imunização da população.

Varejo surpreende positivamente. Crescimento de 0,9%, acima da expectativa do mercado (-0,2%)...

Varejo surpreende positivamente. Crescimento de 0,9%, acima da expectativa do mercado (-0,2%)...

O volume de vendas do varejo cresceu 0,9% em outubro comparado a setembro. Em relação a outubro do ano passado, a expansão foi de 8,3%. Em agosto o comércio havia superado seu patamar histórico. O resultado indica uma forte recuperação do comércio como mostra o Mapa de Calor da economia brasileira da GO Associados, em 2020 o volume de vendas acumulado é de 0,9%. O comércio varejista ampliado, que inclui a venda de materiais de construção e de carros, motos e peças, sofreu mais com a pandemia, com a venda de carros acumulando queda de cerca de 30% em março/abril. Este ramo ainda acumula perdas de 2,6% entre janeiro e outubro. O ritmo acelerado de recuperação do comércio não é uniforme. Alguns setores como “materiais de construção” e “móveis e eletrodomésticos” acumulam altas no ano, puxando a recuperação. Pequenas reformas nos domicílios e a necessidade de adequação ao home office ajudaram a impulsionar estes setores. Enquanto isso alguns setores como “tecidos, vestuário e calçados” se recuperam de forma mais lenta. Este setor acumula perdas de 27,6% no ano.

Participação do setor privado é primordial para o salto de investimento no saneamento...

Participação do setor privado é primordial para o salto de investimento no saneamento...

O Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), aprovado em 2013, previa metas de investimento em saneamento básico para os estados. Porém, o estudo do Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados apurou, que as metas de investimento entre 2014 e 2018 não foram cumpridas. O novo marco legal do saneamento estipulou metas de acesso a água (99%) e esgoto (90%) até 2033. Os valores de investimentos necessários à universalização pelo PLANSAB não foram atingidos em nenhum ano desde sua edição. Em 2014, ano com maior investimento total em água e esgoto, foram investidos (em valores atualizados) R$ 14,2 bilhões, ou seja, 57% do necessário. Conforme Quadro, apenas Paraná, São Paulo e o Distrito Federal (em verde) investem de acordo com as metas. Na outra ponta, indicado em vermelho, o Amapá precisa aumentar em 18,43 vezes o investimento atual para atingir a meta; o Piauí, 16,36 vezes. Apesar dos indicadores e da evidente falta de recursos estatais, apenas oito estados possuem um plano de PPP ou outras modelagens para buscar investimentos e parcerias privadas: i. Alagoas (Casal), leilão já realizado, CAPEX R$2,6 bilhões; ii. Acre (Depasa); iii. Amapá (Caesa); iv. Rio de Janeiro (Cedae); v. Piauí (apenas Teresina); vi. Ceará – apenas esgoto (Cagece); vii. Mato Grosso do Sul – apenas esgoto (Sanesul), leilão já realizado, CAPEX R$1 bilhão; viii. Espírito Santo – apenas esgoto (Cesan), leilão já realizado, CAPEX R$1,3 bilhão. A delicada situação fiscal da maior parte dos estados e municípios indica que não haverá um aumento no nível de investimentos se depender apenas dos governos subnacionais. Em contrapartida, os leilões ocorridos até agora demonstraram que o setor privado tem apetite para investir no saneamento. Como lembra a frase de autor desconhecido e atribuída a Einstein, “não adianta fazer sempre a mesma coisa e esperar um resultado diferente”. Os estados e os municípios devem aproveitar o incentivo que o novo marco legal dá às parcerias, para alcançar as metas sem depender prioritariamente do orçamento público. Em 2018, último ano para o qual os dados estão disponíveis, foram investidos R$ 13,1 bilhões. A média anual de investimentos dos últimos 5 anos foi de R$ 13,0 bilhões, 53% da meta do PLANSAB, de R$ 24,9 bilhões anuais. Segundo estudo da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon), considerando os investimentos entre 2014 e 2018, para chegar aos indicadores previstos no novo marco legal, o Brasil precisaria quase triplicar as inversões entre 2019 e 2033, um valor médio de R$ 34 bilhões/ano.

Como as eleições municipais podem afetar os investimentos em parcerias e concessões...

Como as eleições municipais podem afetar os investimentos em parcerias e concessões...

O segundo turno das eleições municipais do dia 29 de novembro merece atenção em algumas capitais. Projetos de PPP e concessões podem ser postergados ou acelerados a depender do candidato eleito. O quadro 1 indica os projetos de PPP e concessão e em vermelho os candidatos que já se posicionaram contra as PPPs e concessões e em verde aqueles que sinalizaram implementar ou continuar as concessões. Das três capitais que têm visões antagônicas sobre o tema, merece atenção a cidade de Belém, que ainda não teve pesquisa de segundo turno, mas o candidato contrário às concessões foi o único das três capitais a ser primeiro colocado no primeiro turno. Fonte: São Paulo: pesquisa Datafolha; Porto Alegre: Paraná Pesquisa; Belém: TSE (resultado do primeiro turno). Sites de unidades de parcerias das prefeituras analisadas. O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... i. A divulgação de dados do emprego formal para o mês de outubro na quinta e da taxa de desemprego para o 3º trimestre na sexta devem ser os principais assuntos da próxima semana . A tendência de aumento no desemprego deve continuar dado que a taxa de desemprego oficial subestima o número real, de 23,1% segundo cálculos da GO Associados; ii. A Black Friday, uma das datas mais importantes para o comércio no ano ocorre na próxima semana, no dia 27. Apesar do contexto de pandemia, a Confederação Nacional do Comércio espera crescimento real de 1,8% nas vendas, movimentando um total de R$3,74 bilhões. O E-commerce deve crescer 61,4% na comparação com 2019. iii. Na Câmara dos Deputados, havia previsão de votação da BR do Mar. Porém, os parlamentares foram dispensados para se dedicarem ao segundo turno das eleições municipais. O projeto que estabelece novas regras para a cabotagem tem enfrentado resistência de parlamentares da Região Norte e de caminhoneiros. iv. A demora na formação da Comissão Mista Orçamentária (CMO) alimenta o temor de paralisação da máquina pública no início de 2021. Em anos normais a LDO seria aprovada até o recesso de meio de ano e no 2º semestre seria discutida a LOA (Lei Orçamentária Anual). Caso a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) não seja aprovada até o fim do ano, não há a liberação nem de 1/12 do orçamento total por mês, como prevê a Constituição. v. Na terça será divulgado o IPCA-15. A projeção da GO Associados é de 0,65%. O resultado não deve alterar a perspectiva de política monetária dado que as projeções se encontram próximas da meta para 2021. · No contexto internacional: vi. As boas notícias em relação a vacina e as más notícias em relação a 2ª onda da Covid-19 devem continuar a causar volatilidade no mercado. Há o temor de que o feriado de Ação de Graças nos EUA na quinta possa acelerar ainda mais a contaminação pelo novo coronavírus. vii. Os efeitos da 2ª onda sobre a atividade devem ser observados na segunda-feira com a divulgação das prévias dos Índices de Compras dos Gerentes (PMIs) para o mês de novembro para a Europa e EUA. Espera-se uma desaceleração na retomada nestas economias, mas com um efeito menor comparativa à 1ª onda.

Terminou o período de inflação muito abaixo da meta, reduzindo o espaço da política de taxa de juros

Terminou o período de inflação muito abaixo da meta, reduzindo o espaço da política de taxa de juros

Dança dos índices estreita ainda mais a margem de manobra para a administração do orçamento de 2021. · Uma soma de fatores está contribuindo para acelerar a alta dos preços, e devem continuar até meados de 2021: o o Estoques baixos o Demanda externa elevada o Retomada da demanda interna o Real desvalorizado o Condições climáticas adversas (La Ninã) o Delicada situação fiscal · A GO Associados projeta o IPCA para 2021 ligeiramente acima da meta, mas ainda dentro do intervalo estabelecido: 3,75% (meta) < 3,8% (projeção) < 5,25% (teto da meta) · Os dois principais índices de inflação, o IPCA e o IGP-M, estão acelerando na segunda metade de 2020. · No IGP-M os preços aos produtores têm maior peso (60%). Neste caso, o preço das matérias-primas cotadas em dólar e o aumento de algumas matérias-primas com a retomada chinesa fizeram o índice disparar. · O IGP-M deve fechar 2020 acima dos 22%. Entre janeiro e outubro o indicador está em 18,1%. · No médio prazo, o câmbio desvalorizado, a forte demanda chinesa e fatores climáticos (“La Nina”) devem continuar pressionando os preços. · O IPCA tem refletido o grau de aquecimento da economia desacelerou, chegando a ficar negativo entre abril e maior retomando a partir de maio com a retomada da atividade econômica. Fonte: IGBE e Ibre - FGV. Elaboração GO Associados · O grupo alimentação acumula alta de 9,37% até outubro, já superando a marca de 6,37% obtida em todo 2019. · Uma inflação concentrada em alimentos afeta as famílias mais pobres que gastam mais em alimentação. · Além disso, há um efeito fiscal. A discrepância de comportamento entre o IPCA e o INPC fará com que o teto de gasto seja corrigido por um índice que cresce menos (IPCA) e itens relevantes de despesas por um índice que cresce mais rapidamente (INPC). · O salário-mínimo, além de outros gastos fiscais, é corrigido pelo INPC, índice que usa uma cesta de produtos representativa para famílias com renda entre 1 a 5 salários-mínimos e não pelo IPCA, que aponta a variação do custo de vida médio de famílias com renda mensal de 1 e 40 salários-mínimos. · Enquanto o INPC acumula alta de 2,95%, o IPCA registra expansão de 2,22%. Na proposta de orçamento para 2021 enviada ao Congresso o teto de gastos foi corrigido por uma inflação de 2,13%, contra uma expectativa de um INPC de 2,09%. · No entanto, se o INPC ficar em 3% neste ano (0,91 ponto percentual acima do que foi previsto), as despesas obrigatórias aumentarão R$ 6,99 bilhões em relação ao projetado na proposta enviada em agosto ao Congresso Nacional. · Assim, as despesas discricionárias terão de ser reduzidas para cerca de R$ 80 bi, patamar considerado por muitos insuficiente, o que geraria um “ shutdown” na administração federal. · Na última ata do Copom, o Banco Central estimou que os preços administrados devem se recuperar em 2021 e subir 5,1%. Considerando a meta de 3,75%, o espaço para os preços livres é limitado, de 3,3%.

Choque dos alimentos continua acelerando a inflação, mas ainda não ameaça tx de juros de 2% em 2020

Choque dos alimentos continua acelerando a inflação, mas ainda não ameaça tx de juros de 2% em 2020

O IPCA de outubro registrou alta de 0,86%, 0,24 p.p. mais alto que setembro. O valor foi o maior para o mês de outubro desde 2002. A projeção da GO Associados era de uma alta de 0,89% e a do mercado era 0,83%. O item alimentação e bebidas subiu 1,93%, uma variação menor do que a observada em setembro (2,28%). O arroz e o óleo de soja, que foram manchete pela sua subida nos preços nos meses de agosto e setembro. A elevação foi menor neste mês (13,36% e 17,44%, respectivamente). Em setembro, o óleo de soja havia aumentado 27,54%. O IPCA acumula alta de 3,92% nos últimos 12 meses e 2,22% em 2020. Alguns itens que compõem o IPCA ainda estão sofrendo os efeitos da pandemia, como é o caso da educação. A paralisação das aulas presenciais, as escolas e universidades optaram por conceder descontos em vez de abrir mão dos alunos. A alta dos preços identificada nos principais indicadores de inflação tem relação com um choque em alguns itens da cesta básica e da retomada da atividade. A expectativa da GO Associados é de que o IPCA feche 2020 em 3,2%. O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana... i. O principal assunto da próxima semana deve continuar sendo eleição dos EUA. A provável eleição de Biden sem a ocorrência de uma “onda azul” fez com que os mercados iniciassem uma forte subida. Resta saber a duração desta reação e o efeito das acusações de Trump de fraude nas eleições; ii. A segunda onda do novo coronavírus continua a trazer incerteza. Itália e Reino Unido anunciaram novos lockdowns . A situação dos EUA também começa a chamar atenção com o número de novos casos batendo recordes em um patamar superior ao de 100 mil novos casos diários. iii. Para a economia brasileira os destaques da próxima semana são os indicadores de atividade de setembro . Na quarta será o varejo, na quinta o setor de serviços e na sexta a “prévia do PIB” publicada pelo Banco Central. Após essa bateria de resultados será possível ter uma noção do PIB do 3º trimestre. A projeção da GO Associados é de crescimento de 6,6% em relação ao 2º tri. . Atualizaremos ao longo da semana o Mapa de Calor da economia brasileira da GO Associados. , mostrando como se encontra a recuperação no país. iv. No Legislativo, não haverá sessões no Congresso pela proximidade das eleições municipais. As sessões devem voltar apenas na terça pós-eleições, dia 17.

A segunda onda da pandemia pode mudar (mais uma vez) as perspectivas econômicas...

A segunda onda da pandemia pode mudar (mais uma vez) as perspectivas econômicas...

As medidas para evitar a propagação do novo coronavírus refletiram na economia. Somente a China deverá crescer em 2020 e bem abaixo de seu padrão chinês. Fonte: Outlook do FMI. Para a economia, o isolamento social menos rígido no Brasil é um dos motivos das projeções de queda no PIB em 2020 serem revisadas positivamente. A projeção de queda do PIB no boletim Focus chegou a 6,54% no dia 29 de julho (o recorde diário de novos casos de Covid 19). Agora, o mercado projeta uma queda de 4,84% em 2020. Apesar da atual retomada da economia brasileira, a preocupação de uma segunda onda na Europa que leve a novos fechamentos começa a afetar o mercado internacional e impactar o Brasil também. Ontem o Dax fechou em queda de 3,71% e as outras bolsas do continente também caíram de forma semelhante. Os casos de coronavírus na Europa estão em forte aceleração até mesmo em relação aos Estados Unidos. Felizmente a taxa de letalidade caiu, mas o setor de serviços começa a sentir os efeitos de nova desaceleração da atividade. Fonte: WorldoMeters A crise do novo coronavírus era impossível de se prever no início de 2020 e uma segunda onda pode mostrar que a retomada será mais demorada do que o esperado. Observando a distribuição de erros de previsões do PIB do Brasil, um erro de previsão maior ou igual à magnitude do ocorrido no 2º trimestre de 2020 possuía apenas 0,01% de chance de ocorrer. Este erro foi o maior da história. Para a economia mundial a única certeza que é que o grau de incerteza sobre a dimensão do impacto da Covid 19 ainda é grande.

Pesquisa Focus: inflação a 3% não deve mudar perspectiva da política monetária...

Pesquisa Focus: inflação a 3% não deve mudar perspectiva da política monetária...

A Pesquisa Focus divulgada hoje pelo Banco Central mostra que a projeção para a inflação continua sendo revisada para cima. Enquanto para o IPCA a expectativa passou de 2,65% para 2,99%, na 11ª revisão consecutiva, no IGP-M a mudança foi de 17,15% para 19,72%, a 15ª revisão seguida. Apesar das revisões para os índices de preço, não há perspectivas de mudança para a política monetária. O Copom deve manter a taxa de juros a 2% até o fim do ano. A projeção de inflação continua abaixo da meta de 4% para 2020. Nas projeções de 2021 tanto o IPCA (de 3,02% para 3,1%) quanto o IGP-M (de 4,3% para 4,32%) foram revisados para cima. Entretanto, esse movimento não altera a expectativa de que o centro da meta só volte a ser alcançado em 2022. Chama a atenção a nova projeção de crescimento em 2020: passou de -5% para -4,81%. Para 2021 o consenso do mercado passou de 3,47% para 3,42%.

Resultado da eleição dos EUA: possível impasse jurídico é o principal ponto de atenção...

Resultado da eleição dos EUA: possível impasse jurídico é o principal ponto de atenção...

As eleições dos EUA seguem para a reta final com aparente vantagem para o candidato democrata Joe Biden. Entretanto, a disputa nos “swing states” continua acirrada, recomendando cautela nas projeções. O maior receio do mercado é na verdade um possível impasse judicial na disputa em caso de vitória apertada. Este temor ocorre porque Donald Trump tem levantado suspeita sobre fraude no sistema de voto pelos correios. Até ontem, 41 milhões de votos já haviam sido antecipados. Nessa mesma época em 2016, o número dos que já haviam votado era de 5,9 milhões de eleitores. (no total 57,2 milhões votaram antes do dia das eleições). A maior mudança na macroeconomia dos EUA ocorrerá caso Joe Biden vença e os democratas assumam o controle das duas casas legislativas. Isso pode significar maior facilidade para a aprovação de pacotes de recuperação da economia dos EUA. Mas pode alterar a expectativa de baixa taxa de inflação e juros no país. Joe Biden também já sinalizou que caso vença irá alterar a política de redução de impostos das empresas e dos mais ricos, o que deve ter impacto negativo no mercado de ações. Do ponto de vista econômico, é provável que não existam tantas alterações nas relações Brasil e EUA, mesmo com uma vitória Democrata. O maior ponto de atenção deve ser a questão ambiental. No último debate entre os candidatos, o Democrata citou os problemas de desmatamento no Brasil para criticar a política ambiental do governo Trump. É possível que em caso de vitória do Biden, os EUA mudem o discurso em direção a medidas de proteção à floresta amazônica. Isso poderia distanciar o relacionamento entre os presidentes dos dois países a exemplo do que ocorreu no governo de Dilma Rousseff em virtude do episódio de suposto grampeamento de autoridades brasileiras por agência dos EUA. O candidato do partido Democrata propõe um investimento de US$ 2 trilhões e energia verde, bem como quer fazer os EUA voltarem ao acordo de Paris, comprometendo-se a alcançar 100% de energia limpa até 2050. No programa de governo de Joe Biden, a China continuará sendo o principal alvo da política externa dos EUA.

Resultado do leilão para a PPP de saneamento em Cariacica/ES confirma grande apetite de investimento

Resultado do leilão para a PPP de saneamento em Cariacica/ES confirma grande apetite de investimento

O resultado do leilão, com sete consórcios participantes e um deságio da proposta vencedora de 38% confirmou grande interesse no saneamento, especialmente depois da aprovação no do novo marco do setor pela Lei 14.026/20 aprovada em julho e cujos vetos presidenciais ainda serão apreciados pelo Congresso. Em 30 de setembro ocorreu o leilão do saneamento de Maceió/AL, com seis consórcios participantes; a oferta vencedora foi de R$2 bilhões e um ágio de 13.182%. Hoje foi o leilão da Parceria Público-Privada (PPP) para o serviço de esgotamento no município de Cariacica/ES. O prazo da PPP será de 30 anos e o critério de seleção no leilão foi menor valor, em R$/m³, do esgoto tratado. O Consórcio vencedor foi da AEGEA, com oferta de R$0,99 - deságio de -38,12%. Participaram sete consórcios: O regime prevê o estabelecimento de Parceria Público-Privada (PPP) para universalização do esgotamento sanitário do Município de Cariacica, e parte do Município de Viana, atendendo mais de 420 mil pessoas. As metas propostas no projeto preveem um aumento na cobertura de coleta de esgoto de 35,5% para 95% e de tratamento de esgoto de 84,3% para 100% do esgoto coletado. Tais índices de cobertura devem ser atingidos até o décimo ano do contrato, com investimento da ordem de R$ 1,3 bilhão. Na próxima sexta-feira, 23/10, acontece o leilão dos serviços de esgotamento sanitário da Sanesul, que prevê a universalização dos sistemas de esgotamento sanitário dos 68 municípios atendidos pela companhia em 10 anos. A licitação será pelo menor preço unitário de esgoto e os investimentos previstos são de R$ 1 bilhão.

O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana...

O que vai mexer com as expectativas econômicas na próxima semana...

• i. O principal assunto da próxima semana será a divulgação do PIB chinês referente ao 3º tri. no domingo. A expectativa do mercado é que a China apresente crescimento de 3,2% em relação ao 2º tri. e de 5,2% em relação ao 3º tri. de 2019. • ii. Após ter o segundo debate cancelado, o último debate entre os candidatos a presidente dos EUA deve ocorrer na quinta, 22, em Nashville. É esperado que Trump continue sua postura agressiva buscando recuperação nas pesquisas. As eleições nos EUA ocorrem dia 3 de novembro. O mercado continua atento à ocorrência ou não de um contencioso jurídico sobre o resultado das eleições. • iii. Na sexta as prévias dos Índices de Compras dos Gerentes (PMI) para os Estados Unidos e países da Europa devem dar uma noção do desempenho da economia mundial. Os indicadores da Europa devem mostrar queda da atividade econômica causada pela segunda onda de Covid-19. • iv. No Brasil a aceleração dos preços deverá chamar a atenção novamente, com o IPCA-15, divulgado na sexta, 23. A projeção da GO Associados é de 0,78%. • v. Outro evento que deve chamar atenção é a sabatina do primeiro indicado de Bolsonaro ao STF, Kassio Marques, no Senado na quarta-feira. Será importante observar a opinião sobre temas econômicos do provável novo membro do STF.

Setor de serviços continua se recuperando em U em virtude do medo do vírus

Setor de serviços continua se recuperando em U em virtude do medo do vírus

A recuperação dos serviços continua a mais lenta dentre os setores da economia. A pesquisa Mensal dos Serviços de agosto registrou alta 2,9% acima do esperado pelo mercado (2,3%) e da projeção da GO Associados, 2,5%. Na comparação com agosto de 2019, o setor de serviços caiu 10%. A recuperação no setor de serviços é importante para o mercado de trabalho, pois o setor representa 47,4% do trabalho formal segundo dados do Caged. Apesar de não estar mais no pico de casos e mortes por Covid 19 não é possível afirmar que o Brasil controlou a pandemia mesmo com a flexibilização do isolamento. Serviços prestados às famílias, principalmente os de alojamento e alimentação, são os que mais sofrem por este medo do vírus. Apesar de ter subido 33,3% em agosto, ainda está 43,8% abaixo do registrado no ano anterior. No índice acumulado do ano, a queda é de 9% e de 5,3% nos últimos 12 meses. Comparado ao mês anterior, quatro dos cinco setores de serviços cresceram; apenas serviços de comunicação caíram (-1,4%). O Índice de Atividade de Turismo mostra também o quanto falta para a recuperação: o índice registrou uma queda acumulada de 68% em março e abril. Mesmo com crescimento de 63,4% entre maio e agosto o setor ainda está 47,7% abaixo do nível de fevereiro. O receio de sair para jantar fora ou ir a um evento ainda faz com que muitas pessoas prefiram ficar em casa e consumir produtos em vez de serviços.

Resultado d hoje do IPCA indica q inflação acelera 0,64% em setembro, mas não afeta a pol. monetária

Resultado d hoje do IPCA indica q inflação acelera 0,64% em setembro, mas não afeta a pol. monetária

A alta dos preços deve ser temporária e não muda a expectativa de manutenção da taxa básica de juros no atual patamar de 2%. O IPCA de setembro registrou alta de 0,64% em agosto, 0,40 p.p. mais alto que agosto. O valor foi o maior para o mês de setembro desde 2003. A projeção da GO Associados era de uma alta de 0,60% e a do mercado era 0,54%. O item alimentação e bebidas subiu 2,28% em agosto. O arroz, que foi manchete pela sua subida nos preços registrou aumento de 17,98%. Outro grande vilão foi o óleo de soja que aumento 27,54%. As maiores contribuições da alta no índice foram alimentação, seguida por artigos de residência. Em 2020 o IPCA acumula alta de 1,34% e 3,14% nos últimos 12 meses. A alta no preço dos alimentos observada agora é consequência de um conjunto de fatores: como a alta do dólar, o aumento das exportações e problemas de oferta. Por outro lado, alguns itens que compõem o IPCA ainda estão sofrendo os efeitos da pandemia, como é o caso da educação. A paralisação das aulas presenciais, as escolas e universidades optaram por conceder descontos em vez de mão dos alunos. Outro indicador de preços divulgado hoje também acelerou, o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), teve a maior alta desde julho de 2013 e ficou em 1,44% em setembro. A alta dos preços identificada nos principais indicadores de inflação tem uma relação com a volta da atividade econômica. A Pesquisa Mensal do Comércio, divulgada ontem, indica que as vendas no varejo superaram o patamar pré-crise e alguns segmentos do comércio tiveram um volume de vendas maior do que no mesmo período de 2019 como a venda de materiais de construção. O aquecimento da economia estimula a alta dos preços que deve ser pontual. Além disso, enquanto o comércio mostra recuperação, o setor de serviços ainda sofre para retomar as atividades, indicando uma possível alteração do padrão de consumo, podendo encarecer alguns segmentos, mas baratear outros.

Orçamento de guerra foi medida importante, mas não pode transformar a Covid na Guerra dos cem anos..

Orçamento de guerra foi medida importante, mas não pode transformar a Covid na Guerra dos cem anos..

A pandemia e seus efeitos econômicos devem chegar a 2021, mas o governo não pode usar isto como escudo para evitar de se fazer o necessário: avançar nas reformas e aprovar medidas de cortes de gastos como a PEC Emergencial e a reforma administrativa. O governo planeja incluir uma emenda na PEC do Orçamento de Guerra para postergar até 2021 a suspensão. A medida suspenderia a necessidade de cumprir uma meta fiscal por mais um ano. Em 2020 a projeção é que o governo tenha um déficit fiscal de R$ 866,4 bilhões, a meta para 2020 que foi suspensa era de R$124 bilhões. Não retomar a meta fiscal e continuar o Orçamento de Guerra em 2021 pode custar uma elevação da taxa de juros e o aumento da desconfiança do mercado quanto condução da política econômica. Uma das maiores missões do governo em 2020 era o de evitar que o aumento pontual de gastos tivesse como consequência uma elevação permanente de despesas.

O PIX é uma revolução que diminui os custos de transação da economia...

O PIX é uma revolução que diminui os custos de transação da economia...

O Banco Central anunciou em fevereiro a criação do PIX, um novo meio de realizar transações bancárias com um custo menor e estimular maior concorrência no segmento de serviços bancários. Atualmente para transferir dinheiro entre contas de bancos diferentes existem duas possibilidades: o Documento de Ordem de Crédito (DOC) e a Transferência Eletrônica Disponível (TED). Ambas as possibilidades podem ser gratuitas (a maior parte dos bancos digitais não cobra por este tipo de transação), mas há bancos que cobram até R$20 por uma TED ou um DOC. O PIX lançado agora é uma terceira opção para transferência bancária e promete facilitar a vida dos consumidores. Não serão cobradas tarifas das pessoas físicas e as transações não possuem restrições de dias e horários sendo efetivadas em até dez segundos. O PIX deverá ser oferecido para os clientes de todas as instituições financeiras com mais de 500 mil clientes. Os bancos deverão ter uma conta chamada PI, que tem o objetivo de registrar as transações de entrada e saída feitas pelo PIX e garantir que sempre haja saldo para efetivar as transações. Para ter acesso ao PIX, basta ter acesso a uma conta em banco e cadastrar uma chave de acesso que pode ser o número de celular, o CPF, e-mail ou chave aleatória. Cada pessoa poderá cadastrar até cinco chaves diferentes, que cumprirão a mesma função dos dados bancários. O PIX deverá ser incentivado como um meio de pagamento entre pessoas, estabelecimentos comerciais e para o pagamento de impostos. Cada pessoa ou estabelecimento que aderir ao PIX receberá um QR Code, que poderá utilizar para pagar ou para receber dinheiro. Será possível, por exemplo, pagar as compras do mercado pelo aplicativo do banco apenas apontando para o QR Code do mercado. A possibilidade de servir como uma alternativa ao dinheiro e aos cartões de débito e crédito pode baratear as transações bancárias e os pagamentos feitos com cartão. Além disso, pode reduzir as transações feitas com dinheiro em espécie aumentando a segurança. O cadastro das chaves de acesso dos clientes começou ontem, mas as transações feitas pelos PIX só terão início no dia 16 de novembro.

Renda cidadã substitui o Renda Brasil, mas os problemas para financiar o programa continuam...

Renda cidadã substitui o Renda Brasil, mas os problemas para financiar o programa continuam...

O governo anunciou a criação de um programa que deverá substituir o bolsa família e o auxílio emergencial. A ideia não é nova. A equipe econômica já tentou apresentar uma proposta de financiamento tendo como contrapartida o fim de alguns programas, como a farmácia popular e o abono salarial. O efeito impopular fez o presidente Jair Bolsonaro descartar o Renda Brasil, mas os esforços para encontrar espaço no orçamento para não pôr fim ao auxílio emergencial continuam. Desta vez, o governo anunciou que irá utilizar dinheiro dos precatórios e do Fundeb para custear o programa. Se a solução para financiar o Renda Brasil era impopular, para financiar o Renda Cidadã o governo buscou um jeitinho que preocupou o mercado. Há decisões do STF (ADI 2.362 e ADI 4.425) que consideram inconstitucional a prática de usar o pagamento de precatórios para o objetivo desejado. Por sua vez, o Fundeb não entra na regra do teto dos gastos. O auxílio emergencial foi importante durante a pandemia e ajudou a aumentar a popularidade do presidente. Mas driblar o teto fiscal e utilizar “jeitinhos” para o financiamento do programa pode ser ainda pior para a economia do que encerrar as parcelas do auxílio emergencial em dezembro.

Boca de jacaré entre os preços ao consumidor e ao produtor abre ainda mais em setembro...

Boca de jacaré entre os preços ao consumidor e ao produtor abre ainda mais em setembro...

O chamado “índice do aluguel” que reajusta contratos de locação descolou da inflação oficial. O mercado de locação está desaquecido, fazendo supor que deverá haver uma negociação entre proprietários e locatários. O IGP-M registrou alta de 4,34% em setembro, acumulando alta de 14,4% no ano e 17,94% em 12 meses. O IGP-M deve terminar 2020 próximo dos 20%. A projeção da GO Associados é de 18,30%. Os três componentes do índice registraram alta, com destaque novamente para o índice de preços ao produtor (5,92%). O IPC (índice de preços ao consumidor), subiu 0,64% e o índice nacional da construção civil 1,15%. O preço da soja em grãos, +14,32% em setembro, a alta do câmbio e o preço da carne e dos alimentos em geral devem continuar pressionando o índice que serve de referência para reajuste dos aluguéis. À medida que a atividade econômica é retomada, deve haver uma pressão sobre os preços ao consumidor.

Pesquisa Focus continua a mostrar projeção de queda menor na economia em 2020...

Pesquisa Focus continua a mostrar projeção de queda menor na economia em 2020...

O Boletim Focus publicado hoje registrou nova revisão do tamanho da recessão da economia brasileira em 2020, de -5,11% para -5,05%. Por sua vez, a inflação, medida pelo IPCA, sofreu a sexta revisão para cima, de 1,94% para 1,99%.
A taxa básica de juros deve ficar em 2% até pelo menos a metade do ano que vem. Fonte: Boletim Focus
Na última semana o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM), manteve a meta da taxa básica de juros em 2% a.a., confirmando a projeção da GO Associados e as expectativas do mercado. Apesar do aumento nos itens da cesta básica, o Copom avaliou que o choque é pontual e não deve afetar a trajetória de estabilidade do IPCA.
A velocidade da retomada da economia ainda é incerta e é provável que os efeitos da pandemia sejam sentidos até meados de 2021. Além disso, pesou na decisão do Copom a perspectiva das taxas de juros nas principais economias do mundo permanecerem baixas.
O que vai mexer com as expectativas econômicas nesta semana...
i. O destaque desta semana no Brasil é o IPCA 15 que será divulgado na quarta. A projeção da GO Associados é de 0,28%. O IPCA acumulado de 12 meses está em 2,44%, abaixo da meta de 4% estipulada pelo Banco Central. Segundo as projeções do boletim Focus, o IPCA deve chegar próximo da meta em 2022 (3,5%).
ii. Na terça será divulgada a ata do Copom que deve detalhar os motivos para manutenção da taxa juros em 2% e as perspectivas para a política monetária. Mais importante ainda será o Relatório Trimestral de Inflação a ser divulgado na quinta-feira que deve dar a visão do Banco Central sobre a recuperação econômica, o choque de preços da cesta básica e as contas externas.
iii. Discurso de Bolsonaro na ONU amanhã merece atenção sobretudo se abordar o tema do meio ambiente. A repercussão da visita de Mike Pompeo, secretário de estado dos EUA, deverá continuar com a ida de Ernesto Araujo ao Senado na quinta.
iv. No plano internacional, mercado está preocupado com a segunda onda do novo coronavírus e com a investigação de instituições financeiras importantes sobre lavagem de dinheiro . Jerome Powell, presidente do Banco Central dos EUA, discursa hoje quando deve comentar sobre a nova política monetária que os EUA de meta média de inflação.

Desistência do Renda Brasil põe fim à discussão sobre o financiamento...

Desistência do Renda Brasil põe fim à discussão sobre o financiamento...

Ontem o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues afirmou que a equipe econômica estudava financiar o Renda Brasil a partir de uma desvinculação dos benefícios previdenciários. Pela proposta da área econômica, todos os benefícios previdenciários ficam congelados no valor atual, independentemente da inflação ou do aumento salarial do período. A desindexação geraria um impacto de cerca de R$ 17 bilhões em 2021 e R$ 40,5 bilhões em 2022. Bolsonaro em resposta disse que só p ode “dar um cartão vermelho” a quem apresentar esta proposta. Além disso, afirmou que o Renda Brasil é assunto proibido até 2022. A desistência coloca um fim ao debate sobre o financiamento do Renda Brasil que ameaçava o teto de gastos. Entretanto, a resposta de Bolsonaro desautoriza a equipe econômica e aumenta a incerteza. Não por acaso em um primeiro momento o mercado reagiu negativamente ao vídeo.

Resultado do PIB do 2º trimestre confirma queda histórica

Resultado do PIB do 2º trimestre confirma queda histórica

O resultado do PIB no segundo trimestre registrou uma queda um pouco maior do que as últimas projeções indicavam: -9,7% contra expectativas do mercado de -9,2%. Além disso, o resultado do primeiro trimestre foi revisto para baixo, passando de -1,5% para -2,5%. Dados da Pesquisa Focus para a expansão em 2020 vêm sendo revistos positivamente nas últimas nove semanas. As projeções de queda em 2020 chegaram a -6,54%, mas após nove revisões positivas, está em -5,29%. Deverá haver ligeira revisão para baixo. Para que a projeção atual de declínio de 5,3% seja confirmada, seria necessário crescer 5% em média no terceiro e quatro trimestres. Os indicadores de recuperação no terceiro trimestre estão relativamente positivos, mas há muita incerteza. O resultado do segundo trimestre de 2020 fez o PIB retroceder aos valores equivalentes ao quarto trimestre de 2009. Mantida a previsão da Pesquisa Focus, o PIB só retornará ao nível da pré-pandemia em 2022.

Por que os economistas erraram tanto ao dimensionar o tombo?

Por que os economistas erraram tanto ao dimensionar o tombo?

A pandemia do novo coronavírus alterou completamente os rumos da economia. O vírus é um fator exógeno e imprevisível com uma solução que foge do controle apenas da política econômica. Seria natural que as projeções após a chegada do novo coronavírus, mudassem completamente daquelas da virada de 2019/20. Algumas visões mais catastrofistas indicavam uma queda superior a 2 dígitos para o PIB. Porém, com a maioria dos indicadores econômicos do segundo trimestres já conhecidos, o tamanho da queda no PIB está sendo revisto para cima. O tombo foi enorme mas bem aquém daquilo que chegou a ser cogitado. A variação nas projeções e o erro dos economistas podem ser explicados por três fatores principais: i) a capacidade de adaptação digital das empresas e dos serviços foi subestimada; ii) o impacto das medidas anticrise não foi considerado; iii) a replicação do isolamento social em países com muita pobreza como o Brasil foi limitada. O comércio eletrônico e a digitalização dos serviços ajudaram a manter parte da atividade econômica, mesmo com o isolamento social. o auxílio emergencial beneficiou quase 30 milhões de domicílios com desembolso até o momento de R$182,87 bilhões. O fundo do poço para foi entre abril e maio. A questão agora é sobre o formato da recuperação e as condições para a retomada. Veremos se as projeções melhoram.

AS LETRAS DA RECUPERAÇÃO: cada setor da economia tem um ritmo próprio de retomada

AS LETRAS DA RECUPERAÇÃO: cada setor da economia tem um ritmo próprio de retomada

A curva do comércio (tanto varejo quanto varejo ampliado) lembra a letra V. A indústria se recupera um pouco mais lentamente parecendo uma letra U. Por fim o setor de serviços e o índice de atividade econômica do Branco Central lembram o símbolo da Nike, com uma curva de recuperação mais alongada. A velocidade de recuperação varia de acordo com a capacidade de cada setor em superar os problemas causados pela pandemia. Setores mais dependentes do contato social (como serviços) enfrentam mais dificuldade do que o comércio, que pode encontrar saídas como o comércio eletrônico. Os setores de comércio e serviços estão em recuperação, registrando a primeira alta desde janeiro, depois de queda de 19,5% em fev/maio. A Pesquisa Mensal do Serviços de junho registrou alta de 5%, superior às projeções do mercado (4,4%). Se o resultado do varejo restrito (sem transportes e material de construção) de ontem mostrou uma recuperação em V, com as vendas voltando a patamares semelhantes aos do ano passado, em serviços a recuperação está sendo mais lenta. Na comparação com junho de 2019, o setor caiu 12,1%. Todas as categorias apresentaram crescimento em junho na comparação com maio. Entretanto na comparação com junho do ano anterior o cenário é interessante. O comportamento contra junho passado varia muito conforme o setor: Tecnologia da Informação (+9,6% se comparado a junho do ano passado). Alguns setores demonstram que a recuperação não será fácil para toda a economia. Serviços de alojamento e alimentação (-60%), transporte terrestre (-17,4%) e transporte aéreo (-59%) ainda estão distantes dos níveis de junho de 2019. A recuperação no setor de serviços é importante para o mercado de trabalho, pois o setor representa 47,4% do trabalho formal segundo dados do Caged. Ao somarmos serviços e comércio, este valor chega a 70,9%.

Mercado revisa positivamente a projeção do PIB para 2020 pela quinta vez consecutiva

Mercado revisa positivamente a projeção do PIB para 2020 pela quinta vez consecutiva

A mediana das expectativas do PIB foi revisada positivamente pela quinta semana seguida, agora o mercado projeta uma queda de 5,66% do PIB em 2020. O IPCA também sofreu uma leve revisão para baixo, 1,63%, voltando ao patamar de um mês atrás. A expectativa do mercado para a inflação é importante na semana em que o COPOM decide a meta da taxa Selic, a projeção da GO Associados é de um corte de 0,25 p.p. Outro indicador de inflação que capta os preços aos consumidores e aos produtores, o IGP-M está na contramão do IPCA. O IGP-M deve encerrar 2020 acima de dois dígitos em 2020. Isso se deve à alta de algumas commodities como minério de ferro, soja e carne. Os preços do produtor representam 60% do IGP-M. Em contraste, a pandemia diminuiu muito a demanda por bens de consumo, impedindo assim o repasse ao consumidor.

A situação da educação brasileira e o papel do Novo Fundeb

A situação da educação brasileira e o papel do Novo Fundeb

Considerando os gastos totais com educação e comparando com outros países o Brasil não gasta pouco em educação. Segundo o Banco Mundial, o país gastou o equivalente a 6% do PIB em educação em 2018, enquanto a média dos países da OCDE foi de 5,5%, dos EUA 5,4%, do Chile 4,8% e da Argentina 5,3%. Esse gasto superior, entretanto, não se reflete no desempenho dos alunos brasileiros nos principais indicadores da educação básica. No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), de 70 países, o Brasil figura em 66º em matemática, 59º em leitura e 63º em ciências. Um dos motivos é a baixa atenção à educação básica pública (médio e fundamental) Considerando os gastos do governo com estudantes da educação pública básica, os valores (US$3.800 por ano) ficam abaixo da maioria dos países da OCDE, menos da metade da média da OCDE. Os gastos se concentram na educação superior em que se gasta quase quatro vezes mais per capita do que com a educação básica. Outro gargalo é que boa parte da população brasileira não concluiu o ensino médio (última etapa da educação básica), o que apresenta forte relação com a desigualdade de renda. Percentual da população de 25 a 64 anos que não concluiu o ensino médio e a desigualdade de renda (2015) Fonte: OCDE/ Education at a glance 2018 A discussão sobre a qualidade e os gastos com educação no Brasil ganha força com a tramitação da prorrogação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) no Congresso Nacional. O Fundeb foi regulamentado pela Lei nº 11.494/2007, segundo estabelece o art.48, com vigência até 31 de dezembro de 2020. Em 2019, a partir das receitas tributárias e de um complemento de 10% do governo federal, o Fundeb repassou R$168,5 bilhões. O fundo representa cerca de 40% das verbas da rede pública destinada ao pagamento de professores e à melhoria do ensino na educação básica. No projeto que tramita no Congresso Nacional (PEC15/2015) e já aprovado na Câmara dos deputados há previsão de crescimento gradual da complementação do governo de 10% para 23% até 2026. Além de engessar o orçamento, não há previsão de onde viria a receita para esta expansão. Um dos destaques do projeto em análise no Senado é a destinação de 5% da verba para a educação infantil. Estudos apontam a educação na primeira infância como fator relevante para o desenvolvimento socioeconômico futuro. Além disso, a lógica do Fundo passa a ser municipal, com o intuito de diminuir a desigualdade ao destinar mais dinheiro aos municípios mais pobres. Outra mudança é que o FUNDEB passaria a ser um fundo permanente, sem prazo para acabar. A GO Associados organizou um Webinar sobre os impactos do novo Fundeb com o Professor Naércio Menezes Filho, o vídeo na íntegra pode ser acessado clicando aqui .

PNSB do IBGE ilustra o vexame do saneamento no Brasil

PNSB do IBGE ilustra o vexame do saneamento no Brasil

A pesquisa Nacional do Saneamento Básico (PNSB) divulgada pelo IBGE ilustra os enormes desafios do setor no Brasil. Dados comparados entre 1989 e 2017 mostram que houve uma expansão ainda insuficiente dos serviços com níveis vexatórios de atendimento. Lembrar que a pesquisa do IBGE capta dados de domicílios e o SNIS do Ministério de Desenvolvimento Regional usa informações das empresas e autarquias de água e esgoto. O Número de municípios com abastecimento por água 99,6% em 2017, já a rede de esgoto chega a 60,3%. As diferenças regionais são abismais. Fonte: PNSB 2017 39,7% não tem coleta de esgoto. 40% de água é perdida na entrada do sistema de distribuição até a chegada ao usuário. 9,6 milhões de domicílios ainda não têm abastecimento de água por rede. Interrupção do fornecimento de água por mais de 6 horas: 44,5% e o racionamento em 20,8%. 88,3% dos municípios possuem estações ou unidades de tratamento de esgoto. 5,5% do volume de água distribuído não recebe tratamento, 75,1% recebe tratamento convencional, 20% apenas desinfecção simples, e 4,2 não contém alguma etapa do tratamento.

Projeções catastrofistas subestimaram efeitos atenuadores da economia digital e pacote anti-pandemia

Projeções catastrofistas subestimaram efeitos atenuadores da economia digital e pacote anti-pandemia

Indicador de confiança da indústria indica melhora. Projeções catastrofistas para a economia subestimaram os efeitos atenuadores da economia digital e do pacote antipandemia. Em outras palavras, auxílio emergencial, MP 936, delivery e teletrabalho. A prévia da sondagem da indústria de julho cresceu 12,5 pontos, chegando a 90,1 pontos. Tanto a avaliação do presente, quanto as expectativas para o futuro melhoraram. O resultado da melhora na confiança coincide com a retomada da atividade econômica a partir de maio. Além disso, o estado avançado de algumas vacinas para o novo coronavírus também contribuíram. O impacto dos pacotes anticrise, que estão chegando agora às micro e pequenas empresas, como o Pronampe, que esgotou em poucos dias o crédito disponibilizado com garantias disponibilizadas pelo governo ainda em junho, também influencia nas expectativas do empresário.

Resultado do IBC-Br frustra as expectativas de uma retomada mais rápida da economia a partir de maio

Resultado do IBC-Br frustra as expectativas de uma retomada mais rápida da economia a partir de maio

O Índice de Atividade Econômica de maio cresceu 1,31% contra expectativa do mercado de 4,4%. É o primeiro resultado positivo após as quedas de 6,14% em março e 9,45% em abril. Apesar dos bons resultados na indústria e no varejo, o setor de serviços é possivelmente o grande responsável pelo resultado abaixo do esperado. Em maio o setor recuou 0,9%. Fonte: Bacen Comparado ao mesmo mês do ano passado, (na série sem ajuste sazonal) o IBC-Br está 14,24% menor. No ano, a queda acumulada é de 6,08%. O resultado do IBC-Br vai na contramão das expectativas, que estavam migrando para um cenário menos pessimista. A pesquisa Focus, por exemplo, registrou duas variações positivas na projeção do PIB de 2020 nas últimas duas semanas, fato que não ocorria desde janeiro. O resultado não altera a projeção da GO Associados para o PIB em 2020, de -6,5%

O aux. emergencial é o carro chefe das medidas anticrise e ajuda a explicar surpresa positiva do PIB

O aux. emergencial é o carro chefe das medidas anticrise e ajuda a explicar surpresa positiva do PIB

Os gastos no combate à pandemia previstos pelo tesouro nacional, em medidas provisórias e leis chega a R$ 506,1 Bilhões. Até agora 42,68% foram desembolsados pelo governo federal. A prorrogação do auxílio emergencial por mais dois meses representou um aumento de R$100 bilhões, chegando a R$ 254,24 bilhões. Gastos com a Pandemia previstos e já pagos pelo governo Fonte: Tesouro Nacional Quatro efeitos do auxílio emergencial: Manutenção da renda: de acordo com o IPEA a renda domiciliar é apenas 5% menor que a renda no período pré-crise. Como o nível de ocupação caiu, conclui-se que a transferência direta de renda, aliada ao MP 936, deve ter tido um papel importante. Efeito no crescimento: segundo estudo da UFRRJ, o valor desembolsado até agora pelo auxílio emergencial amenizou em mais de 2 p.p. a queda do PIB deste ano. A projeção do estudo é relativamente otimista, de um declínio de 4,21%, comparativamente a mediana das expectativas da pesquisa Focus de 6,5%. Redução na pobreza: segundo estudo do IBRE da FGV com base nos dados da PNAD Covid 19 entre a primeira e a última semana de maio, ocorreu uma redução da pobreza de 25% para cerca de 22%, e da pobreza extrema de 5% para 3,5%. Mudança na base de apoio político eleitoral do presidente: uma parcela dos eleitores mais escolarizados deixou de apoiar o governo e foram substituídos por pessoas de renda mais baixa, beneficiários do auxílio emergencial. Segundo o Datafolha, cerca de um terço dos eleitores que avaliam o governo como ótimo e bom não votaram em Bolsonaro na última eleição.

A taxa de desemprego real atingiu 18,9%!

A taxa de desemprego real atingiu 18,9%!

A situação no mercado de trabalho é dramática e poderia ser ainda pior. A taxa de desemprego para o mês de maio ficou em 12,9%, confirmando a projeção da GO Associados. Ficou 0,1 p.p. abaixo da mediana das projeções captadas pela Reuters. A população desocupada é de 12,7 milhões. A taxa de subutilização foi a maior da série história, de 27,5%. Além disso, a população fora da força de trabalho cresceu 13,7% frente ao semestre anterior, cerca de 9,0 milhões de pessoas de pessoas a mais em comparação àquele período. A diminuição na força de trabalho, acima de 7 milhões de pessoas em relação ao trimestre anterior, terminado em fevereiro, e ao mesmo trimestre do ano passado faz com que a taxa de desemprego oficial não reflita totalmente a gravidade do momento no mercado de trabalho. Considerando o contingente de força de trabalho constante em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, o nível de ocupação é de 81,1%. O nível de desocupação neste exercício é de 18,9%! A maior queda do emprego foi no grupo “serviços domésticos” (-18,7%) seguido pela “construção” (-16,4%). Apesar dos números impressionantes, algumas medidas do governo para proteger o emprego surtiram efeito, como é o caso da MP 936, que permite o encerramento temporário do contrato de trabalho ou a redução da jornada de trabalho e o financiamento da folha de pagamento. Neste sentido, é positivo a extensão anunciada pelo governo ontem do Bem, o Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda. Segundo o governo, a medida impactou cerca de 11,7 milhões contratos de trabalho.

A taxa real de desemprego para o trimestre móvel chega a 15,4%.

A taxa real de desemprego para o trimestre móvel chega a 15,4%.

Na próxima semana serão divulgados os números da taxa de desemprego. Seus resultados devem ser analisados a luz da crise do novo coronavírus. Os efeitos no mercado de trabalho são gigantescos e apenas parcialmente captados pelas estatísticas tradicionais. Em maio, mais de 28 milhões de pessoas não procuraram trabalho devido à pandemia. É mais do que o dobro da população desocupada medida pela PNAD Contínua de abril. A GO Associados projeta um aumento na taxa oficial, de 12,6% para 12,9%. Entretanto, a taxa real de desemprego é maior. A GO Associados estima a taxa real de desemprego para o trimestre móvel até abril em 15,4%. Este número é obtido ao corrigir pelo contingente que se afastou do mercado por força da pandemia.

Por que as previsões mais catastrofistas para o PIB de 2020 não parecem prováveis?

Por que as previsões mais catastrofistas para o PIB de 2020 não parecem prováveis?

A gravidade da crise levou a algumas projeções de queda de mais de dois dígitos no PIB. A mediana das expectativas do boletim Focus para o PIB em 2020 caiu por 18 semanas consecutivas. Hoje, contudo, houve uma ligeira reversão com uma projeção de queda de 6,5%. O mercado iniciou o ano otimista, projetando um aumento de até 2,3% para o PIB. À medida que a pandemia do novo coronavírus avançou da Ásia para a Europa e chegou no Brasil as expectativas otimistas se desfizeram e deram lugar a projeções muito divergentes, chegando a sugerir reduções de dois dígitos no PIB. Alguns dados do início e do pico de isolamento social já são conhecidos, como o IBC-Br de abril e o resultado do PIB do primeiro trimestre. Agora a mediana das expectativas para o PIB coincide com o cenário base da GO Associados de -6,5% no ano. Por que uma parcela do mercado parece ter exagerado nas projeções pessimistas? - Certo ou errado do ponto de vista sanitário, a verdade é que o isolamento social no Brasil tem sido apenas parcial, uma espécie de quarentena prolongada, mas muito branda. - Alguns segmentos conseguiram manter a atividade, possível pela economia digital e pelo crescimento de segmentos cuja expansão está associada à própria pandemia (mat. de limpeza, alimentos, p.e.) - A transferência de renda através do coronavoucher ajudou. A maior queda do PIB no ano deve ocorrer no segundo trimestre, puxada principalmente pelo mês de abril, quando as medidas de isolamento social foram mais intensas. A partir de maio alguns estados começaram a reabrir e permitir o funcionamento de atividades não essenciais. Apesar disso, a incerteza ainda predomina, principalmente com o medo de uma segunda onda de casos em alguns lugares do mundo, tornando os cenários ainda incertos, mas um pouco mais convergentes.

A economia brasileira se aproximou do fundo do poço em abril...

A economia brasileira se aproximou do fundo do poço em abril...

A economia brasileira se aproximou do fundo do poço em abril. A queda de abril terá sido provavelmente a mais profunda da economia brasileira em 2020. O IBC-br, a prévia do PIB, registrou um declínio de 9,7%. A queda de -9,72% em abril veio um pouco melhor do que a expectativa do mercado, de -10,2%. Diante do resultado, a GO Associados mantém a projeção de -6,5% para o PIB no ano e uma queda 11,7% no segundo trimestre. As medidas de isolamento social, que tiveram grande impacto na economia, duraram todo o mês de abril. O resultado é o pior da série histórica iniciada em 2003. O resultado poderia ser ainda pior não fosse a agricultura que vem atenuando o tombo da economia e deve crescer 2% em 2020. A safra de 2019/20 deve ser recorde, chegando a 251 milhões de toneladas de grãos. O COPOM cortou em 0,75p.p. para 2,25% a.a. No comunicado à imprensa o Comitê de Política Monetária deixou aberta a possibilidade de um novo corte futuro na taxa. A taxa de juros mais baixa ainda não significa crédito mais baixo para os tomadores finais. Além disso, as instituições financeiras estão mais conservadoras sobre a política de concessão de crédito em decorrência da crise do novo coronavírus.

Abril marca pior mês da série histórica para o setor de serviços

Abril marca pior mês da série histórica para o setor de serviços

O setor de serviços apresentou um resultado um pouco pior do que o esperado para o mês de abriu, recuando 11,7%. A projeção da GO associados era de uma queda de 9,9%. O resultado de abril foi o pior da série histórica, que teve início em janeiro de 2011. O resultado é parecido com o do comércio, divulgado ontem, os dois setores empregam juntos 56,7% dos trabalhadores formais. O destaque negativo é o grupo de “serviços prestados as famílias” (-44,1%). Dentro deste grupo, o item alojamento e alimentação recuou 46,5%. O grupo “serviços auxiliares de transporte e correio” também recuou, com destaque para o item “transporte aéreo” (-73,8%). O setor de serviços foi diretamente atingido pelas medidas de isolamento social, enquanto alguns serviços, como de tecnologia da informação puderam continuar sendo oferecidos remotamente. Outros, como cortes de cabelos ou passagens aéreas, tiveram uma interrupção quase completa em abril. O resultado um pouco abaixo do esperado ainda sustenta a projeção de queda de 6,5% do PIB no ano, e de 11,7% no segundo trimestre. Outro indicador importante que será conhecido hoje é a taxa Selic, anunciada pelo COPOM. A projeção da GO Associados é de um corte de 0,75p.p. na meta atual de 3%. Com isso a nova taxa deve ser de 2,25%. O corte fará com que a taxa real se aproxime novamente de 0%, como já ocorreu no final do ano passado.

Se os dados da China decepcionam, EUA podem surpreender e resultados de dexametasona animam

Se os dados da China decepcionam, EUA podem surpreender e resultados de dexametasona animam

O resultado de maio indica que se o temor da segunda onda da pandemia não se confirmar, a economia dos EUA pode se recuperar mais rápido do que o projetado. O bom resultado nos EUA, aliado ao estudo de Oxford, que identificou o esteroide dexametasona como um remédio eficiente para reduzir a mortalidade de pacientes graves de coronavírus, é o principal motivo para as altas nas bolsas ao redor do mundo. Nos EUA, o resultado das vendas do varejo em maio surpreendeu positivamente, diante de uma expectativa de crescimento de +8%, o resultado foi mais que o dobro (+17,7%). Em maio a economia dos Estados Unidos recuperou 2,5 milhões de empregos, com um recuo também surpreendente da taxa de desemprego. Assim como no Brasil, a queda das vendas do varejo em abril também havia sido recorde por lá, -14,4%. A indústria dos EUA também se recuperou em maio, depois de cair 12,5% em abril (a maior queda em 100 anos). Em maio o resultado foi de +1,4%. Nesse caso o resultado veio abaixo da expectativa do mercado (+2,9%) segundo pesquisa da Reuters.

Soluções para financiar o investimento em infraestrutura...

Soluções para financiar o investimento em infraestrutura...

A crise do novo coronavírus atrasou as reformas que estavam em andamento e as que estavam na fila para serem implementadas, como o novo marco legal das concessões e parcerias público privadas. A recuperação da economia brasileira passa necessariamente pela participação do capital privado, principalmente internacional. As reformas devem atuar no sentido de atrair esse investidor. Há uma iniciativa no legislativo, que fazia parte do Novo Marco Legal das Concessões, mas foi destacada pelo Deputado João Maia, que que prevê a criação de debêntures de infraestrutura. Trata-se do PL 2646/20. As novas debêntures guardam semelhança com as debêntures incentivadas, criadas pela Lei 12.431/11, que também são emitidas por companhias para captar recursos no mercado direcionados a investimentos em infraestrutura. A diferença é que as debêntures de infraestrutura se destinam a investidores institucionais e as incentivadas têm como foco pessoas físicas. É preciso facilitar a compra de debêntures por investidores não residentes no país. O risco cambial é uma das principais inseguranças em relação ao Brasil. Uma boa ideia é a criação de um seguro garantia que cubra o risco de inadimplência dos emissores das debêntures incentivadas de infraestrutura e os investidores diretamente. Se o emissor não pagar a variação cambial pré-determinada, então a apólice é acionada.

Saída de Mansueto e cenário fiscal aumentam a apreensão do mercado...

Saída de Mansueto e cenário fiscal aumentam a apreensão do mercado...

O Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, anunciou sua saída do cargo até agosto. Mansueto comanda o Tesouro Nacional desde o governo Michel Temer. O Secretário é um dos articuladores do ajuste fiscal e ajudou a elaborar a proposta de auxílio aos estados em dificuldades anterior à pandemia, exigindo o equilíbrio fiscal como contrapartida. O sucessor no comando do Tesouro Nacional deve ter como prioridade a volta do equilíbrio das contas públicas, especialmente em um momento de pressão avassaladora por aumento de gastos em virtude da pandemia. Segundo a IFI, o déficit público do governo central deve chegar a R$877,8 bilhões em 2020. Somando estados e municípios e estatais, o valor do déficit primário do setor público consolidado chega a R$912 bilhões. Outra projeção importante divulgada hoje é a do Boletim Focus, que mais uma vez revisou para baixo a projeção de crescimento do PIB para 2020. A a mediana das expectativas ficou em -6,51%. Destaca-se que a revisão para baixo do PIB (-0,03p.p.) foi a menor desde o final de janeiro, além de uma revisão positiva para a inflação. O mercado deve aguardar os dados de atividade de abril a serem divulgados nessa semana para novas revisões do crescimento no ano.

A lentidão na implementação das medidas de ajuda às pequenas empresas pode ser fatal...

A lentidão na implementação das medidas de ajuda às pequenas empresas pode ser fatal...

O Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Médio Porte (PRONAMPE) foi sancionado um mês após a sua aprovação pelo Congresso Nacional, em 18 de maio, pela lei nº13.999/2020. Agora, quase um mês após a sanção presidencial, o Secretário da Receita Federal, José Barroso Tostes Neto, informou que irá comunicar por carta as empresas aptas a buscarem o crédito emergencial. A medida é mais uma tentativa do governo federal de fazer o crédito chegar as empresas menores, onde os canais de financiamento também são menores. Os relatos dramáticos dos pequenos empresários na tentativa de conseguir crédito podem adiar ou mesmo frustrar as expectativas de recuperação da economia no curto prazo. Empresas menores em geral apresentam menor capital de giro e capital para aguentar uma crise como a do novo coronavírus. A obrigatoriedade de manutenção do quadro de funcionários estático é um problema para que as empresas sejam encorajadas a buscar o crédito. O ideal seria retirar essa amarra, o empresário não demite por vontade, apenas por necessidade. Se as medidas anticrise forem bem aplicadas, o emprego certamente se manterá, não pela força de decreto, mas pelo próprio arranjo do mercado.

Galbraith tem dose de razão: “única função da projeção econômica é tornar a astrologia respeitável"

Galbraith tem dose de razão: “única função da projeção econômica é tornar a astrologia respeitável"

Apesar de uma redução do PIB ser consenso em 2020, os valores ainda são bastante divergentes. A incerteza diante da crise do novo coronavírus explica grande parte dessas divergências. A duração da paralisia econômica, o temor de uma segunda onda da doença e o formato da recuperação são apenas alguns aspectos relevantes que definirão o tamanho do tombo da economia em 2020. Desde o início da pandemia do novo coronavírus a mediana das expectativas da Pesquisa Focus do Banco Central acerca do PIB em 2020 é revista para baixo. Enquanto a expectativa em janeiro era de um crescimento de 2,17% para 2020, hoje é de uma queda de 6,48%. Os resultados das medidas de isolamento social começam a ser conhecidos, e se não houver uma segunda onda de contágio que feche a economia mundial novamente, já é possível projetar os dados com maior precisão. De acordo com a projeção do Banco Mundial, o PIB do Brasil deverá recuar 8% em 2020, o segundo pior número dentre os países analisados na América do Sul. Se confirmado, caracterizaria uma recessão no ano maior até do que a da Argentina (-7,3%). A equipe do governo apontou uma inconsistência na projeção do Banco Mundial. Apesar de até agora ter sido o destaque da economia brasileira e todas as projeções apontarem crescimento de cerca de 2% no setor agrícola, a projeção do Banco Mundial aponta estagnação para este segmento. Em abril, a projeção do Banco Mundial era de uma queda de 5% para o Brasil. O governo projeta o PIB em -4,7%. A OCDE e a mediana das expectativas do Boletim Focus está entre a projeção do governo e a do Banco Mundial. Enquanto a mediana das projeções de mercado no Brasil está em -6,48% a projeção da OCDE é de um recuo de 7,4%.

Pandemia mostrou que o mercado é melhor do que o controle de preços para garantir a oferta

Pandemia mostrou que o mercado é melhor do que o controle de preços para garantir a oferta

O Brasil registrou uma queda de 0,38% dos preços em maio. O menor valor mensal desde agosto de 1980 (-0,51%). Maio foi o segundo mês consecutivo de deflação. Entre o final de março, abril e maio houve maior rigidez nas medidas de isolamento social, consequentemente, foram os meses com os piores indicadores de atividade econômica. O medo inicial de desabastecimento que levou a uma corrida para os supermercados se dissipou em maio. A pressão sobre os alimentos em geral parece ter cessado (0,24%), aliviando o orçamento dos mais pobres. Subitens como cenoura (-14,95%) e frutas (-2,10%) ficaram mais baratos no período. O item responsável pela deflação foi transportes (-1,90%), com destaque para os subitens gasolina (-4,35%) e passagens aéreas (-27,14%). O grupo alimentação e bebidas (+0,24%) deixou de ser o segmento que mais sobe, dando lugar para artigos de residência (+0,58%), com destaque para os artigos de TV, som e informática (+4,57%). Com a reabertura do comércio e flexibilização do isolamento social, alguns subitens devem puxar os preços para cima novamente. A demanda por combustíveis deve aos poucos retomar.

Deflação em maio reforça espaço para queda da SELIC em 17 de junho...

Deflação em maio reforça espaço para queda da SELIC em 17 de junho...

Além do resultado do IPCA de maio, hoje sai a decisão do FOMC nos EUA. Tanto a deflação medida pelo IPCA quanto a provável manutenção do nível de taxa de juros do FOMC são variáveis chaves para a definição da atuação da política monetária no Brasil. A tendência do juro nos EUA, aliada à deflação doméstica, sugerem espaço para maior queda da SELIC. A deflação na atualidade reflete a depressão da atividade econômica. No acumulado dos 12 meses a inflação está 1,88%, menos da metade da meta de 4% estipulada pelo Banco Central. Em décadas anteriores o problema já foi de uma inflação muito acima de 1,88% ao mês. A projeção da GO Associados é de que o Copom deve realizar mais um corte de 0,75 p.p na próxima reunião do Copom na quarta-feira da semana que vem, dia 17 de junho.

Se o Estado apertar o cinto, dá para financiar mais 3 meses de coronavoucher

Se o Estado apertar o cinto, dá para financiar mais 3 meses de coronavoucher

O auxílio emergencial previsto para três meses (abril, maio e junho), pode ser prorrogado até agosto. O Ministro Paulo Guedes admitiu essa possibilidade. Entretanto, não ficou claro se haverá redução no valor de R$ 600 ou não. Na última sexta-feira o secretário especial Waldery Rodrigues afirmou que o governo pretende oferecer duas parcelas de R$300. O aumento desses gastos com o auxílio precisa de uma contrapartida, pois a situação fiscal é crítica com projeção de déficit primário acima de R$ 650 bilhões. Uma das possibilidades seria a redução temporária de salários de servidores públicos com uma renda superior a um valor base, por exemplo. Apenas a título de exercício, uma redução de 25% da folha de salários da União, proporcional à redução da jornada de trabalho, permitiria poupar R$ 75,8 bilhões. Este valor poderia cobrir 3,3 meses de extensão do corovoucher a R$ 300 de benefício. A extensão do auxílio se mostra necessária dada a situação atual de recessão e aumento do desemprego. Entretanto, o aumento de gastos irá requerer uma fonte clara de financiamento sob pena de gerar enorme incerteza sobre a sustentabilidade das contas públicas. Sempre haverá alguém para propor uma saída mais fácil: a elevação dos impostos. Esta não é uma solução para uma economia em processo recessivo e cuja carga tributária já é excessiva comparativamente a outros emergentes.

O maior manancial do Brasil é a nossa incompetência...

O maior manancial do Brasil é a nossa incompetência...

O maior manancial do Brasil é a nossa incompetência. As perdas de água no Brasil são tão elevadas, que se nós reduzirmos a níveis mais aceitáveis, pode haver um aumento da oferta de água sem necessidade de investimentos muito maiores. Estudo do Instituto Trata Brasil apurou que em 2018 o Brasil perdeu em média 38,5% do total de água produzida. Isto equivale a uma perda de R$12 bilhões em faturamento, valor próximo àquele investido em água e esgoto no mesmo ano. Os dados de perdas no Brasil, ficam ainda mais absurdos quando confrontados com a informação de que cerca de 12,7 milhões de pessoas nas regiões urbanas não têm acesso a água. E esses dados tornam-se dramáticos quando o Brasil passa por uma pandemia onde a recomendação sanitária mais simples é de que as pessoas devem lavar bem as mãos para se proteger. Entre 2015 e 2018 o índice de perdas passou de 36,7% para 38,5%. Existem enormes diferenças regionais: Perdas na Distribuição (IPD) nas regiões Fonte: SNIS. Elaboração: Trata Brasil e GO Associados O estado de Roraima perde 73% da água potável. O melhor estado do Brasil apresenta perda superior a países como México (24,1%), Reino Unido (20,6%) e China (20,5%) e Dinamarca (6,9%). Reduzir perdas precisa ser uma prioridade. Ganham os consumidores com impactos positivos nas contas de água, ganham as empresas que evitam prejuízos e ganha a natureza. As perdas físicas decorrem de vazamentos e redes antigas. As perdas comerciais decorrem de uma série de fatores, como subfaturamento, submedição em consequência de hidrômetros antigos, adulteração dos hidrômetros e furtos de água. Daí a importância do novo marco regulatório do saneamento, que está no Senado e que precisa ser aprovado com maior urgência. Esse novo marco tem três contribuições: i. Boa regulação, que leva a uma indução de redução de perdas; ii. Maior competição que faz com que as tratadoras de água e esgoto tenham um desempenho mais eficiente; iii. Estabelecimento de metas contratuais claras para melhoria de desempenho. Em relação à redução de perdas de água, o novo marco representa um avanço, conforme assinalado pelo estudo citado do Trata Brasil: Foi adicionado ao Artigo 2º, que trata dos princípios fundamentais serviços públicos de saneamento básico, o tópico de redução e controle das perdas de água como um dos princípios do serviço de saneamento. Criou-se o Artigo 10-A que expressa cláusulas essenciais, que deverão estar presentes em cada Contrato, determinando que esses devem conter metas de redução de perdas na distribuição de água tratada. Adicionou-se que é condição para a validade dos contratos a inclusão de metas de redução progressiva e controle de perdas na distribuição de água tratada. Devem existir metas quantitativas de redução de perdas nos contratos, todavia, não se especifica um número adequado para este quesito. O cumprimento dessas metas deverá ser verificado anualmente pela agência reguladora e, em caso do não atingimento das metas, deverá ser iniciado procedimento administrativo pela agência com o objetivo de avaliar as ações a serem adotadas, incluídas medidas sancionatórias, com eventual declaração de caducidade da concessão. Adiciona que, como aspectos essenciais das funções das entidades reguladoras, observadas as diretrizes determinadas pela ANA, inclui-se a criação de diretrizes para redução progressiva e controle das perdas de água. Inclui como diretriz a ser observada pela União a redução progressiva e controle das perdas de água. A aprovação do novo marco regulatório do saneamento deveria constituir uma das prioridades neste momento.

Abril e maio devem ser os piores meses para a indústria; a boa notícia é que chegamos em junho

Abril e maio devem ser os piores meses para a indústria; a boa notícia é que chegamos em junho

A produção industrial caiu 18,8% no mês de abril, a maior queda desde o início da série história em 2002. O resultado é reflexo da pandemia do novo coronavírus. Alguns indicadores preliminares davam pistas sobre esse resultado. A projeção da GO Associados era de uma queda de 19%. Entretanto, o dado é melhor do que a expectativa do mercado, de 30%. Fonte: PIM do IBGE Apesar de melhor que o esperado pelo mercado, a produção da indústria brasileira hoje se situa em patamar muito inferior ao observado no pré-crise. A indústria produziu em abril 26% menos que em fevereiro, a produção de bens de capital caiu pela metade e a produção de bens duráveis recuou quase 85%! Fonte: PMI do IBGE Os meses de abril e maio devem ser os piores para a economia brasileira em 2020. Em junho, a reabertura gradual no Brasil, na Europa e nos EUA deve dar início à recuperação econômica. A questão essencial passa a ser a velocidade de recuperação da economia. Na China, maior parceiro comercial do Brasil, onde o pico da pandemia e do isolamento social foi no mês de fevereiro, a produção industrial caiu 13,5%, os dois meses seguintes demonstram uma recuperação do setor em V. Fonte: Investing e IBGE As manifestações antirracistas pelo mundo não afetam os mercados. A situação política no Brasil desanuviou um pouco. O mercado financeiro reflete esse clima. Depois de baixar para menos de 70 mil pontos no final de março, o Ibovespa ultrapassou os 90 mil pontos nesta semana e o dólar está cotado abaixo dos R$5,10. Enquanto a recuperação da economia real é incerta e lenta, as expectativas do mercado financeiro querem crer em uma retomada em V.

A crise da COVID 19 deixou ainda mais evidente: o Brasil precisa resolver os problemas de saneamento

A crise da COVID 19 deixou ainda mais evidente: o Brasil precisa resolver os problemas de saneamento

O que já era um problema antes da pandemia, ficou ainda mais evidente: as lacunas vergonhosas do saneamento brasileiro. As medidas sanitárias para evitar o contágio do novo coronavírus envolvem um hábito razoavelmente simples, como lavar as mãos. Porém, o Brasil tem um problema crônico para que isso seja cumprido: a falta de acesso à água tratada. O maior acesso a saneamento reduz epidemias e gastos com saúde. Fonte: Instituto Trata Brasil Segundo o Instituto Trata Brasil, 35 milhões de brasileiros não têm acesso a água tratada. E apenas 22 dos 100 maiores municípios do brasil fornecem água potável para 100% da população. Além disso, as perdas no sistema de distribuição atingem uma média de 38,45%. A reação inicial do sistema político diante da pandemia foi insatisfatória. Em vez de aprofundar e acelerar as reformas, projetos importantes, como o novo marco regulatório do saneamento, deram espaço a medidas meramente emergenciais. É positivo neste sentido que governo e Congresso priorizem a votação da nova lei do saneamento. O novo marco regulatório não vai fazer milagre e nem é uma panaceia. Mas pode ajudar em vários pontos: Criando padrões uniformes e técnicos para a redução do risco regulatório através da Agência Nacional de Águas (ANA); Gerando competição pelos mercados mediante a extinção planejada dos contratos de programa; Estabelecendo incentivos para aumento da eficiência do sistema; Estimulando a sustentabilidade e mecanismos de economia circular mediante estímulos à redução das perdas, água de reuso, geração de energia, entre outros. Criando mecanismos de sustentabilidade financeira.

Segundo a Pesquisa Focus, PIB só volta ao nível de 2019 em 2023: logo da Nike substitui o V

Segundo a Pesquisa Focus, PIB só volta ao nível de 2019 em 2023: logo da Nike substitui o V

As expectativas do mercado a respeito da volta da economia correspondem ao formato do logo da Nike e não à letra V. Segundo as projeções da Pesquisa Focus do Banco Central, o PIB só retornaria ao nível de 2019 em 2023. A mediana das expectativas para o PIB de 2020 caiu pela 16ª semana consecutiva, para -6,25%. A pesquisa ainda não terá captado inteiramente a divulgação do PIB do primeiro trimestre, de -1,5%. O número se aproxima da projeção da GO Associados, de -6,5% para este ano. O resultado do primeiro trimestre foi apenas um primeiro sinal, pois as medidas de isolamento social começaram em meados de março. A maior queda deverá ocorrer será no segundo trimestre. A Equipe da GO Associados projeta uma queda de 11,7% para este período. A situação política no Brasil explica parte deste cenário de recuperação lenta. Isso porque inibe o investimento, essencial para o crescimento da produção e do emprego, aumentando o risco regulatório e atrasando a tramitação de reformas fundamentais para a economia.

Taxa de desemprego subestima a situação do mercado de trabalho

Taxa de desemprego subestima a situação do mercado de trabalho

O drama do desemprego que já vinha sendo sentido por todos pode agora ser traduzido em números: segundo o IBGE divulgou hoje, a taxa de desemprego saltou de 12,2% para 12,6% entre março e abril. O número de desempregados chegou a 12,8 milhões de pessoas. A taxa de desocupação no mesmo trimestre ainda é menor do que a maior da série, quando chegou a 13,7% que ocorreu em março de 2017. O dado de desemprego esconde os sérios problemas no mercado de trabalho. A taxa composta de subutilização, a porcentagem que enfrenta problemas no mercado de trabalho, bateu o recorde da série em 25,6% somando um total de 28,7 milhões de pessoas. A subutilização compreende o desemprego, a subocupação e o desalento, a situação na qual o indivíduo desiste de procurar trabalho e é considerado tecnicamente fora da força de trabalho. O desalento também bateu o recorde da série ao somar 5 milhões de pessoas ou 4,7%. Se comparado aos dados de desemprego de outros países, como nos EUA, onde o número de pedidos de seguro desemprego semanal ainda está acima dos 2 milhões, os números do desemprego no Brasil parecem menores. Mas a comparação tem que levar em conta o subemprego, captado em parte pela taxa recorde de subutilização de 25,6%. Cerca de metade da força de trabalho se encontra no mercado informal. Para estes trabalhadores, a ocupação desapareceu da noite para o dia. É o menor nível de ocupação da série histórica, com 51,6% das pessoas em algum tipo de ocupação. Queda de 5,2% em comparação com o trimestre anterior. Isso representa uma queda de 4,9 milhões de pessoas na população ocupada. O número de pessoas desocupadas não explodiu apenas porque houve crescimento da População Fora da Força de Trabalho em 5,2 milhões. Lembre-se, para contar como desempregado a pessoa tem que estar procurando emprego. Com uma pandemia em que a principal recomendação é ficar em casa, muitas pessoas optam por não procurar emprego imediatamente. Apenas a administração pública registrou aumento, o que pode ser explicado pela demanda por profissionais da área da saúde para o combate ao coronavírus. Todos os outros segmentos apresentaram queda. Construção, serviços e alojamento e serviços domésticos foram os mais afetados. Variação do trimestre fev/mar/abr 2019 de pessoas ocupadas por grupamento de atividade As medidas de preservação do emprego, principalmente as que dependem do mercado de crédito ainda não emplacaram, porém, a reforma trabalhista, além da flexibilização da jornada de trabalho e dos salários, prevista nas MP 927 e 936 também ajudaram a atenuar, pelo menos em parte, o desemprego. Agora que algumas cidades e estados se preparam para reabrir, é preciso acompanhar a recuperação do mercado de trabalho. Depois da recessão de 2015/16, a recuperação do emprego foi muito lenta. Nesta recessão, muito pior do que a pior das recessões até então, deve deixar sequelas ainda maiores. Isso mostra a necessidade de um plano massivo de emprego e retreinamento e recolocação, formação de frentes de trabalho, simplificação ainda maior da legislação trabalhista e desoneração da folha de salários.

Cassino não é a salvação da lavoura para o turismo brasileiro, mas pode ajudar

Cassino não é a salvação da lavoura para o turismo brasileiro, mas pode ajudar

Na famosa reunião de 22 de abril, o Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, defendeu a implantação de resorts integrados com cassinos. O tema suscita polêmica dentro do próprio governo, como indica a manifestação imediata da Ministra Damares que chamou a iniciativa como “Pacto com o Diabo”. Quais são os custos e benefícios da legalização dos cassinos que foram proibidos no país por força do Decreto Lei 9.215 de 30 abril de 1946 no Governo Dutra? É preciso uma análise fria para dimensioná-los e decidir se vale a pena legalizar os cassinos. Quais são os benefícios : - aumento de arrecadação; o PL 186/2014, o governo deixa de arrecadar cerca de R$15 bilhões por ano - desenvolvimento de áreas turísticas - aumento do emprego - formalização de atividades que hoje são feitas na ilegalidade Quais são os custos: - gasto em fiscalização - problemas de segurança com a atração de atividades ilegais (prostituição, drogas e lavagem de dinheiro) - problemas de saúde e produtividade do trabalho associados ao vício com o jogo É preciso fazer uma análise criteriosa de custo/benefício. A literatura existente tende a apontar para aumento de arrecadação, mas também para o aumento dos custos sociais. Um autor americano, Earl Grinols calculou que para cada dólar arrecadado, gastam-se três dólares em segurança pública, saúde e fiscalização. Se em regiões específicas do país a relação custo/benefício for vantajosa, valeria a pena implementar. Mas não se tenha a ilusão de que os cassinos representarão a salvação do turismo brasileiro, tão pouco desenvolvido e tão importante para gerar empregos. Em 2019 o setor de turismo representou 3,7% do PIB brasileiro. empregando mais de 7 milhões de pessoas. Até agora, o governo não editou nenhuma medida que esteja diretamente voltada para o setor enfrentar a crise. O que vai ser decisivo para o turismo é investimento em segurança, infraestrutura, especialmente saneamento, gestão e planejamento. Cassinos bem localizados e planejados podem apenas ajudar.

Coronavírus custou mais de um milhão de empregos formais

Coronavírus custou mais de um milhão de empregos formais

Uma das características da crise econômica provocada pelo novo coronavírus é um impacto imediato no mercado de trabalho. Basta lembrar que até agora a taxa de desemprego nos EUA passou dos 4,4% para 14,7%. A crise do novo coronavírus já custou mais de 1,1 milhão de vagas formais a economia brasileira segundo dados do Caged. Em abril o saldo de vagas formais foi negativo em 860,5 mil enquanto em março as demissões superaram as admissões em 240,7 mil. Saldo mensal de empregos formais de janeiro a abril de 2019 e 2020 Fonte: CAGED Depois de algumas dificuldades de divulgação no início do ano e que foram amplificadas com a crise da Covid-19, o Ministério da Economia finalmente divulgou os dados de emprego formal de janeiro a abril. Apesar de um saldo superior se comparado a ano passado nos meses de janeiro e fevereiro a crise impôs uma nova realidade. O saldo negativo acumulado até abril de 763,2 mil vagas de emprego formal é o pior resultado da história. Mais que o dobro do registrado em 2016, negativo em 378,5 mil. Apenas os estados do Acre, Mato Grosso do Sul e Roraima apresentam saldo positivo. Apenas no estado de São Paulo no ano foram destruídas 227,7 mil vagas de emprego formal, no Rio de Janeiro 125,1 mil. A crise da Covid-19 afeta principalmente determinados setores da economia. Apenas o comércio já perdeu 342,7 mil vagas no ano. O setor de serviços 280,7 mil vagas. O único setor com saldo positivo no ano é o setor agropecuário, com mais de 10 mil vagas formais criadas. O agro continua superando as dificuldades da crise e sendo o ponto positivo da economia. Fonte: CAGED O resultado péssimo no mercado formal poderia ser ainda pior. Segundo o Ministério da Economia desde 1º de abril, data da edição da Medida Provisória 936/2020, que criou o Programa Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda, foram preservados mais de 8,1 milhões de empregos no país. O resultado de abril deve impactar a taxa de desemprego de abril que será divulgada amanhã pelo IBGE. O aumento exponencial do desemprego, apesar das medidas de mitigação da crise, é inevitável. Cabe ao governo a manutenção da renda durante o combate a pandemia que só será sucedido com uma real união nacional, e dar condições para possibilitar uma retomada da economia e, principalmente, do mercado de trabalho.

Perdemos cem dias, mas com união nacional podemos vencer a guerra

Perdemos cem dias, mas com união nacional podemos vencer a guerra

A reunião realizada hoje entre Bolsonaro, os governadores e os presidentes da Câmara e do Senado constituiu um marco na condução da crise contra o novo coronavírus. O evento teve três significados: Primeiro, transmitiu uma mensagem de união entre as três esferas governamentais – união, estados e municípios – algo que, por incrível que possa parecer, ainda não havia ocorrido depois de mais de três meses de pandemia. Igualmente de harmonia entre os três Poderes da República. Pela presença no evento dos presidentes da Câmara e do Senado; e pelo acordo selado na véspera entre estados e União com a ajuda do ministro do Supremo Gilmar Mendes em torno do contencioso da Lei Kandir. A Lei Complementar 87/96 isentava de ICMS os produtos exportados, causando um impacto na arrecadação dos estados e uma enorme disputa sobre compensações dessas perdas entre os estados e a União. Esse acordo que trata das compensações da Lei Kandir pode gerar os repasses registrados no quadro. Compensação da Lei Kandir com ou sem a PEC do Pacto Federativo (R$ bilhões por ano) Segundo, amparou o veto ao aumento dos salários do funcionalismo, algo essencial diante da necessidade de poupar recursos e oferecer justa cota de sacrifício para o setor público. Terceiro, não desautorizou a equipe econômica que vinha insistindo no veto aos aumentos salariais do funcionalismo. Caso não ocorresse, seria mais uma área técnica do governo desautorizada e consequentemente, mais uma crise política encomendada e esta de proporções ainda maiores do que as que culminaram com as saídas de dois ministros da saúde. Uma área econômica sem mandato significaria falta de qualquer rumo à política econômica e consequente deterioração profunda das expectativas. A reunião repercutiu positivamente no mercado com alta do Ibovespa e queda do dólar. Lamente-se apenas o fato desta reunião não ter ocorrido, com este espírito cooperativo, há 100 dias atrás. Mas antes tarde do que nunca. Perderam-se cem dias, mas aumentou a chance de vencer a guerra contra o novo coronavírus.

Compromisso com a melhora da situação fiscal não pode ter exceções

Compromisso com a melhora da situação fiscal não pode ter exceções

O pacote de ajuda aos estados, PLP 39/2020 aprovado pelo Congresso aguarda a sanção do Presidente da República. O projeto inicialmente previa uma contrapartida dos Estados e Municípios de congelamento dos salários dos servidores até dezembro de 2021. Desde a primeira votação no Senado, até a última votação na Câmara, foram incluídas uma série de exceções no projeto, reduzindo a economia inicial prevista de R$130 bilhões para apenas R$43 bilhões. O Presidente anunciou publicamente que iria seguir as orientações do ministro da economia, Paulo Guedes, e que até quarta feira vetaria as exceções ao projeto. Mas, infelizmente, o que era apenas uma especulação se confirmou, e o Presidente ainda não sancionou o projeto, pois aguardava que o Congresso aprovasse um reajuste para os policiais e bombeiros do Distrito Federal que são pagos pelo governo federal. Esse aumento de gastos ocorreu, inclusive, com orientação da liderança do governo. Os reajustes terão um impacto de R$ 505 milhões. Apesar do pequeno impacto frente à economia total do projeto, cerca de 0,4% da economia total, o simbolismo da medida é o mais grave. Abrir exceções para determinadas categorias é prejudicial ao próprio projeto, que pode ter o possível veto derrubado no Congresso. A projeção do Instituto Fiscal Independente (IFI) é que em 2020 o déficit público será de R$514,6 bilhões, cerca de quatro vezes maior do que a meta estabelecida antes da COVID 19. A adoção do corporativismo para determinadas categorias enfraquece o compromisso com a austeridade fiscal. O combate à pandemia exige o esforço de todos.

Como atenuar o custo econômico da pandemia sem arriscar vidas e quebrar o Tesouro?

Como atenuar o custo econômico da pandemia sem arriscar vidas e quebrar o Tesouro?

A partir de abril o comércio e serviços não essenciais tiveram de baixar as portas na maior parte das grandes cidades. Como atenuar o custo econômico da pandemia sem arriscar vidas e quebrar o Tesouro?Uma iniciativa que poderia amenizar os efeitos da COVID 19 na economia seria a criação de uma bolsa de serviços futuros. Tal mercado poderia comercializar produtos e serviços que não podem ser entregues no período de isolamento social, como é o caso de cortes de cabelo; ou passagens aéreas enquanto houver restrições e/ou uma demanda baixa pelo natural receio de contágio. Medidas como essa são importantes para ajudar um setor responsável por mais de 56% dos empregos formais no Brasil. Fonte: RAIS 2018 – Secretaria do Trabalho/Ministério da Economia Algumas plataformas de fintechs, como o mercado pago ou o picpay, podem ser utilizadas como organizador das transações, estabelecendo garantias para ambos os lados. O governo poderia estimular plataformas dessa natureza para serviços futuros e dar garantias de entrega. Para pequenos negócios se beneficiarem de tal mecanismo seria necessário pagar uma pequena quantia e ingressar em plano de gestão e empreendedorismo de forma a dar sustentabilidade ao empreendimento. E no futuro, esses serviços podem ser realizados ou vendidos em mercado secundário. Seria a criação de um mercado de crédito entre consumidores e fornecedores de serviços futuros. Medidas como essa podem ter a efetividade de ajudar setores como academias de ginástica, barbearias e salões de beleza, incluídas pelo Presidente da República como serviços essenciais. Dados da RAIS indicam que apenas os trabalhadores formais desses três subsetores representam mais de 260 mil trabalhadores. Fonte: RAIS 2018 – Secretaria do Trabalho/Ministério da Economia Incluindo os trabalhadores informais, esse número pode chegar a mais de 500 mil. Uma proposta como essa pode ajudar tais estabelecimentos a levantar mais recursos sem necessariamente transgredir eventuais protocolos sanitários. Preservando a saúde e ajudando a economia.

Em meio a crise do novo coronavírus somente farmácias e supermercados conseguem manter as vendas

Em meio a crise do novo coronavírus somente farmácias e supermercados conseguem manter as vendas

Segundo o IBGE, o comércio varejista retraiu 2,5% em março. A queda das vendas é um reflexo pandemia do novo coronavírus e das medidas de isolamento social, que resultaram no fechamento do comércio não essencial em boa parte do Brasil, a partir do final de março. Seis das oito categorias apresentaram quedas significativas, a maior foi do setor de vestuário e calçados (-42,2%). Considerando o volume de vendas do comércio ampliado, que inclui veículos, peças de veículos e materiais de construção, a redução do volume de vendas foi bem superior, de 13,7%. A queda só não foi maior porque supermercados e hipermercados, que continuaram abertos, cresceram 14,6%. Lembre-se, ademais, que o medo do desabastecimento nos primeiros momentos aumentou fortemente a demanda por alimentos. Além de supermercados, a venda de artigos farmacêuticos, médicos e perfumaria subiu 1,3%. Com a divulgação nesse começo de mês dos dados referentes a março, é possível ter uma estimativa do PIB da economia brasileira no primeiro trimestre. Os três setores cobertos por pesquisas do IBGE apresentaram queda no 1º trimestre: a indústria (-2,4%), serviços (-0,1%) e varejo ampliado (-4,2%) caíram pelo péssimo resultado de março. Isso permite estimar uma queda do PIB brasileiro no primeiro trimestre de 1,5%. Lembre-se a pandemia chegou antes na Europa e derrubou o PIB da União Européia em 3,8%. Infelizmente é um prenúncio daquilo que deve ser contabilizado como custo econômico da pandemia no 2º trimestre, quando seus efeitos sobre o Brasil ocorrem de forma mais aguda. As novas projeções do Ministério da Economia também indicam isto. Para 2020 é projetada uma recessão de 4,7%, o que seria a maior já registrada, e uma inflação de apenas 1,77%, abaixo do piso da meta de 2,5%. Nesse sentido, é importante que os responsáveis pela política econômica no Brasil atuem de acordo com desafio. O corte da taxa Selic em 0,75 p.p na última reunião é um exemplo de uma decisão correta. A ata do Copom divulgada ontem indica apenas mais um corte de no máximo 0,75 p.p, na próxima reunião em 16 e 17 de junho. É preciso cautela com estas mensagens. A incerteza é tão grande na atual coinjuntura que não é possível descartar que exista espaço para cortes adicionais na taxa básica de juros.

Expansão do crédito e crise econômica, fazem bancos projetarem aumento da inadimplência

Expansão do crédito e crise econômica, fazem bancos projetarem aumento da inadimplência

A crise do novo coronavírus interfere no mercado de crédito, de diversas maneiras. Por um lado, o governo busca expandir o crédito como forma de ajudar a economia durante a pandemia. Por outro, o crescimento do desemprego e os impactos na renda certamente farão crescer a inadimplência. Para conceder um empréstimo os bancos possuem um sistema que classifica o crédito de acordo com seu produto e com o perfil do cliente para quem o crédito é concedido, além de questões subjetivas como medidas a partir da situação da economia e da situação financeira do cliente. As carteiras de créditos em atraso são classificadas em nove categorias (de AA até H) considerando o tempo de atraso e o perfil do cliente. Todo contrato de crédito classificado como H deve ser 100% provisionado, ou seja projetado como prejuízo. Além disso, os bancos devem considerar as perspectivas do cliente em pagar a divida, um cenário prospectivo, algo menos objetivo. Esse provisionamento de possíveis ou prováveis prejuízos faz com que os bancos consigam deduzir dos seus lucros apurados a parte de suas carteiras de crédito que apresentam sinais de inadimplência. Projetando o aumento da inadimplência durante a pandemia da COVID 19 os maiores bancos brasileiros aumentaram bastante a provisão de inadimplência. Se comparado ao mesmo período de 2019, em 2020 o Itaú aumentou seu provisionamento em 147%, o Banco do Brasil em 63%. Por consequência, o lucro dos bancos sofreram reduções no 1º tri de 2020. Outro impacto negativo que a inadimplência pode ter, é que ela encarece o custo do crédito.

Projeções para economia brasileira continuam despencando...

Projeções para economia brasileira continuam despencando...

O boletim Focus com as projeções do mercado para a economia brasileira, indica, pela primeira vez, uma queda superior a 4% do PIB para 2020. A expectativa para 2020 caiu pela 13ª semana seguida passando de uma queda de 3,76% para - 4,11%. A paralisação da economia e avanço do coronavírus indicam que as projeções ainda podem piorar. A expectativa de crescimento para 2021 continua em 3,2%. Há projeções ainda mais pessimistas, como a da Societé Generale, de -7,3%; a do banco JP Morgan, de -7%. Caso a projeção da pesquisa Focus se confirme, o PIB da economia brasileira em 2021 estará cerca de 1% abaixo do registrado em 2019. A volta ao patamar pré-crise ocorreria apenas em 2022. No final da gestão Bolsonaro, em 2022, (ou da primeiro mandato), o PIB estaria 1,4% acima do pré-crise, sempre de acordo com a pesquisa Focus. O cenário deflacionário e de queda do juros fez com que a projeção tanto do IPCA quanto da taxa Selic também fossem reduzidas. A projeção de inflação passou de 1,96% para 1,75% enquanto que a taxa Selic para o fim do ano passou de 2,75% para 2,5%. Ou seja, ainda haveria espaço de meio ponto percentual de queda da Selic que agora está em 3%. A recessão em 2020 é inevitável frente à crise do coronavírus. Em um momento como este é preciso que todas as categorias deem sua cota de sacrifícios. Nisto reside a importância do veto presidencial ao aumento de salário dos servidores aprovado irresponsavelmente pelo Congresso. Esta é a expectativa do anúncio que Bolsonaro deve fazer hoje ao sancionar o projeto de ajuda a Estados e Municípios, o PLP 39/2020.

Presidente acerta ao anunciar veto ao cheque em branco

Presidente acerta ao anunciar veto ao cheque em branco

Anúncio hoje da intenção do presidente Bolsonaro vetar aumento aos servidores como contrapartida ao pacote de ajuda aos estados foi fundamental para melhorar as expectativas econômicas. É preciso conciliar pacote de ajuda contra a pandemia com responsabilidade fiscal. O corporativismo no Brasil mata tanto quanto o novo coronavírus porque impede que o Estado se reorganize e encontre recursos para superar a crise. Ter responsabilidade fiscal mesmo em momentos de pandemia é essencial para a manutenção da taxa de juros em níveis historicamente baixos no médio a longo prazo. O Comitê de Política Monetária (COPOM), cortou em 0,75p.p. a taxa básica de juros, a SELIC, que agora está em 3%. É a sétima redução consecutiva, chegando a uma nova mínima histórica de juros. O corte confirma a projeção da GO Associados. A decisão do Copom de reduzir a taxa Selic foi correta. Com a recessão provocada pela pandemia e a inflação esperada inferior a 2% (contra uma meta de 4%), a decisão não poderia ser outra. O comunicado divulgado após a reunião indicou que o corte foi motivado principalmente pela redução da atividade econômica mundial, pela redução do preço das commodities e pela alta volatilidade nos preços dos ativos, causados pela pandemia do novo coronavírus. Além da preocupação com a situação fiscal do Brasil. O corte da Selic era necessário, especialmente como sinalizador da disposição da autoridade de estimular a economia, mas não é suficiente para a recuperação econômica. Mas, no momento, a prioridade deve ser fazer com que o crédito mais barato chegue às micro e pequenas empresas que ainda sentem dificuldades de ter acesso ao crédito. Com a ajuda aos pequenos empresários é possível preservar milhares de empregos. Nem isso é suficiente. O conjunto do pacote de ajuda precisa funcionar. A parceria com o setor privado precisa funcionar para aumentar o investimento em infraestrutura. Ao contrário de vozes irresponsáveis do ponto de vista fiscal, as reformas precisam ser aceleradas e não esquecidas usando como pretexto a pandemia. Daí a importância de vetar a eliminação de contrapartidas de ajuste fiscal no pacote aos estados. O corporativismo nunca é benéfico ao país. Em tempos de pandemia pode condenar a sociedade brasileira à crise e depressão. Esperemos que o veto do Presidente Bolsonaro seja confirmado.

Os problemas da falta de saneamento no Brasil prejudicam o combate ao novo coronavírus

Os problemas da falta de saneamento no Brasil prejudicam o combate ao novo coronavírus

O Congresso transmite ideia equivocada que as reformas devem ser deixadas para depois da pandemia. É precisamente esta procrastinação de reformas centrais - como o marco do saneamento – que condena a população à miséria, desigualdade e vulnerabilidade às doenças e epidemias. A pandemia do novo coronavírus se propaga com mais facilidade em situações onde a higiene das mãos não é feita corretamente. No Brasil, além de incentivar a população a lavar as mãos o governo o governo deve se esforçar para levar a água a todos os domicílios. Segundo a PNAD contínua anual, do IBGE, cerca de 18,4 milhões de pessoas não recebiam água encanada diariamente em 2019. A PNAD é uma das duas pesquisas mais importantes sobre dados de saneamento do Brasil, junto com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). A principal diferença entre as duas esta na fonte das informações, enquanto a PNAD considera as informações da população o SNIS considera os dados autodeclarados das empresas prestadores de serviço de saneamento. No que diz respeito a rede de esgoto a PNAD possui um critério mais flexível de avaliação, considerando fossa sanitária e outras soluções alternativas. Já o SNIS, considera apenas o atendimento de uma rede de esgoto. Por isso os resultados. E mesmo no caso da PNAD os números ainda são muito baixos, cerca de um terço da população brasileira não tem acesso a nenhum tipo de esgoto sanitário. E apenas um pouco mais da metade tem acesso ao sistema de esgoto. O melhor caminho é buscar soluções em parcerias e concessões com a iniciativa privada para aumentar a rede de cobertura do saneamento básico. Já tramita há algum tempo no congresso nacional o PL 4.162, que estabelece um novo marco regulatório do saneamento. A aprovação de tal projeto contribui para reverter esse quadro.

A segunda onda do desemprego está chegando

A segunda onda do desemprego está chegando

A taxa de desemprego subiu para 12,2% no primeiro trimestre de 2020, uma alta de 1,2 p.p. em comparação ao trimestre anterior. Porém, o número é 0,5 p.p. menor do que o primeiro semestre de 2019. São 12,9 mi de desempregados no Brasil. Diante da crise do novo coronavírus o aumento do desemprego era esperado. A onda de desemprego da crise de 2015-16 ainda não havia passado quando os efeitos do novo coronavírus sobre a economia impactaram o mercado de trabalho. Hoje são 27,6 milhões de brasileiros estão entre os desocupados, subocupados e desalentados. Apesar da notícia ruim, o indicador do IBGE de hoje vai na mesma direção do número de pedidos de seguro desemprego divulgado ontem, onde é possível observar uma um resultado relativamente menor ao esperado, dada a redução brusca da atividade econômica. É possível supor que as medidas provisórias 927 e 936 de flexibilização dos contratos de trabalho atenuarão o problema do desemprego. Mas os dados disponíveis ainda não permitem conclusões. Com as informações de abril e maio será possível entender com mais clareza a situação de mercado de trabalho. Os dados de pedidos novos de seguro desemprego nos EUA ilustram o potencial de impacto. O indicador divulgado hoje continua na casa dos milhões: 3,4 milhões. Até a crise do novo coronavírus a média para os últimos 12 anos era de 337 mil, mas saltou para mais de 3 milhões na última semana de março e continua na casa dos milhões. O acumulado das últimas seis semanas é superior 30 milhões de pedidos!! Daí a urgência em conceber um plano de recuperação do emprego e da produção.

Pandemia: a crise lá nos EUA  e cá...

Pandemia: a crise lá nos EUA e cá...

Donald Trump citou o Brasil como um país no qual a crise sanitária está particularmente grave. Talvez a menção a outro país sirva ao discurso político de Trump em ano eleitoral para deslocar a atenção da situação dos EUA. De fato, a situação é crítica. O número de mortes nos EUA ultrapassou 58 mil ou 17,8 mortes para cada 100 mil habitantes, contra quase 5.100 mortes ou 2,4 mortes para cada 100 mil habitantes no Brasil. A crise econômica é igualmente grave o que repercute sobre o resto do mundo e naturalmente sobre o Brasil. O Produto Interno Bruto dos EUA caiu 4,8% no primeiro trimestre de 2020. A queda foi a maior desde o último trimestre de 2008, quando a economia recuou 8,4%. Os números ainda não refletem o tamanho total do tombo na economia, já que as políticas de isolamento social começaram apenas em março. O mês de abril foi marcado pela paralisação de boa parte do país, o que pode tornar o indicador do segundo trimestre ainda mais negativo. Mesmo com a indicação de que as medidas de isolamento social sejam flexibilizadas a partir de maio, é provável que o segundo trimestre seja também negativo. Segundo o FMI, a economia dos EUA deve encolher 5,9% em 2020. O resultado do PIB trimestral sai no mesmo dia em que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) decide a taxa de juros dos Estados Unidos. A expectativa é de manutenção da atual taxa, que está entre 0% e 0,25% a.a.. Isso na prática é uma taxa de juros negativa, uma vez que a inflação nos EUA está em 1,5% a.a. No Brasil, o COPOM se reúne na próxima quarta-feira para decidir a taxa SELIC que é a taxa primária de juros da economia brasileira. Há boas razões técnicas para supor um novo corte de 0,75p.p.. A taxa de inflação está baixa com o IPCA 15 divulgado ontem ficando em -0,01% e o IGP-M de março, que foi divulgado hoje e avançou 0,8%. Embora insuficiente, por si mesma, a redução dos juros pode ajudar a recuperação da economia. O grande desafio neste momento de pandemia é fazer chegar na ponta, especialmente para as pequenas e médias empresas, um dinheiro que representa o oxigênio que milhares de empresas necessitam. O Banco Central anunciou que o empréstimo para pessoas jurídicas subiu 28,2% em março frente a pandemia da Covid-19. O crédito direcionado, que tem regras definidas pelo governo e é destinado, aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito, subiu 16,7% em março. O crédito livre subiu 33,5%. É positivo o aumento no montante de crédito, mas é preciso ainda maior esforço para atender as pequenas e médias empresas para evitar uma quebradeira geral. Aliado a várias outras medidas, esta atenção aos pequenos e médios empreendimentos, pode ajudar a atenuar os efeitos desta crise tríplice, sanitária, econômica e política, sobre a variável mais importante de uma economia: o emprego.

IPCA tem deflação em abril, mas grupo de alimentos tem alta e pesa no bolso dos mais vulneráveis.

IPCA tem deflação em abril, mas grupo de alimentos tem alta e pesa no bolso dos mais vulneráveis.

Brasil continua próximo da inflação zero. É uma boa notícia. A prévia da inflação para o mês de abril (o IPCA15) foi de -0,01%, a manutenção dos preços estáveis reflete a paralisação da economia diante da pandemia do novo coronavírus. Em contraste com a Argentina, não há controle de preços no Brasil. A má notícia é que o grupo alimentação e bebidas avançou 2,46%. A cebola, por exemplo, subiu 35,79% em abril, depois de ter ficado 7,92% mais cara em março. O item transportes caiu 3,19% no mesmo período. Isso pode ser explicado pela queda histórica no preço do petróleo que foi repassada para as refinarias e, apenas em parte, para os postos de revenda. A gasolina caiu 5,41% e o etanol ficou 9,08% mais barato. A redução dos preços na maior parte dos grupos, com um aumento dos alimentos é desfavorável aos segmentos de baixa renda, cujos orçamentos, as despesas com alimentação têm maior peso. Essa pressão pela subida de preços dos alimentos deve ser temporária, diminuindo à medida que a economia voltar ao normal. A maior pressão terá sido resultado de um receio de desabastecimento que felizmente, não ocorreu. Em 12 meses, o IPCA acumula uma alta de apenas 2,92%, e está bem abaixo da meta de inflação que é de 4% a.a.. Isso abre espaço para uma nova redução da taxa de juros na reunião do COPOM do dia 06 de maio. A expectativa da GO associados é de um corte de 0,75 p.p. Embora ainda insuficiente, tal espaço para redução dos juros ajuda na recuperação da economia, algo urgente para gerar as oportunidades de emprego que o Brasil tanto precisa.

Pronunciamento Bolsonaro/Guedes acalma o mercado e vai na direção correta

Pronunciamento Bolsonaro/Guedes acalma o mercado e vai na direção correta

Pronunciamento de hoje de Bolsonaro prestigiando Paulo Guedes como o condutor da política econômica deu um sinal positivo para os agentes econômicos. A saída de Moro havia gerado apreensão sobre se Paulo Guedes não seria o próximo a sair. Mais importante do que a fogueira das vaidades, o teor da manifestação foi adequado para aquilo que a economia precisa. Diante de uma crise tríplice – sanitária, econômica e política – é necessária uma vacina tríplice para a economia: - Continuidade das reformas e ajuste; daí a importância do congelamento dos salários do funcionalismo, mencionado por Guedes; - Eficácia do pacote anti-pandemia que ainda precisa de maior velocidade e mais clareza e eliminação de burocracia nas medidas; - Pacote de investimento em infraestrutura, não preponderantemente com recursos do Estado, mas com concessões para o setor privado. Corretamente, afastou-se o falso dilema entre desenvolvimentismo e ultra- liberalismo, meros rótulos simplistas para explicar um quadro tão complexo quanto o atual. A reafirmação da influência de Guedes é condição necessária, mas não suficiente para reverter as expectativas pessimistas. Pela 11ª semana consecutiva a mediana das projeções de crescimento do PIB caiu: de -2,96% para -3,34%. O índice de confiança do consumidor atingiu a mínima da serie histórica em abril ao bater 58,2 pontos. A mínima anterior era de 64,9 pontos em dezembro de 2015. Segundo Guedes, o Brasil vai surpreender o mundo recuperando-se rapidamente. A curva de recuperação seria em V. Neste momento, é difícil dizer se tal previsão tem fundamento ou serve apenas como discurso oficial. Mas se as autoridades não surpreenderem o mercado com mudanças súbitas de rota, já será um grande avanço.

Por que a queda de um Ministro da Justiça afeta tanto a economia?

Por que a queda de um Ministro da Justiça afeta tanto a economia?

A saída de Moro piora muito as expectativas econômicas ao enfraquecer ainda mais o governo. Sua saída abala a base de apoio do governo. Os mercados no Brasil descolaram do resto do mundo. Agora os indicadores incorporam a crise política, além da pandemia e da crise econômica. A crise política tende a se prolongar. O próprio discurso de Moro impulsionará mais pedidos de impeachment. Os indicadores brasileiros estão piores do que no mundo com a bolsa em forte queda e o dólar renovando a máxima nominal ao se aproximar de R$5,75, lembrando que o preço máximo do dólar corrigido pela inflação é de R$7,67, observado em outubro de 2002. Isso tende a agravar o atraso da agenda econômica tanto em relação às reformas estruturais, que erroneamente haviam sido esquecidas, quanto em relação ao pacote anti-pandemia que tramita morosamente no Congresso. A saída do Ministro da Justiça levanta dúvidas também sobre a permanência de outros ministros considerados avalistas do governo, como é o caso de Paulo Guedes, na Economia. Além das reações imediatas, essa instabilidade política prejudica o ambiente de negócios no Brasil. Hoje não se sabe qual será o futuro da política econômica. A tendência é de o governo ter uma outra cara e outra base política. A dúvida é qual será a política econômica. Moro sai do governo como um provável candidato a presidente, colocando mais alternativas no xadrez das eleições de 2022.

Plano Pró-Brasil ainda não é um Plano Marshall, mas dá uma pista para a retomada

Plano Pró-Brasil ainda não é um Plano Marshall, mas dá uma pista para a retomada

O Plano Pro-Brasil para recuperação da economia divulgado ontem pela Casa Civil do governo tem sido fortemente criticado. O plano tem limitações, mas as críticas são precipitadas e equivocadas. Diante da gravidade da crise e profundidade da recessão, a economia não vai se recuperar espontaneamente, como em um toque de mágica. É preciso um empurrão forte para a engrenagem da economia voltar a funcionar. Assim, é adequada a concepção de um Plano Marshall para a economia, como ocorreu após a II Guerra sob a orientação do Secretário do Departamento de Estado dos EUA, George Marshall. É uma obviedade que as circunstâncias históricas são totalmente diferentes. Alguns alegaram que o Plano Pro-Brasil estaria reeditando o PAC dos governos Lula e Dilma. Não há nenhuma evidência disso. Tampouco se procura reproduzir o II Plano Nacional de Desenvolvimento do Governo Geisel. A área de infraestrutura do governo vem se organizando de forma mais adequada desde o Governo Temer com a criação do Programa de Parcerias de Investimento. Há projetos bem desenvolvidos com cronogramas detalhados e estudos de mercado bem feitos. Nada a haver com o PAC. Segundo o governo, o programa pró-Brasil está orçado em R$280 bilhões, R$ 30 bilhões para investimentos em infraestrutura e R$250 bilhões em contrato de concessões à iniciativa privada. Ou seja, a maior parte vem do investimento privado e não do público, como os críticos desinformados querem. É claro que para que isso ocorra será necessário segurança jurídica e menor risco regulatório. As agências reguladoras têm que funcionar de forma independente e para fazer respeitar os contratos e não para fazer populismo. É urgente aprovar o novo marco regulatório do saneamento. É urgente aprovar uma nova lei geral das concessões. Ambos projetos estão no Congresso. Em vez de propor gracinhas e jogadas para a plateia, como a proposta de empréstimo compulsório, o Congresso deveria se concentrar em projetos que estimulem o investimento de longo prazo. O potencial de geração de emprego é enorme. Vários exercícios quantitativos demonstram que o investimento em infraestrutura tem o condão de gerar muitos empregos, especialmente pelo seu impacto sobre a construção civil. Curiosamente, a estimativa apresentada pelo governo de criação de um milhão de empregos com obras públicas de infraestrutura chega a ser modesta. Agora, é verdade, ainda falta articular melhor o programa e coordená-lo com a política econômica. Mas o Brasil não retomará o crescimento sem uma iniciativa dessa natureza. É urgente portanto aprimorá-la e não a confundir com programas desastrados do passado.

Já é hora de reabrir a economia?

Já é hora de reabrir a economia?

A reabertura da economia está na ordem do dia. O governo do Estado anunciou as diretrizes para a reabertura no estado. A FIESP lançou um plano de reabertura lenta e gradual das atividades. Os planos do governo do estado e da FIESP, embora tenham diferenças de conteúdo e cronograma, convergem em dois pontos: gradualismo e forte orientação médica e sanitária. Um programa de reabertura deve ser minucioso, multidisciplinar, flexível para ser adaptado ao longo do tempo e para as diferentes regiões do país. Não adiantaria reabrir rápido demais e ter um novo surto do vírus. Uma abertura precipitada contribuiria apenas para piorar o problema. É preciso uma abordagem multidisciplinar para assegurar o sucesso. É um problema complexo com múltiplas dimensões e no qual qualquer erro custa milhares de vidas e ou empregos. As experiências de flexibilização do isolamento social em outros países ainda não estão consolidadas. Ainda não é possível dizer quais foram os casos de sucesso e quais os de fracasso. O tempo e a pesquisa vão revelar. Mas não há tempo para esperar pela pesquisa. A decisão é agora. É sabido que deve-se evitar a todo custo um novo surto do vírus. É natural que haja divergências quanto ao timing da reabertura. Alguns segmentos propõem a partir a partir de 1 de maio, dez dias antes do decreto do governador. Este período incluiria o Dia das Mães, data importante para o faturamento do comércio. Mas nada impediria, no entanto, e aqui vai uma sugestão que se adie excepcionalmente o Dia das Mães neste ano, a exemplo do que foi feito com tantos outros eventos importantes. Aliás, não há data universal para o Dia das Mães. Nesta época de crise, é preciso tomar cuidado com as decisões que podem ter efeito contrário ao desejado por todos que é a volta à normalidade.

Decisão populista sobre o consignado

Decisão populista sobre o consignado

Uma decisão do juiz federal Renato Coelho Borelli do Distrito Federal paralisou o pagamento de todas as parcelas de crédito consignado no Brasil em razão da pandemia. O Banco Central pode recorrer. A justificativa principal seria a necessidade de garantir que os idosos, que são os principais beneficiários de empréstimos consignados, possam arcar com os custos de tratamentos médicos e outros durante a pandemia da COVID 19. Os bancos também ficam obrigados a aumentar o crédito ou prorrogar parcelas de contratos vigentes. E estão proibidos de repassar lucros e dividendos aos acionistas enquanto durar a pandemia. O crédito consignado consiste em empréstimo que tem como garantia o salário. O pagamento do principal devido e os juros são abatidos da própria folha. O crédito consignado constitui a alternativa mais barata para o assalariado. Segundo site do Banco Central, o último número da taxa do consignado estava em média 1,67% ao mês, ou 21,98% ao ano. Enquanto isso, o empréstimo pessoal estava em 4,97% a.m., ou 79,03% ao ano. Isso para não mencionar o juro do cartão de crédito que está em estratosféricos 12,3% ao mês ou 302,37% ano. Mediana da taxa de juros do crédito consignado Elaboração: GO Associados Esta vantagem do crédito consignado se deve ao baixo risco para o credor, uma vez que a cobrança é feita imediatamente em folha. Segundo a Febraban, a carteira de crédito consignado no Brasil é de R$142 bilhões. Por mês, a concessão de créditos consignados novos é de aproximadamente R$7 bilhões. A pretexto de proteger os trabalhadores, uma decisão deste tipo – se for adiante, o que não é provável - acaba comprometendo a alternativa mais barata de crédito existente. Isso porque compromete a segurança desta linha de crédito. Se os juros e principal podem ser congelados por uma canetada, o risco de emprestar dessa maneira é maior. E consequentemente a taxa de juros tende a subir. A decisão do juiz pretende fazer política econômica e não aplicar criteriosamente a lei. A fazê-lo termina por prejudicar aqueles que pretendia ajudar. Isso porque o crédito consignado tenderia a diminuir e seu custo aumentar. Além disso, uma intervenção dessa natureza geraria preocupação em diversas outras atividades que temeriam pelo desrespeito aberto aos contratos. A maior insegurança jurídica causaria aumento dos juros e queda do investimento, agravando ainda mais o quadro recessivo do país e destruindo empregos. A melhor forma de o Judiciário ajudar o trabalhador é aplicar com critério a lei. Segurança jurídica é um dos ingredientes mais importantes para a economia. A formulação de medidas de proteção e transferência de renda, como o coronavoucher ou como a antecipação do 13º dos aposentados, é especialmente importante neste momento de pandemia. Mas não cabe ao Judiciário e sim ao Executivo e Legislativo. Apesar de supostamente bem intencionada, a decisão pode ter um resultado contrário ao esperado, caso não seja, como seria esperável e desejável, derrubada de plano por instância superior.

De volta para o futuro: novo coronavírus deve levar PIB de volta a 2010

De volta para o futuro: novo coronavírus deve levar PIB de volta a 2010

Tanto na projeção do FMI (-5,3%) quanto na da GO Associados (-3%), o PIB do Brasil deve retroceder para níveis inferiores aos de 2011. Além disso, a recuperação pode ser lenta. Supondo a projeção do FMI para a economia brasileira para 2021 (2,9%), e, a partir de 2022 supondo uma taxa de crescimento de 1,26% (a média entre 2017-19) voltaremos para o pré-crise apenas em 2023 e ao PIB de 2014 apenas em 2026!

Crise do Coronavírus fará PIB despencar e déficit explodir a 7% do PIB

Crise do Coronavírus fará PIB despencar e déficit explodir a 7% do PIB

O FMI divulgou a projeção de crescimento para a economia mundial de -3% , no Brasil a queda vai na mesma direção da projeção do Banco Mundial, -5,3% em 2020 , o que seria a maior queda para a economia brasileira da série histórica.
O que o FMI está chamando de “A Grande Paralisação” levará a uma recuperação em 2021 segundo a projeção do FMI, com o mundo crescendo 5,8% em 2021. Nesse cenário o Brasil cresceria 2,9% no próximo ano.
No plano fiscal, a Instituição Fiscal Independente divulgou novas projeções prevendo déficit do governo central de R$ 514 bi, 7% do PIB! A IFI também projeta que a crise do novo coronavírus voltará a mudar a trajetória da dívida brasileira, que não se estabilizará até 2030 chegando a mais de 100% do PIB em seu cenário base.
Houve piora em todos os cenários, com o mais otimista a dívida se estabilizando em 2025 a 82,7% do PIB. No cenário pessimista a dívida tomará uma trajetória explosiva ultrapassando a barreira de 100% do PIB já em 2023 e chegando em 2030 com 138,5% do PIB. A China será a única potência que cresce em 2020.
Projeção do FMI para a economia em 2020/21 Fonte: FMI. Elaboração: Go Associados

Plano de ajuda aos estados e municípios é necessário, mas a falta de contrapartida é preocupante

Plano de ajuda aos estados e municípios é necessário, mas a falta de contrapartida é preocupante

O governo federal sofreu derrota na Câmara dos deputados, com a aprovação de um plano de ajuda fiscal aos estados e municípios sem a devida preocupação com o equilíbrio das contas públicas. O plano de ajuda prevê a recomposição das perdas com arrecadação de ICMS e ISS de impostos sem uma contrapartida por seis meses; o plano inicial do governo era realizar tal recomposição durante quatro meses. A ajuda tem caráter emergencial, e algumas medidas já estavam em prática, como a paralisação do pagamento da dívida de alguns estados com a União, amparada por decisão de ministros do Supremo Tribunal Federal. É positivo que a Câmara tenha retirado o ponto polêmico que abria possibilidade de os estados contraírem novas dívidas, uma verdadeira bomba fiscal. Mas a ajuda sem nenhuma contrapartida está longe do ideal. A redução de salário de funcionários públicos seria bem-vinda, se os funcionários da iniciativa privada estão tendo que se sacrificar neste momento de crise, por que os públicos não têm também sua cota de sacrifício?

Projeções do PIB continuam em queda livre

Projeções do PIB continuam em queda livre

O Relatório do Banco Mundial sobre os impactos da COVID-19 na economia aponta para uma retração de 5% do PIB brasileiro em 2020 e -4,6% para a América Latina e Caribe. Se o Banco Mundial estiver certo, seria a maior recessão em um ano desde 1900, o começo da série histórica. Os outros anos foram 2015 (3,55%), 2016 (3,28%), 1981 (4,25%), 1990 (4,35%), 1931 (3,3), 1908 (3,2%). Segundo o relatório, haveria três fatores responsáveis para essa queda: a demanda externa fraca, a queda dos preços do petróleo e a interrupção da atividade econômica para conter o vírus. Dos três fatores apontados pelo Banco Mundial, apenas um pode sofrer interferências diretas do governo brasileiro: a retomada da atividade econômica com o controle da pandemia. A Pesquisa Focus também continua registrando queda nas projeções do PIB: a mediana das expectativas caiu para -1,96%, contra -1,18% na semana passada, e um crescimento de 1,68% há um mês. É preciso cautela para ler estas projeções em uma conjuntura de tanta incerteza. Especialmente em países como o Brasil, no qual as estatísticas sanitárias são precárias e os testes escassos. A verdade é que vários governos nacionais não sabem em que estágio do processo seus países se encontram e, consequentemente ainda não desenharam uma estratégia clara de contenção da pandemia. A estratégia recomendada - o isolamento, é aplicado em graus diferentes de adesão, o que complica ainda mais o cálculo do custo econômico. Além disso, é preciso computar o efeito dos pacotes governamentais e o crescimento de segmentos específicos, especialmente ligados à economia digital.

Inflação do Covid é baixa, por enquanto...

Inflação do Covid é baixa, por enquanto...

A inflação do mês de março ficou em 0,07%, o primeiro mês em que é possível sentir os impactos da COVID-19. O indicador próximo de zero ilustra a paralisação de boa parte da economia, principalmente na segunda quinzena do mês.

As políticas de isolamento social tiveram forte impacto em setores como o das passagens aéreas, cujos preços caírem quase 17%. Em contraste, o preço do grupo de alimentos subiu 1,13% no mesmo período, também consequência da crise do novo coronavírus.

No geral, o efeito da pandemia no Brasil e no mundo é de baixa inflação ou mesmo deflação. Isso em virtude da contração da atividade econômica.

Os números semanais de solicitações de seguro desemprego nos EUA continuam acima dos 6,6 milhões pela segunda semana seguida. Os números não mentem, e demonstram como os pacotes de auxílio aos trabalhadores e as empresas são mais do que necessários nesse momento.

Dados da inflação no Brasil e do desemprego nos EUA indicam que a economia continua precisando de respiradores. E será assim até o final do primeiro semestre. Agora, basta esperar uma retomada da atividade e avaliar os impactos das medidas anticrise nessa recuperação.

O financiamento dos pacotes anticrise através da emissão de moeda poderá ter impacto inflacionário mais adiante. As medidas anticrise são importantes, mas é preciso ponderar sobre seus efeitos colaterais.

O tratamento deve curar o paciente, e não provocar doenças crônicas que o Brasil conhece bem de seu passado.

Nem o ouro está imune ao Covid-19

Nem o ouro está imune ao Covid-19

A volatilidade tomou conta de quase todos os tipos de investimentos no mundo. Diante da pandemia, os investidores buscam ativos seguros, como o ouro. Por que o ouro? Desde a antiguidade, o ouro serve como um fundo de reserva com liquidez. Constituiu igualmente uma referência para vários dos padrões monetários. Entretanto, nem o ouro escapa de volatidade em momentos de crise. A pandemia do novo coronavírus não foi exceção. No início da crise o ouro é vendido para cobrir prejuízo de outros ativos, e, portanto, seu preço cai. Passado esse primeiro momento, a demanda por ouro como porto seguro e reserva de valor, volta a pressionar seu preço para cima. Essa desvalorização momentânea do ouro também aconteceu durante a crise de 2008. Verificou-se queda intensa, seguida de uma rápida recuperação do preço. Durante a crise, o ouro tende a manter-se em patamar elevado.

Esta crise tem fim(mas quando?)...

Esta crise tem fim(mas quando?)...

A pandemia do novo coronavírus chegou ao Brasil no final de fevereiro, porém a quarentena iniciada em alguns estados para conter o avanço acelerado da doença, começou a ser incentivada a partir da segunda e terceira semana do mês de março. E com a divulgação dos indicadores do mês, é possível começar a dimensionar o impacto da pandemia na economia brasileira. Dados como o licenciamento de automóveis caíram 35,4% em comparação com fevereiro. O indicador da atividade do comércio divulgada pelo Serasa caiu 16,2%. O nível de utilização da capacidade instalada da indústria também caiu 3,9%. A produção de veículos, por exemplo, caiu 21,1% segundo dados da Anfavea em relação a março do ano passado. Outro indicador que vem caindo semanalmente é a projeção do PIB do boletim Focus, que declinou pela oitava semana consecutiva, para -1,18%, um número que, a esta altura, pode ser considerado otimista. Nossa consultoria revisou para baixo a projeção para 2020: agora trabalhamos com uma queda em torno de 3%. Como a quarentena deve se estender até dia 22/04 no estado mais importante para a economia, a perspectiva é de um choque mais forte do que o previsto no segundo trimestre e talvez, uma recuperação mais lenta do que inicialmente pensado. A queda brusca da atividade surge no momento em que o Brasil vinha em recuperação lenta e com desemprego em dois dígitos, de 11,6%, e uma subutilização da mão de obra de 23,5%. Apesar da gravidade sem precedentes da atual crise, surgiram sinais animadores de inversão das curvas de novos casos na Itália, Espanha e França. Isso explica a expansão dos mercados hoje. Tal fato, aliado à retomada da China, reforça, pelo menos no ritmo volátil das impressões do mercado, a percepção de que a crise é temporária. O problema brasileiro atual é que o pior dela ainda não passou por aqui. Tudo indica que ainda piora, antes de melhorar.

Proteger o emprego e a renda é fundamental

Proteger o emprego e a renda é fundamental

Após as críticas de ausência de proteção dos salários na MP 927, que previa a suspensão do contrato de trabalho, o Governo editou uma nova Medida Provisória (MP 936) para proteção do emprego e da renda, com uma contrapartida para a redução da jornada de trabalho ou para a suspensão do contrato de trabalho. A suspensão de até 100% do contrato de trabalho em um prazo de dois meses será compensada pelo pagamento do seguro desemprego para os trabalhadores que porventura tenham sua renda interrompida. Poderá haver redução de 30%, 50% ou 70% dos salários com a redução proporcional da jornada de trabalho. A medida corrige uma falha evidente da MP 927. Isso porque ajuda as empresas a arcar com sua folha de pagamento em um momento crítico ao mesmo tempo em que atenua a perda de renda do trabalhador. A compensação paga pelo governo terá como fonte o seguro-desemprego ao qual o trabalhador já teria direito, caso fosse demitido. Reduz-se, assim, o impacto nas contas públicas. Manter o emprego diante de uma pandemia dessa proporção é um grande desafio. Prova disso são os dados da economia dos EUA, que mesmo após um pacote de US$2,2 trilhões, não foi possível evitar o crescimento absurdo do número de pedidos de desemprego: foram 6,6 milhões de novos pedidos de seguro desemprego, mais do que o dobro o recorde da semana anterior (3,2 milhões). Algo semelhante deveria ser estendido para o setor público. Com exceção dos funcionários da saúde, segurança e alguns segmentos essenciais para a guerra contra o COVID 19 a flexibilização da jornada de trabalho e do salário deveria valer também para os funcionários públicos. A PEC emergencial seria o instrumento natural. O crescimento do desemprego é inevitável. Em nosso cenário base, a taxa de desemprego que está hoje em 11,6% deverá chegar a 14%. Tudo que for feito para defender o emprego diante desta crise sem precedentes será pouco!!

Recessão ou depressão?

Recessão ou depressão?

Mais uma informação para a economia no retrovisor ou no mundo pré-coronavírus: o resultado da produção industrial em fevereiro divulgado pelo IBGE indicou uma alta de 0,5%. A produção industrial brasileira vinha se recuperando antes da pandemia. Pelo menos até chegada do novo coronavírus. É a segunda alta consecutiva do índice, após um fim de 2019 decepcionante. Apesar do resultado positivo, o acumulado dos últimos 12 meses até fevereiro ainda registra uma queda de -1,2% e o acumulado do ano é de -0,6%. Moral da história: a economia brasileira tombou com o Covid-19 em um momento em que a atividade ainda não estava vigorosa, embora houvesse uma lenta recuperação. Os efeitos do novo coronavírus ainda são marginais no resultado de fevereiro. No ramo de informática, eletrônicos e ópticos caiu 5,8% por depender de insumos provenientes da China. A crise do novo coronavírus deve afetar mais intensamente o resultado de março quando efeitos do isolamento nas principais cidades serão sentidos. É razoável supor que quando a fase mais aguda da pandemia passar, a indústria pode se recuperar com a ajuda do câmbio desvalorizado, da capacidade ociosa e juros baixos. Mas para que isso ocorra, será importante garantir que as principais cadeias produtivas não tenham sido muito afetadas. Lembrando-se, ademais, que o comércio internacional está sofrendo brutal contração e não se pode assegurar que a retomada seja rápida. As medidas de ajuda para a manutenção do emprego e das empresas, anunciadas pelo governo, como a linha de crédito para a folha de pagamento entre outras, contribuem para mitigar os efeitos no curto prazo. Ainda faltam informações para dimensionar o tamanho do tombo na economia brasileira e, mais importante para o futuro, qual será a velocidade de recuperação. A dúvida é se teremos uma recessão temporária ou um processo recessivo mais grave que poderia levar a uma depressão.

Desemprego: o segundo e maior inimigo

Desemprego: o segundo e maior inimigo

A taxa de desemprego do trimestre encerrado em fevereiro divulgada pelo IBGE ainda não demonstra o impacto do novo coronavírus. Ainda é uma visão da economia pelo retrovisor, pois o efeito do coronavírus sobre o desemprego vai começar a ser captado de forma mais clara a partir de março. Infelizmente a crise do novo coronavírus já pegou o Brasil em uma situação crítica no mercado de trabalho. Após dois trimestres de queda, a taxa de desemprego subiu para 11,6%. O indicador ainda é menor do que o observado no mesmo período de 2019, de 12,4%. O problema não se restringe apenas ao desemprego, mas à subutilização que inclui não só os desempregados, como desalentados e subocupados. A taxa de subutilização ficou em 23,5%. No início do ano, há um aumento na taxa de desemprego, com o fim dos empregos temporários para as festas de final de ano. Mas ao observar a comparação com o mesmo período do ano passado, é inegável que o emprego no Brasil estava se recuperando, ainda que lentamente. Pelo menos até o novo coronavírus chegar. A informalidade constitui fragilidade adicional da economia brasileira. Há 38 milhões de trabalhadores informais e uma taxa de informalidade é superior a 40%. Este contingente será de forma brutal, pela crise. Daí a importância do “coronavoucher”, embora trate-se de medida temporária e paliativa. A crise do novo coronavírus começará a ser captada pelas estatísticas a partir de março. O impacto na taxa de desemprego dependerá da duração da crise e das ações governamentais para combatê-la, bem como do comportamento da economia mundial que tem efeito sobre a brasileira. Em um cenário mais pessimista, a taxa de desemprego pode chegar a 15,5%, o que superaria em quase 2p.p o recorde anterior de 13,7%, ocorrido em março de 2017. Neste sentido, novos dados da China representam uma esperança em meio a tantos indicadores negativos para a economia mundial. O Índice dos Gerentes de Compra (PMI) daquele país subiu para 52 pontos em março, depois de um resultado muito ruim em fevereiro (37,5). Como o indicador se situou acima dos 50 pontos, isso pode indicar o início de uma retomada na produção chinesa. Mas ainda é muito pouco. O Brasil precisa estar preparado para uma batalha dificílima contra o pico da pandemia que deve atingir o país nas próximas semanas, ainda que de forma diferenciada de acordo com as diferentes regiões. Vencida esta batalha – podemos e vamos vencê-la – será necessário um verdadeiro Plano Marshall, como ocorreu após a II Guerra na Europa, para atacar o drama do desemprego.

Com atraso, Pesquisa Focus aponta para recessão em 2020

Com atraso, Pesquisa Focus aponta para recessão em 2020

O boletim Focus do Banco Central contém as expectativas do mercado registrando pela primeira vez uma recessão em 2020. A provável queda do PIB está clara há pelo duas semanas, mas a Pesquisa tem uma certa defasagem. A variação no PIB, que semana passada indicava crescimento de 1,48% caiu para uma queda de 0,48%. Apenas a título de comparação, a Goldman Sachs projeta uma queda de 11,4% para o PIB da Itália! Outros indicadores também foram revisados para baixo: a taxa Selic para 2020, que estava em 3,75%, caiu 0,25p.p. para 3,50%; a expectativa de inflação também caiu para menos de 3% a.a., de 2,94%. Lembre-se que a meta de inflação é de 4%. A diferença da crise atual para as anteriores é que a incerteza reside no momento em que haverá uma descoberta de um tratamento ou de uma vacina. Quando os investidores e toda a sociedade vislumbrarem uma “luz no fim do túnel”, as expectativas devem reverter rapidamente. O problema é aguentar até lá! Segundo o Centro de Estudos de Mercado de Capitais da Fipe, de 245 companhias abertas do país, pouco mais da metade têm apenas três meses de dinheiro em caixa para aguentar sem faturamento. Imagine as pequenas e médias empresas. Aí reside a importância dos megapacotes! Enquanto isso, há algumas boas notícias, da Espanha: queda no número de casos pelo quarto dia seguido, segundo o Centro Europeu de Controle de Doenças. Nos EUA, o presidente Donald Trump estendeu as recomendações de “distanciamento social” até 30 de abril. Os EUA passaram ao centro das atenções com o maior números de casos no mundo com 144 mil contra cerca de 98 mil na Itália. A recessão é inevitável em 2020. Mas dá para criar as condições de sobrevivência agora e o caminho para uma retomada futura. Neste momento, é preciso encontrar uma linha de ação clara e equilibrada de um lado, preservando as vidas e, de outro, preservando o emprego e a renda. As medidas econômicas já anunciadas para atenuar os efeitos da crise estão na direção certa. Será preciso calibrá-las diariamente e intensificá-las sempre que necessário. Mas o mais importante ainda está faltando: coordenação e união nacional em torno delas.

Por um pacote do tamanho da crise

Por um pacote do tamanho da crise

O Senado dos EUA finalmente aprovou medidas de ajuda à economia. O pacote representa um montante de US$ 2 trilhões, o equivalente a algo próximo a R$ 10 trilhões, valor 37% maior do que o PIB do Brasil em 2019 (R$ 7,3 trilhões). É um megapacote que parece adequado ao tamanho da crise vivida em escala global, e que agora parece ter nos EUA seu epicentro. Mesmo com a maior economia do mundo, os efeitos na economia dos EUA são devastadores. Os números de pedidos de seguro-desemprego saltaram de 282 mil na semana passada para 3,28 milhões nesta semana, 360% maior do que o recorde histórico anterior, registrado em 1982, de 695 mil pedidos. A Alemanha adotou pacote de valor equivalente a 80% do PIB brasileiro. Também hoje a reunião virtual do G20 realizada aprovou um pacote de US$ 5 trilhões de ajuda a países em desenvolvimento. No Brasil as medidas divulgadas até o momento não chegam a representar sequer algo próximo do montante das economias desenvolvidas. Rigorosamente, não há ainda um pacote global e coordenado em fase de implementação. É claro que um país emergente como o Brasil tem menos recursos para enfrentar a crise. Especialmente depois de décadas de gastança com inutilidades, falta dinheiro para usar naquilo que é vital. Mas não adianta chorar. É inescapável neste momento agir de modo eficiente implementando um programa abrangente de renda mínima capaz de atenuar a crise, especialmente para os segmentos mais vulneráveis da população.

Frente ao pesadelo da crise, pelo menos a inflação tem dado um alívio!

Frente ao pesadelo da crise, pelo menos a inflação tem dado um alívio!

Diante da incerteza sobre a duração da quarentena e os impactos da paralisação da economia, a inflação segue batendo recordes de baixa. A chamada prévia da inflação de março, o IPCA-15, registrou alta de 0,02%, o menor valor para este mês desde a criação do Plano Real de 1994. A pandemia do novo coronavírus e a queda no preço do petróleo ajudaram na redução do preço de vários segmentos pela súbita redução da demanda. Em alguns casos, o efeito é muito forte, como as passagens aéreas que recuaram 16,88%. Até a gasolina, cujo preço na bomba costuma ser rígido para baixo, deu uma colher de chá: caiu 1,18%. A Petrobrás reduziu pela oitava vez no ano o preço na refinaria em 15% que ainda vai gerar efeitos sobre os índices das próximas semanas. No ano, a gasolina já caiu 40% na refinaria e o diesel 29%. O item saúde e cuidados pessoais é o que apresentou a maior alta (0,84%). Nas últimas semanas houve uma grande demanda por produtos utilizados para evitar a contaminação do novo coronavírus, como máscaras, luvas e álcool em gel. Além de uma demanda quase inexplicável por papel higiênico, que chegou a faltar na prateleira de alguns supermercados e registrou inflação de 0,24%. Chama atenção o fato da forte elevação do dólar passando de R$ 5 não ter causado uma pressão inflacionária como em outras conjunturas. Isto mostra como a economia está desaquecida. A inflação acumulada nos últimos doze meses está em 3,67%, abaixo da meta para 2020 que é de 4%. Ao depender da evolução da crise econômica nas próximas semanas é possível prever deflação com a queda acentuada na demanda interna e com o petróleo em patamares baixos. Abre-se caminho também para novas reduções na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária na próxima reunião do Copom que ocorre apenas nos dias 8 e 9 de maio. Mas, vamos aguardar, porque na atual conjuntura, maio é longo prazo!

A crise já é grave o suficiente. Não precisa bate-cabeça político

A crise já é grave o suficiente. Não precisa bate-cabeça político

Em tempos de coronavírus os dados de atividade envelhecem quase que instantaneamente. Informações de um ou dois meses atrás viram história econômica em questão de minutos. O IBGE anunciou que as vendas no varejo caíram 1% em janeiro e que o chamado varejo ampliado (incluindo transporte e construção) aumentou 0,6% em janeiro. Estes dados já viraram história econômica no contexto do novo coronavírus. Ainda é cedo para medir o custo da crise que começará a ser captado com os dados de fevereiro e mais completamente com os de março. Mais importante é tomar as medidas para compensar os efeitos da crise. Daí a relevância do pacote de auxílio do governo federal aos Estados e Municípios no valor de R$ 88,2 bilhões. A maior quantia do pacote é de operações com facilitação de créditos no valor de R$ 40 bilhões. Dentre as medidas, destaque-se a liberação de R$ 8 bi para os fundos de saúde dos Estados e Municípios. Haverá também recomposição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Fundo de Participação dos Estados (FPE), que constituem fundos de transferência do governo federal para a os municípios e estados, respectivamente. Tais recursos são proporcionais à arrecadação de tributos federais, que deverá apresentar forte declínio com a queda de atividade. O montante de auxílio previsto será de R$ 16 bilhões ao longo de quatro meses. Algumas decisões do pacote, como a suspensão das dívidas dos Estados com a União, ocorreriam mesmo sem a decisão do presidente. O Estado de São Paulo, por exemplo, obteve uma decisão favorável no Supremo Tribunal Federal (STF) para interromper os pagamentos da dívida; outros Estados sinalizam que farão o mesmo. A suspensão das dívidas dos estados com a União terá custo de R$ 12,6 bilhões, enquanto a renegociação de dívidas que os estados e municípios têm com os bancos custará R$ 9,6 bilhões. As medidas vão na direção correta dada a gravidade da crise. Mas apenas aumentar gasto, sem eliminar as gorduras e ineficiências do Estado brasileiro, não vai resolver. Igualmente importante, é preciso coordenação entre estados e União, algo que finalmente melhorou nos últimos dias. Basta uma crise sem precedentes que o Brasil e o mundo enfrentam. Não precisa mais problemas derivados das rusgas político-partidárias.

O que falta ao Pacote Guedes?

O que falta ao Pacote Guedes?

A crise global do novo coronavírus ainda está longe de ser contida, inclusive registrando as primeiras mortes no Brasil, mas os governos nacionais finalmente começam a agir de forma mais incisiva. No caso brasileiro, o pacote anunciado ontem envolvendo um valor de R$ 147 bilhões vai na direção correta, mas ainda é insuficiente. Guedes dividiu o plano de 147 bilhões em duas frentes, uma para assistir à população mais vulnerável, como os aposentados e pensionistas do INSS os beneficiários do Programa Bolsa Família e outra para ajudar a preservar os empregos e as pequenas e médias empresas, como a prorrogação do prazo de pagamento de alguns impostos. Finalmente foi definido um locus de decisão para a crise mediante um comitê de crise com amplo mandato para as questões sanitárias, econômicas, logística, segurança, entre outras. Mas o que falta? Cinco pontos... 1. Medidas que protejam mais diretamente o trabalhador informal que representa mais de 40% da força de trabalho no Brasil. 2. Uma prioridade clara em relação às reformas escolhendo uma delas como foco deste semestre; a PEC Emergencial deveria ser a reforma escolhida na medida em que aumenta a flexibilidade de gestão do Orçamento, precisamente aquilo que é necessário neste momento. As ações de estímulo a economia só serão críveis se houver uma reserva orçamentária para fazer frente às obrigações e despesas do combate a crise; isso pode envolver os mecanismos da própria PEC Emergencial ou a aprovação de crédito extraordinário ou contingenciamento abrangente. 3. A decisão de paralisar as sessões do Congresso não condiz com o estado da tecnologia e com a gravidade da crise. É surreal que ainda não tenha disso instalado um circuito virtual de decisão em pleno século XXI! 4. Maior articulação com o setor privado para contribuir na logística, abastecimento e planejamento das ações anti-crise. 5. Apoio específico aos segmentos mais afetados como companhias aéreas, indústria do entretenimento, e a cadeia do turismo em geral. Ainda falta muito para dar uma resposta à altura da crise do novo coronavírus. Mas os governos começam a se mexer na direção correta.

Cinco mitos econômicos da crise do coronavírus

Cinco mitos econômicos da crise do coronavírus

1. A crise não existe; é criação da mídia convencional Falso! As administrações Trump e Bolsonaro foram por aí e quebraram a cara. Na medida em que os casos crescem em progressão geométrica surgem e a população percebe que há um problema real, cai a confiança no discurso oficial o que é péssimo para enfrentar a crise. 2. As quedas nas bolsas e oscilações são fruto da ação de especuladores . Falso. Bem-vindos sejam os especuladores! Eles ajudam a estabilizar o mercado! O problema reside na reação da maioria dos investidores diante do desconhecido. A tendência é a de uma súbita elevação da aversão ao risco que provoca desova de ativos mais arriscados em direção a ativos percebidos como de baixo risco. É curioso que o papel dos especuladores, como já ensinou Friedman há várias décadas, é no sentido de atenuar estas oscilações: compram quando está todo mundo vendendo e vendem quando a torcida do Flamengo está comprando. 3. A desvalorização do Real frente ao dólar vai acabar com a economia, elevando custos e gerando inflação. Falso! O Real desvalorizado pode dar fôlego à indústria e às exportações brasileiras ao tornar nossos produtos mais baratos e consequentemente mais competitivos. Como a inflação está baixa e a economia desaquecida o efeito sobre a inflação não é tão forte. Intervenções pontuais do Banco Central podem e devem ocorrer, mas o dólar em um patamar elevado também tem seu lado positivo e não deve ser visto como um problema. 4. É preciso que o governo elimine o teto de gasto e gaste mais para reaquecer a economia. Falso! Proposta de abandonar o teto de gastos é equivocada. Não há o mesmo remédio para todas as economias nacionais. Quem tem contas equilibradas, como alguns países maduros, pode, e deve, estimular a economia. Quem está quebrado, como é o caso do Estado brasileiro precisa continuar a acertar as contas sob pena de elevar o risco país e afugentar investidores. Em um momento de fuga para ativos de qualidade e horror ao risco no mundo inteiro é preciso garantir que o Brasil seja cada vez menos arriscado e não o contrário. Para tanto é necessário prosseguir com o ajuste fiscal e não voltar à gastança a pretexto do novo coronavírus. 5. Diante da crise do novo coronavírus, basta acelerar as reformas; é fazer mais do mesmo, com mais determinação Falso! Infelizmente equilíbrio fiscal é necessário, mas não suficiente. Situações excepcionais precisam ser tratadas com medidas excepcionais. Neste momento, é preciso mais do que nunca encontrar mecanismos adequados para estimular o investimento. A redução do risco regulatório e o permanente estímulo às parcerias público-privadas são fundamentais para aumentar o investimento privado, especialmente nos segmentos de infraestrutura. A aprovação da PEC Emergencial e várias outras medidas para conter gastos correntes do Estado são essenciais para dar flexibilidade ao orçamento e liberar algum recurso para recuperar o investimento público sem comprometer o equilíbrio fiscal. Algumas medidas emergenciais também são necessárias para auxiliar as empresas que serão prejudicadas diretamente caso o Brasil entre em “quarentena”. Como é o caso de pequenas e médias empresas de comércio e serviços.

Novo coronavírus: remédios e venenos

Novo coronavírus: remédios e venenos

A proposta sobre abandonar o teto de gastos é equivocada. Não há o mesmo remédio para todas as economias nacionais. Quem tem contas equilibradas, como alguns países maduros, pode, e deve, estimular a economia. Quem está quebrado, como é o caso do Estado brasileiro tem mais é que continuar a acertar as contas sob pena de elevar o risco país e afugentar investidores. Em um momento de fuga para ativos de qualidade e horror ao risco no mundo inteiro é preciso garantir que o Brasil seja cada vez menos arriscado e não o contrário. Para tanto é necessário prosseguir com o ajuste fiscal e não voltar à gastança a pretexto do novo coronavírus. Infelizmente equilíbrio fiscal é necessário, mas não o suficiente. Neste momento é preciso mais do que nunca encontrar mecanismos adequados para estimular o investimento. A redução do risco regulatório e o permanente estímulo às parcerias público-privadas são fundamentais para aumentar o investimento privado, especialmente nos segmentos de infraestrutura. A aprovação da PEC Emergencial e várias outras medidas para conter gastos correntes do Estado são essenciais para recuperar o investimento público sem comprometer o equilíbrio fiscal. O preço do dólar nas alturas também não deve assustar. O Real desvalorizado estimula as exportações e inibe as importações ajudando a recuperação. É claro que o Banco Central deve conter explosões especulativas e tem cacife para isso. Mas o dólar permanecerá em patamar elevado nos próximos meses, podendo baixar para um intervalo entre R$ 4,20 e 4,60 até o final do ano.

Preço alto do dólar pode ajudar a indústria

Preço alto do dólar pode ajudar a indústria

Embora o dólar nas alturas incomode, a desvalorização do Real também tem aspectos positivos que podem ajudar a recuperação da produção e do emprego, sobretudo no setor industrial. No plano doméstico, chama a atenção a produção industrial que avançou 0,9% em janeiro de 2020. Este indicador ainda não capta os efeitos do novo coronavírus. Os resultados de janeiro indicam uma recuperação da indústria após dois meses de queda e de um recuo de 1,1% em 2019. O destaque positivo em janeiro foi da produção de bens de capital, que cresceu 12,6%. Para os próximos meses de 2020, o conturbado contexto de mundo em tempos de coronavírus pode significar oportunidade para alguns setores da indústria continuarem se recuperando. A desvalorização do Real aumenta a proteção ao produto nacional na medida em que torna o produto estrangeiro relativamente mais caro do que o nacional. Isso permite aumento de exportações de manufaturados e substituição de importações, estimulando um pouco a economia.

Um olho no dólar e outro na taxa de juros...

Um olho no dólar e outro na taxa de juros...

O mundo continuará de olho no coronavírus e em suas repercussões sobre a economia. A doença já infectou mais de 100 mil pessoas no mundo e a bolsa caiu abaixo dos 100 mil pontos, algo que não acontecia desde 8 de outubro. O dólar bateu todos os recordes nominais nessa semana apesar da ação do americano (FED) e do Banco Central brasileiro e deve continuar no radar na semana que vem. O IBGE irá divulgar na próxima quarta-feira o índice oficial de inflação (o IPCA) de fevereiro de 2020. A confirmação de um cenário de inflação baixa pode pressionar ainda mais o Comitê de Política Monetária para redução da taxa de juros. A inflação deve fechar o ano abaixo da meta de 4%. O último boletim Focus divulgado revisou a previsão de inflação em 2020 para 3,19%. É preciso lembrar que os efeitos do novo coronavírus ainda não devem ser observados neste indicador de fevereiro. A reunião do Copom irá ocorrer exatamente uma semana após a divulgação do IPCA, em 18 de março, mesmo dia da Reunião do Federal Reserve , o Banco Central dos Estados Unidos. O novo coronavírus ainda não deve contaminar outro indicador importante, o da produção industrial de janeiro de 2020. A expectativa é de um recuo de 0,5% do indicador de janeiro em comparação a dezembro. Apesar de um início ruim, o ano da indústria comparativamente a 2019 deve mostrar uma recuperação independentemente do coronavírus. Principalmente porque no ano passado a produção industrial recuou 1,1%. A turbulência do novo coronavírus vai perdurar por mais alguns meses. Tanto a bolsa quanto o dólar devem continuar a sofrer seus impactos mais diretos. A recuperação deve acelerar a partir do segundo semestre quando possivelmente a epidemia estará contida e seus efeitos dimensionados de forma mais precisa.

Urgente: uma vacina para o baixo crescimento

Urgente: uma vacina para o baixo crescimento

Daqui a alguns meses é provável que seja desenvolvida uma vacina eficaz contra o novo coronavírus. O mesmo não pode ser dito em relação a uma vacina contra o desemprego e o dólar alto. O PIB divulgado ontem pelo IBGE não causou surpresa, mas não deixa de confirmar que o país vive a recuperação mais lenta de sua história. Cinco anos após o início da crise em 2014/2015, o PIB ainda está mais de 3% abaixo do registrado em 2014. Durante a famosa crise de 1929 o PIB brasileiro caiu mais de 5% nos dois primeiros anos. Porém, a economia se recuperou de tal forma nos anos seguintes que chegou em 1934 produzindo 17% acima do nível de 29. É urgente encontrar uma vacina para a doença do baixo crescimento. A recuperação mais lenta da economia impacta diretamente a vida da população sob a forma de menos oportunidades de empregos e de crescimento das empresas. O desemprego, que chegou a bater 13,7% no auge da crise, está acima de 10% há 4 anos. É ilusão pensar que basta o Estado gastar mais para o nível de atividade reagir. O estado brasileiro está quebrado e precisa continuar o esforço de equilibrar suas finanças, não apenas da União, mas também dos estados e municípios. É igualmente ilusório pensar que depois desta ou daquela reforma, tudo vai mudar. Não há dia D para reforma. É preciso aumentar a velocidade do conjunto de reformas que melhoram o ambiente de negócios e simplificam a vida econômica sem a ilusão de que as coisas vão mudar com a aprovação desta ou daquela reforma. É o conjunto da obra que importa. Destacam-se as iniciativas para aumentar o investimento em infraestrutura, especialmente mediante parcerias com o setor privado. Daí a importância do projeto de lei geral das concessões ou do novo marco do saneamento sob exame do Congresso. O aumento do investimento privado é a variável chave para retomar a produção e o emprego.

Os economistas têm uma vacina para o coronavírus?

Os economistas têm uma vacina para o coronavírus?

Enquanto os cientistas, e especialmente os infectologistas, se dedicam a buscar a cura para o novo coronavírus, os economistas e autoridades de política econômica buscam uma vacina contra a recessão mundial. A reunião dos países membros do G7 trouxe a expectativa de que os Bancos Centrais agirão para conter os efeitos causados pelo surto da doença. Minutos após o final da reunião, o Banco Central americano (Fed) cortou a taxa básica de juros em 0,5 p.p. A faixa de referência passou de 1,5%-1,75% para 1%-1,25%. As autoridades procuraram emitir um sinal de que as autoridades nacionais estariam atentas ao perigo de uma desaceleração forte ou mesmo de uma recessão e tomariam as medidas necessárias para impedir uma crise econômica mundial. Apesar dos efeitos inicialmente positivos, a apreensão persistiu nas bolsas. Por sua vez, a indicação de que as taxas de juros irão cair ao redor do mundo fez com a expectativa se reduzisse também para o Brasil. Os juros futuros no Brasil caíram como resultado do anúncio da reunião do G7. No último fechamento a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (O chamado DI) para janeiro de 2021 recuou para menos de 4%. A taxa deste tipo de título emula o comportamento esperado pelo mercado para a Selic. Isso indica que o mercado vislumbra uma ação do Copom diante da crise do novo coronavírus. A Selic deve cair para 4% na próxima reunião do Copom em 18 de março. A autoridade monetária deverá ser sábia para permitir juros menores que estimulem a recuperação, mas em uma dose suficientemente pequena de forma a diminuir a pressão sobre o preço do dólar. Um bom chef sabe que é crucial acertar o quanto do açúcar na sobremesa. Assim como na gastronomia, a política monetária é mais arte do que ciência.

Mudanças no cartão de crédito favorecem consumidor, mas não fazem milagre...

Mudanças no cartão de crédito favorecem consumidor, mas não fazem milagre...

A partir do início de março começou a valer uma nova Circular 3918 do Banco Central, envolvendo compras no cartão de crédito feitas em dólar ou qualquer outra moeda estrangeira. Até fevereiro, a cotação utilizada para a conversão era a do dia de fechamento da fatura. Com a nova regra, o cliente ficará sabendo no dia seguinte quanto vai desembolsar em reais. Diariamente os bancos terão que disponibilizar as taxas de câmbio utilizadas para a conversão das compras. Assim, será possível comparar qual banco oferece o dólar mais barato. Os consumidores terão melhores condições para decidir a compra no exterior ou em sites estrangeiros ao saber quanto pagarão de forma rápida. Mas essa vantagem não deve sair de graça. Quando um cliente realizava uma compra em dólar na regra antiga, o risco cambial era dele. Uma desvalorização do real trazia prejuízos enquanto uma valorização trazia vantagens. Com a nova regra o risco deixa de ser do consumidor e passa a ser da instituição financeira. É positivo para o consumidor, uma vez que se minimiza o risco de grande alteração do valor em virtude de variação no câmbio. Ele tem mais condições de decidir sua compra sem surpresas. É claro que, se o dólar baixar de preço até o momento da fatura, o consumidor deixa de obter o benefício da valorização do Real. Como não existe milagre em economia, um risco adicional será repassado para os juros na cadeia de crédito em alguma medida; seja para o consumidor final, seja para os estabelecimentos comerciais. Em qual medida? Depende naturalmente do grau de concorrência no mercado. Quanto maior a concorrência, melhores serão as condições para o consumidor. Daí a importância da agenda do Banco Central de aumentar a competição no mercado. A medida do Banco Central é boa. No geral, torna o processo mais transparente e previsível para o consumidor. É uma chance para maior organização de suas contas sem surpresas desagradáveis na hora de receber a conta.

Uma boa notícia em meio ao pânico do novo coronavírus

Uma boa notícia em meio ao pânico do novo coronavírus

Mesmo com o mundo assustado com os impactos econômicos do novo coronavírus, há uma boa notícia para a economia. O emprego no Brasil está se recuperando mais rápido do que o esperado. Pelo menos isso é o que mostram os dados da PNAD Contínua de janeiro de 2020. O desemprego no trimestre móvel que vai de novembro a janeiro ficou em 11,2%. Não se engane com a comparação com o trimestre encerrado em dezembro (11%). É normal que o desemprego suba nos três primeiros meses do ano. Isso porque as empresas demitem aqueles trabalhadores que são contratados em razão das vendas de fim de ano. É o que os economistas chamam de efeito sazonal. O último número divulgado pelo IBGE representa uma queda tanto em relação ao trimestre encerrado em outubro (11,6%) quanto em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (12%). Uma queda de 0,8 p.p na comparação anual mostra um ritmo de recuperação do emprego bem maior que o observado em anos anteriores. Em janeiro de 2020, o desemprego teve o menor aumento desde 2012. No trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desemprego era de 11%, subindo para 11,2%. Um aumento de apenas 0,2 p.p. Em 2019 esse aumento foi de 0,4 p.p. e no auge da crise, entre 2015 e 2016, o aumento chegou a ser de 0,6 p.p. Também foi observada melhora na subutilização, que inclui não apenas o desemprego, mas a subocupação e o desalento. A taxa de subutilização em janeiro de 2020 ficou em 23,2% contra 24,2% em janeiro de 2019. Mas não se engane, a situação do mercado de trabalho está longe do ideal. São quase 12 milhões de brasileiros desempregados e mais de 26 milhões de pessoas com algum tipo de dificuldade no mercado. Além disso, o novo coronavírus pode desacelerar a recuperação da economia brasileira, o que afetaria a geração de emprego. Para sobreviver à turbulência que vem de fora, é preciso continuar a modernização da economia mediante reformas. Só assim será possível a retomada do crescimento sustentado e consequente geração de oportunidades de emprego.

Não há crise institucional, mas sim disputa orçamentária

Não há crise institucional, mas sim disputa orçamentária

Nos últimos dias o atrito entre a Presidência da República e o Congresso Nacional ficou em evidência. A polêmica foi alimentada pelo apoio do presidente a uma manifestação de 15 de março sobre a qual ninguém sabia, mas que ganhou destaque que tem gerado grande apreensão. Mas na prática o que acontece é menos uma crise institucional de grande proporção e mais uma disputa orçamentária comezinha. A origem da disputa é um veto feito por Bolsonaro na Lei de Diretrizes Orçamentárias aprovada no ano passado. O presidente vetou o pagamento obrigatório de cerca de R$30 bi em emendas apresentadas pelo relator do Orçamento o que gerou desconforto entre os parlamentares. O Governo tenta encontrar um meio-termo de forma a não ter o veto derrubado pelo Congresso. A quantia de R$30 bi se soma ao movimento do Congresso no ano passado que tornou obrigatório o pagamento das emendas de bancada, cerca de R$15,4 bi. Assim, os parlamentares passariam a ter maior controle sobre R$ 45,4 bi do Orçamento. 30 bilhões equivale a pouco mais de 1% do orçamento total para 2020 que está na casa dos 3,6 trilhões. Pode parecer pouco, mas equivale a 1/3 das despesas discricionárias, sobre as quais o Executivo pode efetivamente atuar. O resto está engessado como despesas obrigatórias, a exemplo de pessoal e juros e contas vinculadas, como saúde e educação. A rigidez orçamentária não causa apenas atritos entre Legislativo e Executivo, mas também afeta os investimentos em áreas prioritárias. Um exemplo é a saúde. A Secretaria de Tesouro Nacional prevê um contínuo aumento dos gastos na área de saúde com o envelhecimento da população. Estima que o hiato de recursos entre 2020 e 2027 nesta área será de cerca de R$ 50 bi. Seria fundamental ter maior flexibilidade para reduzir em alguns itens e aumentar em outros, como saúde. Para que esse processo ocorra é preciso flexibilizar o orçamento, precisamente o que prevê a PEC do Pacto Federativo. A discussão deveria ocorrer sobre como desengessar o orçamento e cuidar dos grandes problemas do país e não perder energia com uma polarização inoportuna entre os Poderes da República. Já bastam os problemas do cenário externo agora maiores com o novo coronavírus. A última coisa que o Brasil precisa é fabricar uma crise institucional interna.

O bloco do coronavírus sai na quarta-feira de cinzas

O bloco do coronavírus sai na quarta-feira de cinzas

Depois do Carnaval, as expectativas econômicas serão formadas a partir das notícias sobre o novo coronavírus. Enquanto o Brasil curtia o feriado prolongado houve um verdadeiro terremoto na economia mundial. Isso se deveu às informações de que a doença vai aos poucos ganhando status de uma pandemia. Ou seja, de um vírus que não está mais restrito a uma região (endemia) ou mesmo que se espalha para outras localidades (epidemia), mas há indícios de que venha a atingir grandes proporções, podendo se espalhar por mais de um continente ou por todo o mundo. Era uma questão de tempo para que o novo coronavírus aportasse no Brasil. Como tudo nesse país, ele chegou depois do Carnaval. Aliado à confirmação de uma maior propagação da doença na Itália e na Coreia do Sul, a tendência de hoje do índice Ibovespa é de queda. Como medida de comparação, pode-se usar o ETF do Ibovespa negociado na bolsa de valores de Nova York. Este título despencou nos dois últimos dias, acumulando uma queda superior a 6%. Com esse clima de pessimismo, outro importante item a se avaliar é o dólar. O real já é a terceira moeda que mais se desvalorizou frente ao dólar desde o início do ano, beirando o patamar de R$ 4,40. Com a incerteza, os investidores buscam ativos mais seguros, como o dólar. Em princípio, a tendência do dólar é de alta. Uma doença com efeitos ainda desconhecidos como o novo coronavírus gera insegurança e incerteza nos mercados. Não há motivo, contudo, para entrar em pânico, nem na saúde pública, nem na economia. Mas em ambas as áreas, sobram motivos para redobrar a atenção. Do ponto de vista da economia, não tome decisões precipitadas em relação aos seus investimentos e gastos. Será necessário avaliar o tamanho do estrago que o novo coronavírus vai provocar na economia mundial e no Brasil. Nossa hipótese é a de a recuperação da economia brasileira vença mais esse obstáculo.

Ajuste fiscal vs corporativismo

Ajuste fiscal vs corporativismo

Foto: Camila Lima/SVM O Carnaval começou, mas ao invés de desfiles de blocos e escolas de samba, as notícias dos últimos dias foram marcadas pelos protestos e negociações da Polícia Militar em diversos estados. O movimento, que teve seu episódio mais conhecido no Ceará, conta com pressão por aumento salariais em um total de doze estados do Brasil. O Tesouro Nacional anualmente dá notas que vão de D, para estados quebrados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, até A para estados com contas saudáveis. Dos 12 estados que contam com movimentos de policiais, cinco apresentam notas críticas de situação fiscal (notas C e D). Não há espaço fiscal para a maioria dos estados brasileiros negociarem aumentos com o funcionalismo. Além dos cinco estados mencionados antes, há outros três que devem ter suas notas rebaixadas de B para C nos próximos anos. Apenas um estado apresenta nota A na questão fiscal. É o caso do Espírito Santo, que no processo de sanear suas contas enfrentou uma greve policial em 2017 na gestão Paulo Hartung. No entanto, o sucessor de Hartung, Renato Casagrande, anistiou os envolvidos na greve. A anistia estimula o desrespeito à lei e à ordem. Não surpreende que o Espírito Santo esteja novamente na lista dos estados a sofrerem pressão da corporação. Greve de policiais militares é inconstitucional e inaceitável em qualquer sociedade democrática. Do ponto de vista da economia, a insegurança jurídica provocada pela escalada do caos e da violência inibe o investimento, é variável essencial para retomada do crescimento.

O choque da carne acabou antes do Carnaval!

O choque da carne acabou antes do Carnaval!

A chamada prévia da inflação de fevereiro registrou 0,22%, o menor valor desde o início do Plano Real. A carne caiu mais de 5%, recuando parcialmente do aumento registrado em 2019 em que o preço do item subiu mais de 32% no acumulado do ano. A inflação não é mais motivo de preocupação na atual conjuntura. Nem a alta do dólar chega a bater forte nos preços, pelo menos enquanto a economia continua desaquecida. A situação de atividade lenta abre caminho para novos estímulos do Banco Central. Apesar do ciclo de corte na taxa básica de juros ter terminado, a autoridade monetária tem outras armas para aumentar o volume de crédito no país. Um exemplo é a redução da parcela de depósito compulsório, que é a aquela parte do dinheiro que o banco recolhe compulsoriamente junto ao Banco Central. Em momentos como o atual, com atividade desaquecida e inflação baixa, o Banco Central pode diminuir o percentual de compulsório e assim permitir maior multiplicação de depósitos e estimular a economia sem necessariamente reduzir a taxa básica de juros. O Banco Central lançou mão deste tipo de medida e reduziu a parcela de depósitos compulsórios de 31% para 25%. Isso libera R$ 49 bilhões na economia a partir de 16 de março. Como a inflação está controlada e a economia precisa de um empurrão, é correta a medida do Banco Central. É esperar para ver se a medida terá o efeito desejado, acelerando recuperação da economia com mais produção e empregos. Se isso ocorrer, ninguém vai dar muita bola para as gafes do Ministro da Economia.

Ajuste das contas públicas precisa ser global para funcionar

Ajuste das contas públicas precisa ser global para funcionar

Foto: ALESP O assunto reforma da previdência ainda não terminou. Agora a atenção se volta para a situação das previdências estaduais. Foi aprovada na Assembleia Legislativa de São Paulo em primeiro turno a Reforma da Previdência dos servidores estaduais. A demora na aprovação no âmbito do Congresso Nacional da chamada PEC Paralela sobre as previdências estaduais e municipais forçou 19 governadores a enviar seus próprios projetos de reforma. No caso paulista, será implantada uma regra de idade mínima para servidores de 62 anos para mulheres e 65 para homens. Hoje os servidores podem pedir aposentadoria aos 55 anos ou após 30 anos de contribuição no caso das mulheres e com 60 anos ou 35 anos de contribuição para os homens. Apesar das mudanças estarem na direção correta, alguns segmentos continuam com tratamento diferenciado. No caso dos professores, a idade mínima foi fixada em 51 anos para mulheres e 56 para homens; para os policiais civis e agentes penitenciários em 55 anos. A situação dos gastos com servidores estaduais é crítica. Pelas contas do Tesouro Nacional, 12 Estados encerraram 2018 acima do limite estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal com gastos com o funcionalismo. O teto fixado pela referida lei é de 60% da Receita Corrente Líquida com servidores ativos e inativos. Alguns estados apresentam situação dramática. Chama a atenção o caso de Minas Gerais que terminou 2018 com mais de 78% da Receita Corrente Líquida comprometida com servidores. Isso não impediu que fosse proposto reajuste salarial de servidores de segurança em mais de 40% nos próximos três anos! O processo de equilíbrio das contas públicas no país não é responsabilidade apenas do Executivo Federal. Não adianta acertar as contas da União para em seguida comprometê-las para salvar Estados quebrados. O ajuste será global ou não vai funcionar. E precisa funcionar para a federação como um todo de forma a viabilizar uma das condições necessárias para a retomada da produção e do emprego.

Garantia guarda-chuva pode representar salto no volume de crédito para a atividade econômica

Garantia guarda-chuva pode representar salto no volume de crédito para a atividade econômica

O juro alto sempre foi um dos maiores pesadelos do brasileiro. Mas a queda da taxa Selic, que teve início no final de 2016, começa a ter efeitos práticos para setores chaves da economia. Uma nova proposta do Banco Central pode ajudar. Trata-se da implantação no Brasil daquilo que foi apelidado de garantia guarda-chuva, mecanismo através do qual o mesmo imóvel pode servir de garantia para mais de um empréstimo. Atualmente um imóvel serve de garantia tão-somente para um empréstimo. Este mecanismo, existente em outros países como EUA, Reino Unido, Canadá, permitiria naturalmente um maior volume de empréstimos para um mesmo estoque de imóveis, estimulando a economia. Atualmente, o volume de crédito com garantia imobiliária não passa de 0,5% do mercado total de crédito, representando algo em torno de R$ 10 bi. Segundo o Banco Central, poderia chegar a cerca de R$ 500 bi, ou meio trilhão! O aumento do volume empréstimos representa uma elevação da oferta de crédito, permitindo uma redução de seu custo. Estima-se que as taxas de juros desta modalidade devem ser mais baratas do que as do consignado, que usa o salário do trabalhador como garantia e que hoje se encontra em um faixa de 18% a.a para funcionário público e 32% a.a para o trabalhador do setor privado. A taxa esperada para o crédito com garantia guarda-chuva seria semelhante à do financiamento imobiliário, hoje em torno de 7 a 8% ao ano. Há um longo caminho a ser percorrido para que o Brasil possa finalmente se transformar em um mercado de oportunidades onde o empreendedor tenha vez, não precise virar rentista para ganhar dinheiro e consiga, com seu sucesso, gerar renda e emprego.

É cedo para entrar no bloco do coronavírus em relação à economia

É cedo para entrar no bloco do coronavírus em relação à economia

Tanto no Brasil quanto no resto do mundo, o medo da desaceleração na economia mundial causada pela doença COVID-19, o novo nome do novo coronavírus, começa a fazer com que as revisões de crescimento sejam revistas. No último Boletim Focus divulgado pelo Banco Central a previsão de crescimento da economia brasileira foi reduzida de 2,3% para 2,23%. Os efeitos econômicos da doença devem ser o assunto central da reunião de Ministros da Economia de países membros do G-20 a ser realizada na Arábia Saudita a partir desta quinta-feira. A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, admitiu em um fórum em Dubai que o Covid-19 pode causar revisão na previsão de crescimento do FMI para a economia mundial. A previsão atual de 3,3% pode ser reduzida em 0,1 ou 0,2 p.p.. É alta a possibilidade da economia global registrar crescimento negativo r neste primeiro trimestre, algo que não ocorre desde 2009. O cenário mais otimista prevê um movimento em V na economia global. A atividade sofreria agora, no primeiro trimestre, com as restrições tomadas para a contenção da epidemia. Mas após a contenção do vírus, haveria uma retomada a partir do segundo trimestre. Esta crença se deve principalmente ao poder do governo chinês em reaquecer a economia mediante políticas fiscal e monetária. Nesse sentido, o Banco Central chinês reduziu a taxa do instrumento de empréstimos de médio prazo (Medium term lending facility) de um ano de 3,25% para 3,15% ao ano. Ainda é cedo para acreditar que a crise do COVID-19 comprometa a recuperação brasileira. Antes de entrar no bloco dos alarmistas, é preciso aguardar por mais informações para rever uma taxa de expansão da economia brasileira em 2020 superior a 2%.

Um pequeno dicionário para uma conversa social sobre a alta do dólar

Um pequeno dicionário para uma conversa social sobre a alta do dólar

Foto: Marcos Santos/USP Os economistas têm mania de usar termos estrangeiros. Se quiser puxar assunto em uma roda social é útil gastar algumas expressões em inglês. Aqui vai um pequeno glossário. Chinese Landing = aterrisagem da economia chinesa; se for hard landing o efeito sobre a economia mundial é forte; se for soft landing o impacto é mais suave . Carry trade = Tomar dinheiro emprestado em dólares pagando juro baixo e aplicar em papeis denominados em reais e recebendo juros altos; e sem medo de tomar uma trombada com uma desvalorização cambial no meio do caminho; durante muito tempo era um jogo sem muito risco e com alto retorno. Com a queda dos juros domésticos e maior volatilidade do câmbio passou a ser um jogo com retorno menor e risco maior. Flight to quality = fuga em direção a um porto seguro; a crise do coronavírus gera incerteza e acentua a desaceleração chinesa. Isso faz com que os investidores diminuam suas posições em países emergentes, como o Brasil, e migrem seu capital para ativos denominados em dólar, considerados mais seguros. Isso aumenta a demanda por dólares no mundo, elevando seu preço. Good Luck!

Os três fatores que explicam a alta do dólar

Os três fatores que explicam a alta do dólar

O dólar está batendo consecutivos recordes nominais. Como sempre ocorre em Economia, o preço de qualquer bem, como o dólar, depende da lei da oferta e da demanda. Nem o Judiciário brasileiro é capaz de mudar esta lei. Três fatores explicam por que o dólar está mais caro. Dois diminuem a oferta de dólares no Brasil. Um terceiro está associado ao aumento da demanda por esta moeda no mundo. Em primeiro lugar, a desaceleração chinesa está derrubando os preços dos principais produtos que o Brasil exporta, as chamadas commodities, como soja, minério de ferro e açúcar. Isso diminui a oferta de dólares, aumentando o preço desta moeda. Em segundo lugar, o hiato entre a taxa de juros brasileira e a dos países desenvolvidos caiu muito. Isso afasta aqueles investidores que operavam com base nesta diferença, descrita com a expressão em inglês de “carry trade”. Isso diminui a oferta de dólares no Brasil, pressionando o valor desta moeda. Em terceiro e último, a crise do coronavírus gera incerteza e acentua a desaceleração chinesa. Isso faz com que os investidores diminuam suas posições em países emergentes, como o Brasil, e migrem seu capital para ativos denominados em dólar, considerados mais seguros. Isso aumenta a demanda por dólares no mundo, elevando seu preço. Como tais fatores devem continuar por algum tempo, o dólar deve permanecer mais caro nos próximos dois meses. Nossa aposta é um intervalo entre R$4,20 e R$4,50. É um patamar elevado, mas não se prevê explosão por um motivo simples: o Banco Central tem cacife para evitar que o dólar dispare.

Enchentes expõem a falta de saneamento e educação ambiental

Enchentes expõem a falta de saneamento e educação ambiental

O drama da enchente vivido por São Paulo e outras capitais e cidades brasileiras está associado, em grande medida, associado à falta de saneamento. Lembre-se que a definição legal de saneamento básico inclui não apenas água e esgoto, mas também drenagem e manejo dos resíduos. Desde sempre, as cidades brasileiras sofrem danos gigantescos nas estações de chuvas. A Região Metropolitana de São Paulo corresponde a cerca de 15% do PIB brasileiro. Estima-se que a chuva de 10 de fevereiro em São Paulo possa ter acarretado perda de algumas centenas de milhões de reais. Isso sem contar as perdas patrimoniais de famílias e empresas. Famílias que têm pouco, ou quase nada, perderam tudo. As organizações que conseguiram operar em meio ao caos o fizeram com menor produtividade em virtude do absenteísmo e dificuldade de circulação das mercadorias e provisão dos serviços. Os efeitos econômicos se dissipam ao longo do tempo, mas as cidades continuam a operar de maneira ineficiente. Há sequelas, como a proliferação de doenças provocadas pela exposição à água contaminada, extravasamento de esgoto e acúmulo de resíduos. Os casos se repetem ano após ano em todo país. Mais de 50% dos municípios brasileiros entre 2003 e 2017 registraram enxurradas e inundações. São mais de 1 milhão de pessoas desalojadas ou desabrigadas em um período de 15 anos, segundo dados oficiais (possivelmente subestimados). O problema não é excesso de chuva, mas sim falta de planejamento e infraestrutura urbana. Segundo o Plano Nacional de Saneamento Básico (PLANSAB), será necessário um investimento total de R$ 79,3 bilhões para expansão e reposição dos sistemas de drenagem pluvial urbana no Brasil entre 2019 e 2033, equivalendo a uma média anual de R$ 5,6 bi. Este valor é cinco vezes maior do que aquele investido no período 2003/17! Mas não é só falta de dinheiro e capacidade de investi-lo eficiente e tempestivamente. A sociedade precisa acordar para o fato de que é necessário cobrar dos gestores, mas também de si mesma. Afinal, a porcariada jogada nos córregos e nas ruas não chega lá sozinha.

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